História

 

Divulgar a cidade de Guarujá e a defesa dos interesses da coletividade

No dia 25 de setembro de 1949, surgia nas bancas de jornais da cidade, a primeira edição do jornal impresso “A Estância de Guarujá”, anunciando como principal missão divulgar a cidade de Guarujá, no Brasil e no exterior; e a defesa dos interesses da coletividade, dentro de uma moral cristã e respeito às leis vigentes.

Naquela época, Guarujá vivia os áureos tempos da Perola do Atlântico, com suas belas praias, natureza exuberante, e um recanto aprazível para as famílias abastadas do Estado. A força de trabalho do porto de Santos, estivadores, e trabalhadores das estradas de ferro e da antiga Via do Mar, encontraram refúgio e criaram raízes em Vicente de Carvalho, terra que duas décadas depois viveria seu apogeu imobiliário em uma profusão de crescimento desordenado, o que moldou a cidade e sua cultura até os dias atuais.

Abaixo você pode conferir as primeiras matérias do Estância (Clique nas páginas para ver em tamanho maior).

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Pioneiros da comunicação

O grupo de diretores do Estância de Guarujá em sua fundação era formado por: Benedito de Souza, Abílio dos Santos Branco, Hermínio Amado (secretário) e professor Alcides Pacheco (diretor superintendente). Colunistas convidados também contribuíam com conteúdo.

Sendo um jornal municipalista, sem dúvida, o noticiário das atividades do prefeito era prioridade e o jornal logo tornou-se órgão oficial de imprensa para divulgações de leis e atos administrativos.

Nova direção

Embora a boa intenção dos responsáveis no início desse órgão de imprensa, os compromissos políticos e profissionais dos fundadores começou a interferir na periodicidade. O jornal que circulava com oito páginas, somente teve incentivo depois que Antonio Baraçal começou a tomar a frente como principal dirigente a partir de 1953, embora tivesse atuado desde o início como responsável pela parte financeira.

Após a doação, os demais diretores; Benedito de Souza, agente de Estatística lotado na então Alfândega de Santos, tornou-se um colaborador do jornal; Abílio dos Santos Branco foi eleito o primeiro-secretário municipal de Guarujá; Hermínio Amado, funcionário público, anos depois ocupou o cargo de prefeito, em substituição a Jayme Daige; Alcides Pacheco teve de se ausentar devido as suas atividades mais ligadas à cidade de Santos.

Desde então, o Estância não somente se manteve ativo na cidade, como tornou-se um órgão de imprensa reconhecido em todo o Estado e figura hoje entre os semanários regionais mais antigos e tradicionais do país.

Você sabia?

A comunicação já era uma paixão de Baraçal antes do Estância. Morador em Vicente de Carvalho, Antonio Baraçal mantinha o serviço de auto falantes O Guarani, bem no Centro da Av. Thiago Ferreira, que trazia diariamente, das 17 às 21hs, as principais notícias sobre o que acontecera na cidade. Uma importante contribuição deste serviço para a sociedade era o obituário. Sempre que os acordes iniciais da ópera de Carlos Gomes, “O Guarani”, tocava nos autofalantes fora do horário habitual, já era sabido que alguém da cidade havia falecido.

 

Antonio Baraçal, o comunicador da cidade

Antonio Baraçal

Não é possível falar da história do Estância sem falar de Antonio Baraçal. Na direção do semanal, Baraçal tornou-se muito popular na cidade tendo sido eleito vereador por quatro legislaturas seguidas. Ele fez do “Estância”, um dos mais populares órgãos de imprensa da Baixada Santista e mesmo não sendo jornalista profissional, tinha o jornalismo no sangue. Nos 35 anos em que esteve à frente do Estância, Baraçal foi professor de muitos jovens, que nos dias de hoje atuam com destaque em jornais, rádios e TVs de Santos e São Paulo.

Comunicador de raiz, sua alegria era animar os tradicionais Festejos Juninos da Cidade, o contato com o público que ele reverenciava fosse no palco da pracinha ou nas páginas do Estância. Muitas manchetes desse período vieram do encontro diário com a população.

O jornal era sua paixão e seu orgulho. Quem conheceu o velho Baraçal sabe que onde quer que chegasse, havia alguns exemplares da edição da semana sob o braço. Esse papo amigo com comerciantes da cidade e políticos frequentemente ia parar na coluna de fofocas e faziam um sucesso enorme.

Com seu falecimento, a partir de 1988, o jornal passou a ser dirigido por Antonia Baraçal com a colaboração de seus cinco filhos.

 

Uma grande Mulher

Antonia Baraçal

Dizem popularmente que atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher. E D. Antonia Rosa Baraçal é uma personagem importante na história do Estância. Mulher de fibra e de forte senso moral, D. Antonia criou cinco, dos seis filhos que gerou, e conciliando as tarefas de dona de casa com os negócios, foi presença constante na redação do jornal. Proprietária do bazar e papelaria que ficava ao lado da gráfica, era comum encontrá-la entre tipos e provas de serviços gráficos. Viúva aos 59 anos, D. Antonia assumiu o legado do marido junto com sua filha mais velha, Maria Baraçal. Juntas desde então, vêm tocando o jornal e ajudando a escrever a história da cidade.

Vocação política

A vocação política do Estância está em seu DNA. Criado por políticos da época atuantes na cidade, o jornal sempre esteve a serviço da boa política, da verdade, da pluralidade de opinião e especialmente, da ética no fazer jornalístico.

Inúmeras edições estampam na capa momentos políticos do Brasil e do Estado, sem perder de vistas o que ocorria na Câmara de Vereadores de Guarujá.

Momentos políticos como as eleições gerais e municipais mobilizavam muitas páginas, que tradicionalmente traziam anúncios de santinhos eleitorais e também muitos artigos sobre os candidatos e suas propostas de mandato.

Dessa época, tornou-se tradição a editoria de Política, onde os vereadores em mandato destacam os trabalhos que foram apresentados em plenário semanalmente. A coluna é uma prestação de contas de mandato importante para a sociedade e ainda hoje, uma referência política para a população.

 

Maria Baraçal, uma força em movimento

Maria Baraçal

Maria Baraçal, hoje diretora do jornal A Estância de Guarujá, mudou-se de Santos para a cidade em 1988, após a morte de seu pai, Antonio Baraçal, para ‘tomar conta’ do legado construído por ele, para a família. Extrovertida, comunicativa e sem papas na língua, Maria Baraçal soube respeitar o espaço cultivado por seu pai na sociedade santamarense e firmou-se como a arrojada e decidida diretora do jornal A Estância de Guarujá.

Não foi um começo fácil, conta ela, pois junto com a vontade de vencer, vinha o pesar pelo luto com a morte do pai, uma referência na imprensa da cidade. No entanto, com a orientação de sua mãe, D Antonia Baraçal, os desafios foram sendo superados e a empresa jornalística cresceu e se desenvolveu.

“No começo não era fácil. E eu também era idealista, achava que ia consertar o mundo e a cidade. Mas com o tempo fui conhecendo o jogo político e tive que me adaptar. Ou eu me adaptava, ou fechava as portas. E isso minha mãe não deixaria acontecer”, recordou Maria Baraçal.

“Quando eu assumi a direção comercial já tínhamos anunciantes fiéis, mas esses clientes não estavam cobrindo as despesas de gráfica e tive que sair às ruas em busca de novos anunciantes. O tempo foi passando e fomos conquistando novos parceiros. Hoje a luta continua, já passamos por altos e baixos, mas nunca baixei a toalha.”

Nesses 70 anos de jornal, dos quais 32 esteve à frente, Maria destaca que os clientes mais importantes para a saúde financeira do jornal são os governos. Mas destaca que essa sempre foi uma relação ética. “A Prefeitura e a Câmara de Guarujá são parceiros comerciais importantes na história do Estância. O jornal foi, inclusive, órgão oficial de imprensa por mais de uma década e isso demonstra a utilidade da relação entre poder público e a imprensa. E isso não ocorre apenas em nossa cidade e com nosso jornal. Apesar disso, nunca foi difícil manter os anúncios e a independência, pois sempre trabalhamos com a verdade.”

Maria conta que a relação entre o Estância e os prefeitos também influenciaram a linha editorial do jornal. “Eu mantive um bom relacionamento com a maioria dos governos que cobrimos. Em algumas épocas foi perigoso exercer o jornalismo, mas nos adaptamos e conseguimos superar todas as adversidades porque elas fazem parte da caminhada”.

Para encerrar esse registro histórico, Maria falou sobre o futuro do jornal, e está confiante. “O jornal A Estância é um jornal de família e olhando o caminho percorrido até aqui podemos afirmar que evoluímos muito. Na época do meu pai era muito mais difícil e o sacrifício dele para construir as fundações do que somos hoje foi maior. Mas temos certeza de que o sacrifício dele e de todos que passaram por aqui valeu a pena e que ele deve estar orgulhoso do que alcançamos. O Estância vai continuar, pois a nova geração já está chegando aí.”

 

A história de Guarujá em nossas páginas

Antiga sede do Estância, na Avenida Adhemar de Barros

A Estância de Guarujá esteve presente em todos os momentos da história da cidade. Nessas sete décadas de circulação ininterrupta, testemunhamos a sucessão de governos e o que cada um deles construiu de legado para as novas gerações. O intuito da direção sempre foi o de ser grande e relevante para a população de Guarujá e para isso, sempre estampou em suas páginas as dificuldades vividas pelas pessoas que viviam aqui.

A questão do saneamento básico na cidade foi um tema recorrente na primeira metade de nossa história. Naquela época a cidade sofria com o tratamento precário de seu esgoto, e além desse assunto, a mobilidade entre o distrito e a sede, e o apoio as obras sociais de D. Domênico sempre estiveram presentes nos assuntos em destaque.

A travessia marítima também ocupou muitas páginas de nosso hebdomadário. A travessia de barcas em Vicente de Carvalho sempre gerou pautas sobre a precariedade dos serviços e a infraestrutura. Na travessia de carros, a organização das filas e a morosidade não diferem em nada hoje dos problemas daquela época.

Censura

Coluna A Estância do Lar, junho de 1964

A primeira metade da história do Estância também foi marcado pela censura. A redação recebia a visita do censor do governo toda semana e a partir de 14 de junho de 1964, o jornal passou a publicar a coluna “A Estância no Lar”, com receitas culinárias, para preencher o espaço da notícia que foi censurada. A primeira coluna trouxe a receita para cultivar e fazer “Marmelada”. Uma ironia um tanto abusada para o período.

É fato, sempre

Outra importante marca social do jornal A Estância de Guarujá nesses 70 anos de existência é seu compromisso com a cidade e no interesse da coletividade. O jornalismo do Estância sempre denunciou atos irresponsáveis ou ilegais das administrações municipais e do nosso legislativo.

No jornalismo não se briga com a notícia, e o Estância nunca se furtou a noticiar os fatos escabrosos ou vexatórios, que ajudaram a escrever a história de nossa cidade. Essa postura rendeu desafetos políticos com gestores municipais em quase todos os governos. Uns mais do que outros, como na era Rui Gonzalez e Farid Madi.

Sempre pautado pelo jornalismo de fato, o jornal foi processado inúmeras vezes nessas 7 décadas de atuação, mas no balanço da justiça, o nosso jornal sempre esteve com a verdade e foi absolvido. Cabe destacar que os únicos processos que perdeu foi por danos morais, e por causa da charge, e não do fato noticiado em si.

Vereador 16/18

O papel de fiscalizar os atos públicos e dar publicidade a eles é uma das premissas da imprensa, que quando livre de fato, fortalece a democracia e o país. Por isso, a reflexão crítica ao trabalho dos gestores e legisladores da cidade esteve sempre presente em nosso jornal. A Coluna Vereador 16 e Vereador 18, nominadas em referência ao número de vereadores em mandato, traziam a opinião e as críticas de um vereador fictício, o de nº 16 ou 18, sobre os trabalhos apresentados nas sessões legislativas e também sobre assuntos de bastidores da política. Era sucesso e foi uma importante ferramenta de formação de opinião nas décadas de 1960 e 70.

Hoje em dia, a Coluna Micros faz essa função de crítica, entre outras informações gerais da cidade e do país, de forma humorada, mas sem perder a seriedade.

Curiosidade

Na década de 1980 a censura estava mais branda, mas a coluna “A Estância no Lar” continuou a ser publicada porque havia caído no gosto das leitoras, que enviavam cartas à redação sugerindo receitas.

A partir de 1988, Maria Baraçal passa a ser a figura central na condução do jornal e firma-se como diretora comercial do Estância, sendo responsável pela modernização da empresa, inicialmente com a mudança da impressão manual para as modernas máquinas rotativas da Gráfica A Tribuna, e da informatização da redação. Um marco na história da imprensa da cidade de Guarujá.

À frente da gestão do Estância, Maria também conquistou novos parceiros comerciais, atraindo anúncios de grandes empresas da mídia nacional e com isso ampliou a distribuição do semanário, fortalecendo a marca jornalística entre a mídia regional da Baixada Santista e de todo o país.

Colunas sociais

Outra inovação editorial foi a inclusão de colunas sociais, que registravam eventos da sociedade guarujaense. A Coluna Dizem Por Aí ocupava meia página e destacava fotos e fofocas da sociedade em páginas coloridas, um avanço para a época. Pouco tempo depois, a página foi ficando mais profissional e hoje o Estância conta com duas páginas assinadas pelo casal de colunistas José Flávio, radialista, e Rosangela Bozzi, jornalista.

 

Desenvolvimento

Antiga impressora Linotipo

Em se tratando de desenvolvimento, não é de hoje que a cidade e o governo do Estado discutem a implantação da ligação seca entre Santos e Guarujá, revezando a discussão entre ponte e túnel. Aeroporto também é outro ponto que esteve presente em nossas páginas nessas sete décadas. Há muito que o maior porto da América Latina quer contar com esse modal como parceiro e qual lugar seria melhor do que a margem esquerda do porto para oferecer esse equipamento? A questão persiste e o Estância continua acompanhando essa história capítulo por capítulo.

Parque gráfico

Os altos e baixos da cidade e de nossa sociedade sempre foram assunto nas páginas do jornal Estância. Mas a sobrevivência do jornal também passou por seus momentos. As primeiras três décadas do nosso jornal foram marcadas pela escassez de papel jornal, que encarecia o custo da feitura do impresso semanal.

Apesar das dificuldades da época, o foco em levar informação de qualidade e com credibilidade para o cidadão guarujaense nunca foi perdido de vista e assim seguiu, superando as adversidades, e colocando toda semana uma nova edição nas bancas.

Quem conheceu a gráfica na avenida Adhemar de Barros nº 1300 e depois no nº 2925, deve se lembrar do prelo, da minerva e das impressoras Offset que compunham o ‘parque gráfico’ do Estância. Os sons da Linotipo dando forma aos tipos, o cheiro de chumbo derretido e o rugido da offset virando o papel está marcado na memória de quem conheceu.

Entre aspirações e conquistas, pode-se dizer que os primeiros 35 anos do Estância foram vividos com muita energia e transpiração, conquistando as mentes e corações de duas gerações de guarujaenses.

Crise editorial

Os anos 90 foram marcados pelo fortalecimento editorial. O complicado governo de Rui Gonzalez na cidade rendeu um conteúdo absurdo de pautas e os desdobramentos políticos e sociais desse período, outro tanto.

Para quem vive o jornalismo é certo dizer que o Estância viveu os melhores anos editoriais a partir de 1995, quando a produção ganhou mais qualidade com a modernização das impressoras gráficas e a informatização da redação.

O próximo passo foi a conquista da sede própria, e a entrada na era digital, surfando a internet com a divulgação do primeiro site de notícias da cidade e a produção totalmente informatizada.

No início dos anos 2000, o momento político e econômico do Brasil estava mais democrático do que nunca e a liberdade de imprensa imperava no país. O novo milênio trouxe novos formatos de mídia no mercado jornalístico e publicitário, e a internet e as redes sociais começaram a ganhar espaço no cotidiano dos leitores.

Desde então, a luta pela sobrevivência e pela relevância editorial vem sendo uma constante na vida do Jornal Estância. Esse movimento conectado e de crescimento da busca de informações segmentadas pela internet, chegou à cidade por volta de 2004 e foi particularmente interessante para Guarujá.

A conectividade cada vez maior dos leitores iniciou uma crise editorial mundial e seus efeitos logo chegaram à região, suprimindo o fazer analógico dos impressos marginais, que em Guarujá chegaram a uma dezenas, e logo desapareceram do mercado. Hoje, a cidade conta cerca de quatro veículos impressos voltados à cobertura jornalística da cidade.

Curiosidade

Enquanto o mundo se tornava digital nos anos iniciais de 2000, dezenas de jornais impressos começaram a circular na cidade e a dividir com o Estância a tarefa de informar a população e dar voz a nossa comunidade. Apenas dois impressos daquela época ainda circulam.

Novos tempos

Estamos com os dois pés no século 21 e prontos para alçar voos maiores. Os 70 anos do jornal Estância celebra nessas páginas sua história porque o futuro é reflexo de nosso passado. Muito semeamos nessa caminhada e acreditamos no poder do bem e da verdade. Esses continuarão a ser nosso norte.

Graças ao prestígio de nossos leitores e muitos parceiros comerciais, podemos hoje nos orgulhar de ter noticiado ao menos um fato significante na vida de cada cidadão guarujaense, e essa honra é incomensurável.

Edição comemorativa de 70 anos – 27 de setembro de 2019

 


 

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