
Sábado último, duas notícias deixaram este articulista estupefato. Primeiro, a Globo, informando dados de pesquisa sobre as expectativas dos brasileiros para o Dia das Mães, e como era de se esperar, tudo esta caro demais.
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Contudo, mesmo assim, os setores do comércio esperam que os brasileiros gastem cerca de 14 bilhões comprando presentes e, dando assim um incremento maior na economia.
Se juntarmos esta informação com aquilo que a imprensa vem falando sobre o dinheiro desviado do INSS, cerca de 30 bilhões, é de estarrecer o que ocorre na nação do ‘patropi’.
Será que ninguém viu que estava sumindo do bolso dos aposentados uma quantia tão grande e por anos e anos? Deu indignação, nojo, ver os carros que foram confiscados de apenas um dos gatunos que roubaram a grana, tinha até Rolls Royce.
E de repente nós descobrimos que estamos tão desamparados em termos de controle governamental que um bando de indivíduos leva para si, o dobro do que o povo brasileiro pode gastar às duras penas no país, para o Dia das Mães.
Junto desta notícia, a CNN em pesquisa da Atlas, constatou que numa pergunta sobre qual área que o brasileiro acha que o governo se destacou, a resposta de mais de 43% foi, em nenhuma área. Isto é, quase metade do povo acha que o governo não conseguiu se destacar em nenhuma área de sua administração. Então o que foi feito?
Quer dizer que temos ao todo 38 ministérios, incluindo 31 ministérios, 3 secretarias e 4 órgãos com status de ministério. Esses órgãos são responsáveis por áreas específicas da administração pública e são liderados por ministros ou ministros-chefes.
É o maior número de ministérios da história do país, e juntos não conseguiram atender 43% das expectativas de nosso povo. Em tempos anteriores, de maior dignidade, deveriam pedir demissão pela vergonha, mas esta saiu fora da ética da política atual e não só aqui, mas em muitos países do mundo.
Isto sem contar os demais equívocos com o montante de verbas dado aos deputados e senadores, a educação precária, a saúde que capenga, enfim, uma confusão de interesses e desculpas, justificativas lamentáveis, as reformas prometidas que não saíram, e pasmem, o presidente disse que ‘2025 seria o ano da colheita’. Do quê?
Faz tempo que o que estamos colhendo é decepção e amarguras num país que, por graça de Deus, está numa posição geográfica que o qualifica para ser o grande fornecedor de grãos para o mundo todo.
Maior depositário de água potável, reservas grandiosas de petróleo e minerais, e sabe-se lá o que mais ainda existe que nos qualifica como uma promessa de sermos uma grande nação. Quando? E apesar do suor do trabalhador, não conseguimos crescer, não vemos uma distribuição democrática das riquezas e do bem comum.
E para este ano, de tantas promessas, já começamos sentir os ares da campanha de 2026. Antecipar isso, além de desnecessário e cruel para o povo, é fugir das responsabilidades com o agora e inventar pautas com o objetivo de esconder as necessidades atuais do brasileiro atrás de uma cortina de fumaça: a eleição a presidente no ano que vem.
Chega, o descrédito é geral, e vai acumulando o desgaste de um governo desarticulado, que tropeça em seus próprios pés, descompromissado com o nosso país e nossa gente. Pois é, vivemos, de fato, num imenso salve-se quem puder.
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.


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