A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei 1087/25, que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil e reduz a cobrança para salários de até R$ 7.350. A medida, que agora segue para o Senado, pode entrar em vigor já em janeiro de 2026, caso seja sancionada ainda este ano.
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De acordo com a Câmara, o novo formato deve beneficiar 15,5 milhões de trabalhadores e representa uma renúncia fiscal de R$ 25,4 bilhões, cerca de 10% da arrecadação anual do tributo.
Alívio no bolso do trabalhador
Segundo cálculos de economistas, a classe média baixa deve ter um respiro mensal de R$ 350 a R$ 550, em média, valor que poderá ser direcionado principalmente a consumo e pagamento de dívidas.
Exemplo: quem recebe R$ 5 mil terá um alívio de R$ 312,89 por mês (R$ 4.067 ao ano). Já salários de até R$ 7.350 terão descontos proporcionais.
Justiça tributária e impacto econômico
Especialistas apontam que a medida reduz desigualdades e estimula o crescimento econômico. Para Luiz Gonzaga Belluzzo, economista da Unicamp, “a aprovação assinala o caráter distributivo do sistema tributário e interfere na desigualdade de renda”.
Pedro Rossi, também da Unicamp, destaca que a medida é um avanço, mas cobra maior taxação dos super-ricos e redução de impostos indiretos.
Compensação e tributação dos mais ricos
Para compensar a perda de arrecadação, o PL prevê cobrança adicional sobre rendimentos tributáveis acima de R$ 600 mil ao ano, o que atinge cerca de 141 mil contribuintes de alta renda.
Atualmente, trabalhadores pagam em média 9% a 11% de IR sobre seus ganhos, enquanto esse grupo de maior renda tem carga efetiva de apenas 2,5%.
Setor produtivo dividido
Enquanto entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC) reconhecem a correção da defasagem e a justiça social da medida, há preocupação quanto ao impacto na competitividade e possíveis efeitos inflacionários.
Para a CNI, a medida pode incentivar o consumo, mas precisa ser acompanhada de políticas que não pressionem a inflação, hoje em 5,13% ao ano, acima da meta de 4,5%.


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