De Agência Brasil
O governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil. A medida, comunicada pelo presidente Donald Trump em carta oficial ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira (9), entra em vigor no próximo dia 1º de agosto e, segundo especialistas, representa na prática o fechamento do mercado norte-americano para produtos brasileiros.
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Segundo o professor Roberto Goulart Menezes, do Instituto de Relações Internacionais da UnB, os impactos podem ser severos. “Vamos ter desemprego no Brasil, queda na entrada de dólares e retração nas indústrias de base. Isso é muito grave”, afirmou.
Setores mais afetados
Entre os principais produtos exportados do Brasil aos EUA estão petróleo bruto, minério de ferro, aço, máquinas, aeronaves e eletrônicos. As medidas podem afetar diretamente empresas como Embraer e Petrobras, que têm grande parte de sua exportação voltada ao mercado americano.
No agronegócio, as commodities brasileiras como café, carne bovina, açúcar e suco de laranja estão entre os itens mais vulneráveis. Com o bloqueio de exportações, especialistas apontam a possibilidade de queda nos preços desses produtos no mercado interno, ao menos no curto prazo.
Balança comercial e efeito político
Apesar da acusação de Trump sobre “relações comerciais injustas”, o fluxo comercial entre Brasil e EUA gira em torno de US$ 80 bilhões anuais, com superávit norte-americano de US$ 200 milhões.
Para o professor Alexandre Pires, do Ibmec-SP, a sanção tem forte conotação política. “É uma tarifa 25% mais alta que a imposta a outros países, com efeitos colaterais diretos do Brics, do STF e da regulação das redes sociais”, afirma.
O momento da decisão coincide com a realização da cúpula do Brics no Rio de Janeiro, o que, para analistas, reforça o caráter geopolítico da retaliação.


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