
Vez ou outra, os fatos, as ideias e os comportamentos nos deixam indecisos, até mesmo quanto à própria vida. Carla Zambelli foi para a Europa. Plínio Marcos teria dito: “Escafedeu-se pelas quebradas do mundaréu.” Pessoas que roubam frango na feira porque não têm o que comer são presas rapidamente.
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O IOF vai, não vai; ia sair, não vai mais. Agora parece que vai, mas sabe-se lá o que será — ou não. Nem Haddad sabe explicar essa gangorra. E as medidas para a economia brasileira continuam no papel.
O técnico Carlo Ancelotti estreia hoje pela Seleção Brasileira, ganhando apenas R$ 5 milhões por mês, segundo levantamento da CNN. Uma pequena quantia a ser acrescida ao seu patrimônio pessoal, que é de 9 bilhões de euros.
Mas eis que surge um empresário, Diego Fernandes, do clã de Neymar (conforme informação do UOL), que foi intermediário das negociações com o italiano, cobrando 1,5 milhão de euros da CBF — ou seja, de nós. E o impasse está aberto.
Enquanto isso, o novo valor do salário mínimo teve um acréscimo poupudo de R$ 106 em relação ao anterior.
Pelas andanças do mundo lá fora, o terror. Ao todo, temos cerca de dez guerras ou levantes acontecendo no globo.
Na Palestina, homens, mulheres, crianças e idosos se pisoteiam na busca de um mínimo de cereal para fazer sopa e alimentar seus filhos — e a si próprios. E não é só: os médicos informam que os materiais hospitalares estão praticamente esgotados.
Israel diz que oferece um corredor para a passagem de alimentos, mas ninguém passa. A fila de caminhões é imensa — só não é maior que a miséria na Faixa de Gaza. E o mundo, a ONU, todos ficam indignados. Mas… providências, cadê?
Tem jogador de futebol que ganha mais de R$ 1,5 milhão por mês — e outros estão numa faixa ainda superior. Enquanto isso, os postos de saúde estão lotados. Falta grana para resolver tudo que precisa ser feito.
Ah, e os roubados do INSS? Está indo… indo… ndo… do… o…! Logo vai virar precatório e ficar parado por décadas.
Daria uma imensa lista de coisas que andam por aí — e aqui — que nos fazem reféns, inoperantes, emudecidos pelo descaso, pelos interesses ocultos. Enfim… tá tudo errado.
Até mesmo a questão do genocídio em Gaza e da guerra na Ucrânia nos deixa aterrorizados. Sou um homem de fé, creio profundamente na bondade divina, mas… será que Ele não está demorando para acabar com isso? Ou será que é assim mesmo?
Nós, aqui neste país abençoado pela generosidade de sua terra e regado pelo suor do trabalhador brasileiro, chegamos a um ponto de desânimo e desesperança.
Quer dizer que, depois de tudo — do tempo, da luta, das dores —, o que está restando é isso aí? Então… por que trabalhar? Não seria melhor tomar? Muitos pensam assim — e a violência aumenta. Não mais apenas nas ruas, agora também nas casas. Não só à noite, agora durante o dia. Não só com adultos, agora também com crianças. Não só contra os mais ricos, agora contra qualquer um.
Então… viver é isso aí?
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.


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