Coluna: Um lugar onde tudo podeFoto: Arquivo/Agência Brasil

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Coluna: Um lugar onde tudo pode


Já pensou um lugar onde tudo pode? Seria maravilhoso, afinal, todos os sonhos seriam realizados, todas as limitações seriam abolidas, o que não poderia ser feito em outro lugar, naquele poderia. Enfim, seria o paraíso.

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Se você pensa que este lugar não existe, saiba que está enganado. Este lugar existe e seu nome é Congresso Nacional do Brasil.

Interessante é que o lugar não é de ‘propriedade’ de quem lá está. Por isso, o mando da realização das coisas está sujeito à perpetuidade de uma coisa que não é dos senhores que lá estão, mas sim, nosso. E se chama voto.

Que ironia! Justamente aqueles a quem delegamos o poder de realizar nossos sonhos, estão lá para realizar os sonhos de si próprios. E a culpa, lastimavelmente, é nossa, afinal, quem os outorgou fomos nós.

E saibam leitores e leitoras amigas, não há quem mude isso, pois quem faz as leis são aqueles tais que lá estão. E nós ficamos de fora. O Congresso Nacional nestes últimos dias está às voltas com algumas coisas nas quais nós não
teremos nenhuma participação e benefício.

Primeiro, a anistia para perdoar os bagunceiros de 8 de janeiro, e os que a lei condenou, e até os que ainda não foram condenados.

Segundo, acharam uma brecha na lei para permitir que um deputado que não está no país, não trabalha para o povo, fica nos EUA, buscando atrapalhar a vida política e econômica do Brasil, um deputado que está contribuindo para diminuir empregos, enfim, nada de bom está sendo por ele feito, mas seus pares conseguiriam achar um caminho para que o dito cujo não perca o mandato, ganhe o salário e continue fazendo mal ao país.

De fato, lá, tudo pode.

E por último, os que lá estão ressuscitaram uma excrecência da Constituição de 88, o impedimento de que a justiça condene, um deputado ou senador, e a pena possa ser aplicada sem que os demais congressistas aprovem.

Isto é, deputado e senador, se a lei passar, vai poder fazer o que quiser e só poderá ser processado se a Câmara ou o Senado aprovar.

E de quebra, o mais absurdo tapa na cara dos brasileiros, os votos serão sigilosos, ninguém saberá quem libertou o coleguinha de mandato.

Está sacramentado o passe livre para impunidade, a permissão para congressista cometer o crime que desejar e se safar do processo. Afinal, na terra do ‘tudo pode’, a solução sempre é o tradicional jeitinho brasileiro.

Os deputados e senadores brasileiros estão fazendo o que querem há longa data, e o país (instituições e poderes) está olhando e permitindo. Com isso, os tais juntaram aos seus salários verbas extras, benefícios imensos, aumentando substancialmente sua receita mensal. Além disso, aprovaram leis que dão a eles dinheiro para fazer política, atendendo seus redutos eleitorais.

Neste ano, o custo das emendas será de cerca de 50 bilhões. Num país em que falta muita coisa, desde casa própria, saúde, educação, estradas e salário mínimo justo. Então, dinheiro existe, mas só para se fazer política e sai do bolso dos que os elegeram e mais precisam, nosso povo.

Por isso, é que no nosso país, a política não é coisa séria. Como as leis que punem são criadas por aqueles que as desrespeitam, não existe quem possa coibir isso. Por isso, peço com humildade um favor a você leitor amigo. Olhe no fundo do túnel e se você achar uma luz, um relampejo por menor que seja, por favor, me diga.

O endereço é a redação do nosso jornal que ainda mantém firme a sua fidelidade em denunciar o que está errado. Mande informações sobre a luzinha aos cuidados da nossa diretora de redação, ela é pacienciosa e cheia de esperança.

Até com articulista que (às vezes) deixa de mandar sua matéria.

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

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