Karina Mingarelli
Da Redação
O comércio de Guarujá está em clima de otimismo para o Dia das Mães, celebrado neste domingo (12). A data, considerada a segunda mais importante do varejo brasileiro, só perde para o Natal, e promete movimentar diversos setores da economia local, desde os pequenos negócios até os bares e restaurantes. No entanto, comerciantes de Guarujá estão receosos com o baixo movimento nas lojas nesta última semana.
»» Leia também: Bares e restaurantes esperam movimento 30% maior neste Dia das Mães
De acordo com levantamento do Sebrae-SP, o tíquete médio das compras deve ser de R$ 298, beneficiando cerca de 663 mil pequenos negócios no Estado, sendo 477 mil MEIs e 186 mil micro e pequenas empresas.
Cosméticos, perfumes, roupas, calçados, flores e chocolates lideram a lista de presentes. A pesquisa também revelou que 60% dos consumidores pretendem comprar em comércios físicos, com destaque para os pequenos empreendimentos.
Em Guarujá, o comércio também está sendo monitorado por uma ação especial do Procon, iniciada no fim de abril, em função do aumento no fluxo de consumidores. A operação, que vai até sábado (11), envolve a fiscalização de pequenas lojas e grandes redes varejistas.
Os agentes verificam a clareza nos preços, condições de pagamento, validade de produtos e a exibição do Código de Defesa do Consumidor, principalmente nos setores de perfumaria, vestuário e calçados.
Segundo Thaís Margarido, titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Portuário (Sedep), a iniciativa visa garantir segurança ao consumidor e confiança no comércio local. “A relação de consumo está protegida por lei, e cabe ao Procon garantir que a população não caia em golpes”, afirma.
Já no setor de bares e restaurantes, a expectativa também é alta. De acordo com a Abrasel Baixada Santista, o movimento nos estabelecimentos neste Dia das Mães pode ser 30% maior do que no ano passado. A data é a de maior faturamento para o setor de alimentação fora do lar.
“A gente se prepara com alegria, porque é um dia de muito trabalho, mas também de muito carinho. As pessoas querem tirar as mães da cozinha e proporcionar uma experiência especial”, comenta Guilherme Karaoglan, líder de relacionamento da entidade.
Segundo Luan Paiva, líder institucional da Abrasel, muitos estabelecimentos investem em decoração temática e brindes para encantar os clientes. A tendência regional acompanha o cenário nacional: 78% dos bares e restaurantes devem abrir no domingo, sendo que a maioria espera crescer até 20% no faturamento.
Comerciantes demonstram cautela
Apesar das projeções otimistas do setor varejista, como as divulgadas pelo Sebrae-SP e Abrasel, comerciantes de Guarujá relatam que o movimento está abaixo do esperado na semana que antecede o Dia das Mães. A percepção é de um fluxo fraco, mesmo em regiões tradicionalmente movimentadas da cidade.

No bairro Santo Antônio, a comerciante Neide Leal, proprietária da loja de moda feminina Fios de Algodão, descreve um cenário de incertezas. “Esse ano tá meio paradinho, mas vamos ver. Nos outros anos, essa semana era bem melhor. Não fiz nenhuma promoção nem estoque. Fui deixando pra última hora”.
Em Vicente de Carvalho, polo de comércio de rua da cidade, a situação é semelhante. Para Sandra Salvador, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Guarujá, o cenário preocupa. “O movimento está muito fraco. A gente aposta nas compras de última hora, mas já tem comerciante com dois meses de aluguel atrasado. Precisamos de ações mais fortes para incentivar as vendas”.
No próximo sábado (10), a Prefeitura realiza um evento cultural na Avenida Thiago Ferreira, em Vicente de Carvalho, o “Avenida das Artes” com o objetivo de atrair as famílias para o centro comercial, como já foi feito em datas comemorativas anteriores.
A expectativa é que a iniciativa impulsione as vendas. “Estou apostando que esse evento de sábado traga algum fôlego, mas é preciso mais. Precisamos de muita união, criatividade para atrair os consumidores e ajuda do poder público”, pontua Sandra.
A consumidora Angela Valente, é uma das que prefere o comércio online e destaca os desafios da região. “Sabemos que ao comprar online deixamos o comércio local enfraquecido, mas temos problemas estruturais na cidade que não podem ser ignorados. Falta atrativo, segurança, e muitos têm medo até de andar na calçada. O comércio eletrônico está crescendo, e quem não tem presença online está ficando pra trás”.
A esperança, segundo os lojistas, é que o consumidor apareça de última hora, como costuma ocorrer em datas comemorativas. Até lá, a sensação geral é de apreensão e expectativa por uma melhora súbita no movimento.


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