Em entrevista, secretário de Educação de Guarujá detalha planos para infraestrutura escolar, alimentação, contratação de professores e ensino integral.
Em entrevista, secretário de Educação de Guarujá detalha planos para infraestrutura escolar, alimentação, contratação de professores e ensino integral.
Karina Mingarelli
Da Reportagem
A Educação em Guarujá passa por uma fase de reestruturação. Em entrevista concedida ao Jornal A Estância de Guarujá, o secretário municipal de Educação, Mohamad Ali Abdul Rahim, que assume a pasta pela segunda vez, revelou os desafios herdados da gestão anterior e os planos para transformar a realidade das escolas municipais.
A principal dificuldade encontrada foi o estado precário da infraestrutura escolar. Muitas unidades apresentam problemas graves, como vazamentos, telhados danificados e quadras interditadas.
“Não vamos maquiar os problemas. Nossa prioridade é uma reforma estrutural que realmente resolva as questões, e não apenas paliativos”, afirmou Mohamad Rahim, mais conhecido pelo primeiro nome.
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Para tranquilizar a população, o secretário assegurou que pequenos reparos já estão sendo realizados, enquanto reformas mais profundas ocorrerão ao longo de 2025 e 2026, seguindo os trâmites legais de projeto e licitação.
O orçamento da Educação, estimado em R$ 800 milhões, precisa ser administrado com cautela, pois há restos a pagar da gestão anterior. Para viabilizar melhorias, a Secretaria está buscando recursos estaduais e federais.
“O município historicamente tem dificuldades em acessar essas verbas, mas estamos trabalhando para mudar essa realidade”, explicou Mohamad.
As aulas estão previstas para começar em 13 de fevereiro em todas as escolas, exceto a E.M. Ivonete, que já passava por reformas desde o ano passado. O secretário reconhece que algumas unidades ainda não estarão em condições ideais, mas reforça o compromisso da gestão em melhorar a estrutura ao longo do tempo.
Merendas e rendimento escolar
Outro desafio enfrentado nesse início de gestão foi a merenda escolar. O fornecimento de proteína animal foi suspenso devido a problemas nos contratos da administração anterior e recomendações do Tribunal de Contas.
“O Tribunal de Contas apontou uma série de irregularidades nos processos de compra de proteína animal e de estocáveis [alimentos enlatados], o que nos levou a interromper esse processo, porque se a gente levasse ele adiante, nós estaríamos compartilhando de irregularidades. Por essa razão nós fomos obrigados a ter alguns contratos emergenciais para poder garantir o fornecimento de estocáveis e proteína animal para o início das aulas”.
O secretário informou também que já há gestões para solucionar a falta de pessoal nas cozinhas das escolas. Ele mencionou que a Prefeitura de Guarujá conta com 180 merendeiras no quadro de servidores municipais. Outras 141 estão contratadas via empresas terceirizadas, contratadas por meio de licitação.
Ele também explicou que houve problemas nesses contratos da gestão anterior, o que levou à necessidade de ajustes e novas contratações emergenciais para garantir o fornecimento da alimentação nas escolas no início do ano letivo.
A falta de professores também preocupa. Apesar de o município contar com um número adequado de docentes no quadro, muitos estão em funções administrativas, reduzindo a presença de profissionais em sala de aula. Por isso, a Secretaria avalia a necessidade de novas contratações.
“Não faltará professor em sala de aula. Nosso quadro tem profissionais suficientes, mas enfrentamos um problema de distribuição, porque muitos assumem funções administrativas. Estamos trabalhando para reorganizar essa questão e, se necessário, faremos novas contratações para garantir o atendimento aos alunos.”
Uniformes e materiais escolares
Em relação aos uniformes e kits escolares, o secretário Mohamad Ali Abdul Rahim afirmou que os alunos receberam novos uniformes no final do ano passado, devido a problemas no fornecimento, e que, para este início de aulas, não haverá necessidade de entrega de novos uniformes.
No entanto, a gestão está enfrentando um problema com a falta de estoque, em relação a tamanhos e para atender a novos alunos. A previsão é que a entrega desses materiais aconteça ao longo do primeiro semestre de 2025.
O atraso, explicou, “foi causado por questões administrativas e orçamentárias da gestão anterior, que comprometeram a aquisição desses itens”. A pasta também garante que as escolas não terão falta de material escolar para apoio pedagógico e que, para 2026, o planejamento é para entrega de novos kits logo no início do ano letivo.

Escola Lucimara de Jesus, em Guarujá é uma das unidades previstas para o programa integral. Foto: PMG
Guarujá investe em inovação e ensino integral para 2026
Com pouco mais de um mês de atuação, a Secretaria Municipal de Educação (Seduc) no segundo mandato do governo Farid Madi se dedica a corrigir falhas e promover mudanças estruturais.
O orçamento na pasta da Educação é de aproximadamente R$ 800 milhões. No entanto, Mohamad ressaltou que há restos a pagar da gestão anterior, o que impacta no orçamento atual da Secretaria.
Plataformas educacionais contratadas na última gestão foram descontinuadas, segundo o secretário, por pouca efetividade e por questões administrativas e financeiras. Já as lousas interativas (digitais) seguem em uso e estão recebendo manutenção para a volta às aulas.
A gestão também mantém um olhar estratégico para o futuro. O secretário Mohamad Ali Abdul Rahim busca elevar a qualidade do ensino em Guarujá, enfrentando desafios administrativos e financeiros, mas com projetos de longo prazo que prometem transformar a rede municipal.
Entre os projetos de inovação, destaca-se a ampliação do ensino integral. Atualmente, 17 escolas municipais já adotam o modelo parcial, que combina atividades curriculares e extracurriculares.
A primeira escola integral completa deve ser inaugurada em 2026. Além disso, a pasta planeja a implantação do Instituto Federal de Guarujá e a Escola Tech, que garantirá a ampliação e manutenção de recursos multimídia em todas as escolas da rede municipal.
“Queremos expandir projetos inovadores dentro das escolas, como a robótica educacional. Guarujá já teve iniciativas nesse sentido, como o projeto Lego, que foi realizado na nossa primeira gestão (2001-2004) e premiado na Dinamarca, sede da Lego. Nosso objetivo é oferecer novas metodologias de ensino que despertem o interesse dos alunos e melhorem a qualidade do aprendizado.”


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