O Brasil tem potencial para se tornar líder na descarbonização do transporte marítimo, podendo suprir até 15% da demanda global de combustíveis do setor, cortar 170 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano e atrair US$ 90 bilhões em investimentos, segundo relatório da Boston Consulting Group (BCG) apresentado no Brazil Climate Summit, em Nova York.
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O estudo destaca que, como segundo maior produtor mundial de etanol e biodiesel, o país possui escala agrícola, capacidade industrial e até 25 milhões de hectares de terras degradadas que podem ser usadas na produção de biocombustíveis sem competir com alimentos.
De acordo com Arthur Ramos, diretor executivo do BCG, “os biocombustíveis brasileiros oferecem alternativas rápidas, competitivas e escaláveis para reduzir drasticamente a intensidade de carbono das embarcações”.
O relatório também aponta vantagens econômicas: o biodiesel brasileiro (B100) apresenta custo de abatimento de US$ 220-230/tCO2e nos portos nacionais e US$ 280-300/tCO2e em hubs internacionais, enquanto o etanol fica entre US$ 205-210/tCO2e no Brasil e US$ 265-275/tCO2e no exterior.
Para que o potencial se concretize, é necessário fortalecer a regulamentação da IMO, criar incentivos claros até 2027 e avançar na adaptação de motores a metanol compatíveis com etanol.
O BCG ainda estima que o Brasil possa receber US$ 2 a 3 trilhões em investimentos até 2050, considerando créditos de carbono, energia limpa, agricultura sustentável e descarbonização industrial.


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