Opinião As muitas prioridades de uma cidade

As muitas prioridades de uma cidade

A polêmica da semana sobre uma possível atuação do Exército Brasileiro nos dois primeiros dias da tragédia em dois morros de Guarujá, causada pelas chuvas intensas da semana passada, tem sido bastante explorada pelos diversos grupos políticos da cidade.

Para alguns, seria possível salvar mais pessoas se a atuação da comunidade e dos agentes do Corpo de Bombeiros tivesse contado, desde o início das ações, com o apoio de agentes do Exército brasileiro e, por isso, acusam o governo municipal de negligência por não ter aceitado a tropa quando lhe foi oferecido. Nunca saberemos.

O fato é que o prefeito Suman até explicou que pareceres técnicos embasaram todas as decisões tomadas pelo Governo Municipal nesta crise. Mas, infelizmente, há uma parcela da sociedade que prefere acreditar, e propagar, a opinião de pessoas sem qualquer embasamento técnico do assunto.

Nesse cenário, o jogo de acusações contra o poder público, e o show de horrores encenados em vídeos e ‘lives’ nas redes sociais por pessoas com pretensões eleitoreiras para as próximas eleições destacam apenas as vaidades desses grupos. Nem valem tanta tinta.

Nenhum argumento contra ou a favor muda o fato de que a tragédia ocorreu e vidas foram perdidas. Mas é possível olhar para o futuro e cobrar ações que possam prevenir novas catástrofes.

A cidade tem inúmeros desafios e muitos estiveram sob os holofotes nos últimos tempos. Com essa tragédia, o Executivo precisou lidar com outras questões que só mostram o quão prioritários são, quando se precisa deles.

Além do déficit habitacional, o governo precisa buscar soluções para, por exemplo, ampliar o serviço funerário; sanar a saturação dos cemitérios da cidade; sanar a falta de pessoal técnico no Instituto Médico Legal; sanar o déficit de profissionais como assistentes sociais formados e de psicólogos.

A prefeitura de Guarujá fez muito nos últimos 10 dias para gerenciar os desdobramentos da tragédia. Tem apresentado projetos e conquistado recursos para minimizar a situação dos desabrigados e reconstruir as comunidades afetadas pela tragédia.

Num mundo ideal, nosso papel enquanto sociedade seria apoiar as ações e cobrar que esses projetos sejam executados com qualidade e transparência. Mas estamos em Guarujá, e é ano eleitoral. Que Deus não nos desampare e nos livre dos maus.

 


Manifestação
Domingo, dia 15, é dia de manifestações conclamadas por apoiadores do governo do presidente Jair Bolsonaro, a favor do Brasil. Em Guarujá, a concentração acontece a partir das 13hs na Praça das Bandeiras, no Centro. (13/03) Atualização: o evento foi cancelado devido às orientações para prevenção ao coronavírus.

Números
Nesta quinta-feira, a prefeitura de Guarujá anunciou alguns números da tragédia em decorrência das fortes chuvas da semana passada. Só em dois morros da Cidade, deslizaram 128 mil toneladas de sedimentos, o equivalente a 382 dias de coleta de lixo.

Chuvas
O volume de chuvas que caiu sobre Guarujá em apenas 72 horas no início da semana passada é algo sem precedentes nos registros da Cidade: foram 405 mm de chuvas nesse curto espaço de tempo.

Muita chuva
De acordo com cálculos da Secretaria de Meio Ambiente de Guarujá, isso equivale a 58 bilhões de metros cúbicos de água, duas vezes o volume do reservatório da usina hidrelétrica de Itaipu, a segunda maior barragem do mundo, que abastece o Brasil e o Paraguai.

Consequências
Duas das consequências dessa anormalidade foram os deslizamentos em alguns dos 11 morros da Cidade. Só no Morro da Barreira e no da Bela Vista (Macaco), onde ocorreram os principais acidentes, desceu um total de 153 mil toneladas de sedimentos, quase que na totalidade material de origem vegetal, pedras e terra. Isso equivale a 382 dias de coleta de lixo da cidade, em média, ou seja, mais de um ano do serviço. Os sedimentos estão sendo deslocados dos locais de origem, com autorização da Cetesb.

Forças Armadas
Chega a 55 o número total de militares das Forças Armadas para ajuda humanitária em Guarujá. No domingo (8), 15 fuzileiros navais chegaram à Cidade para se juntar aos 30 militares do Exército e outros 10 da Aeronáutica, que desde sábado (7) estão no Município. Todos permanecem na Cidade por tempo indeterminado.

Auxílio
Os fuzileiros da Marinha estão no Ginásio Guaibê com os militares da Aeronáutica. Já o Exército permanece na Escola Municipal Professora Dirce Valério Gracia. Todo o grupo vem ainda realizando as entregas dos donativos às famílias atingidas nas áreas impactadas pela tragédia no Município.

Comando
Com relação aos locais de buscas, onde ocorreram as tragédias, o comando dos trabalhos está a cargo do Corpo de Bombeiros. É ao órgão que compete, também, pela decisão de utilização de maquinários e demais equipamentos na operação. A Prefeitura de Guarujá está à disposição para providenciar todos os suprimentos necessários nesse sentido.

Homenagens
Inicialmente agendada para ocorrer nesta quinta-feira (12/3), a sessão solene em homenagem ao ‘Dia Internacional das Mulheres’ foi adiada para o próximo dia 26/03, às 19 horas.
O motivo do adiamento deve-se aos incidentes ocorridos nos morros do Município, o que demandou alterações no calendário de eventos da Câmara Municipal.

Ajuda
Em Guarujá, a ajuda humanitária às famílias atingidas pela tragédia em decorrência das tempestades que acometeram a Cidade no começo da semana passada é crescente. Um dos trabalhos que vêm sendo realizados é o apoio psicológico, reforçado pelos voluntários da ONG SOS Global e da Cruz Vermelha (em parceria com a Universidade Católica de Santos – (Unisantos), que atenderam prontamente solicitação da Prefeitura de Guarujá e começaram a atuar já no dia seguinte após os deslizamentos.

Estendido
Eles fazem o acolhimento e aplicam técnicas de relaxamento nos profissionais que atuam na linha de frente, também, em trabalho desenvolvido na UPA da Enseada, Bombeiros Militares, Defesa Civil, entre outros pontos. Os psicólogos fazem plantões em locais fixos para acolher a livre demanda, e mantém equipes volantes, que percorrem os locais com maior necessidade ou apontados pela Prefeitura.

Dedé no RenovaBR
Entre 44 mil inscritos em todo Brasil, o empresário Dedé do Adélia foi um dos selecionados, após testes e provas, pelo instituto RenovaBR para participar do melhor treinamento de novos políticos do Brasil. O jovem empresário está se capacitando cada vez mais para concorrer ao pleito deste ano para a principal cadeira da Cidade, a de Chefe do Executivo.

Dedé no RenovaBR II
O RenovaBR é uma iniciativa de renovação política que apoia o surgimento de novas lideranças políticas no Brasil, através da qualificação e formação de quadros. Como exemplo, todos os deputados federais eleitos pelo movimento votaram a favor da reforma da previdência proposta pela governo Bolsonaro.

Lançamento
Reconhecida poetiza e escritora de Guarujá, a autora Neves Maria Marques relança neste mês seu terceiro livro, “A Sombra das Montanhas”, cuja narrativa destaca a importância da preservação da natureza e do planeta. O evento será realizado na próxima sexta-feira, dia 20, às 19h30, no Sindicato dos Funcionários Públicos, que fica na Rua Hipólito do Rego, 82 Jardim Boa Esperança. O evento é gratuito e aberto a todos os públicos.

 

 

Guarujá de forma triste em meio aos holofotes

Não tem como, nossa cidade está em evidência em todos os noticiários nacionais, pois, realmente, essa tragédia que aconteceu foi devastadora, as fortes chuvas levaram pessoas, sonhos e com toda a certeza, deixou o coração de várias pessoas apertado em pleno início de 2020. Quem poderia imaginar que nossa ‘‘Pérola do Atlântico’’ fosse ‘‘lavada’’ por um profundo sentimento de tristeza.
Sem sombra de dúvidas, o Direito imediato que necessitam essas famílias que foram desabrigadas pelos danos das fortes chuvas é o de moradia. Não só necessitam, como são legítimas a receber! Felizmente, houve em nossa cidade uma forte onda de solidariedade, de modo que muitas doações estão sendo feitas e todo o acolhimento de demandas com relação ao cadastro dessas famílias para moradia e auxílios foi providenciado.
Por ora, a prioridade é buscar alimentação e focar em encontrar familiares que ainda possam estar perdidos soterrados. Por ser recente e o número muito grande de desabrigados, devemos aguardar as providências do Município no sentido de decidir qual será o rumo dessas famílias, temporariamente abrigadas em locais selecionados na cidade. Caso não seja dada solução pelo Município, as famílias terão de procurar a Defensoria Pública de nossa cidade para comunicar a situação e exigir os seus Direitos à moradia digna.
Sempre bom lembrar que é dever do Poder Público garantir que as pessoas possam ter uma moradia digna, afinal, ninguém colocaria a própria vida e de sua família em risco, mas, em tempos difíceis como o que estamos vivendo, ter um ‘‘teto’’, de fato é para poucos. Fique atento ao seu Direito!
Beatriz Biancato -Advogada

 


Obviamente temos no momento uma crise, uma pequena crise. No meu entender, muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala ou propaga pelo mundo todo.
Presidente Jair Bolsonaro, sobre a pandemia do coronavírus

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