Coluna: Uma triste marca tupiniquim

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Coluna: Uma triste marca tupiniquim

Não faço crônica esportiva nesta coluna. Não faço porque não sei o suficiente sobre o esporte- rei a ponto de comentá-lo com propriedade. Sou apenas um apaixonado como todo brasileiro praticamente é. Contudo, os mais de 60 anos de torcedor me conferem o direito de expressar aqui algumas palavras. E, sinceramente, são palavras de profunda decepção.

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O futebol arte que encantou o mundo desde 58, e depois por todas as demais copas do mundo que vencemos, gradativamente está indo para o esgoto. Meus queridos eleitores acham a palavra pesada demais? Pois bem, não é.

Vamos começar pelas arbitragens. Não levanto aqui suspeitas, embora já tivéssemos tido o exemplo maléfico do árbitro Edilson Pereira de Carvalho, um ex-árbitro de futebol brasileiro que ganhou notoriedade por sua participação no escândalo da Máfia do Apito, um esquema de manipulação de resultados em 2005 que abalou o futebol nacional.

Prefiro me ater à incapacidade técnica dos árbitros brasileiros, mesmo alguns daqueles que ostentam galhardamente o distintivo da FIFA no peito. Os erros são bisonhos. Ademais, a impressa esportiva é useira e vezeira em fazer comentários sobre árbitros que espantam os conhecedores do esporte.

Para a crônica esportiva, tem árbitro que dá mais cartão; tem outros que dão menos; tem árbitros que entendem pênalti de um jeito, outros de forma diferente (esta instabilidade acomete inclusive o VAR); tem árbitros que permitem mais contato, outros menos.

Enfim, qual é a regra? Ela não é a mesma sempre, falta é falta, pênalti é pênalti, como uns entende isto ou aquilo conforme acham mais adequado. O bordão de Arnaldo Cézar Coelho: “a regra é clara” não existe mais. Escureceu de vez. As leis se adaptam a cada apito na boca dos senhores árbitros e a confusão se estabeleceu.

Ademais, a permissibilidade dos árbitros chegou ao limite máximo. Qualquer jogador reclama: das faltas, grita com o árbitro; jogadores pedem cartão contra o agressor, em qualquer marcação contra seu time atletas envolvem o árbitro e o pressionam. A passividade do dono do apito aceita tudo isso.

Tenho saudades do Arnaldo Marques. Com ele ninguém falava nada. E por quê? Simplesmente porque ele sabia o que fazer e não se deixava intimidar. Outra coisa, os presidentes da CBD são pusilânimes. Lembro-me de João Havelange. Com ele, pau era pau e pedra era pedra. Foi por isso que ele chegou à presidência da FIFA, pela coerência e pulso firme.

Hoje, parece que a presidência da CBD é um cargo político, onde se presta favor a todos os clubes importantes com medo de sair do cargo.

Como se isso não bastasse, o que me entristece sobremaneira, é que os craques brasileiros, estão no exterior. Os clubes da Europa e Emirados Árabes levam os bons e nós importamos os não tão bons e achamos que são craques.

Contudo, a média dos que ficam aqui é suficiente para serem achados excepcionais pela crônica esportiva. Frente a um bando de pernas de pau, pipoqueiros que bate uma bolinha é craque. Isto infla o ego do jogador, que passa a jogar com o nome e não mais com a bola.

O custo disso tudo é que a folha de pagamento dos grandes clubes está alta demais. Só que o resultado apresentado apresenta baixíssima relação de custo / benefício. E não me venham dizer que estou errado. Em São Paulo, à exceção do Palmeiras, cuja fonte de recursos parece ser infindável (nem todo clube tem uma holding como Crefisa, uma financeira, a Placar Linhas Aéreas de transporte aéreo e a Crefipar, que administra a Arena Barueri, além
da Faculdade das Américas – FAM a seu dispor).

Os demais grandes times do estado estão pessimamente ranqueados na tabela do Brasileirão. Corinthians, São Paulo e Santos, amargam uma pífia participação no campeonato. No Rio, a exceção é o Flamengo, mas os demais times de ponta estão mais bem posicionados: Fluminense, Vasco e Botafogo

Contudo, existe a participação excepcional do Mirassol. Um time de cidade pequena do interior de São Paulo, que na sua primeira participação no Brasileirão, figura na 4ª. posição, dando a ele condições de entrar direto na Libertadores da América.

Ora, talvez uns 6 ou 7 jogadores do São Paulo, por exemplo, ganham mais do que a folha inteira do Mirassol e recentemente o poderoso time do Morumbis sofreu uma acachapante derrota de 3 x 0.

Isto só é possível porque há jogadores que ainda jogam com o coração no bico da chuteira. São jovens que não se valem do nome porque não o tem, assim, o que lhes resta é suar a camisa, dar o sangue e se valer apenas do seu próprio futebol.

E como era antes? Os famosos jogavam com o nome? Pelé era meia-boca quando entrava em campo, Maradona, Ronaldinho, Messi e tantos outros suavam a camisa em qualquer situação ou partida, dando um exemplo espetacular de como um atleta deve se comportar para fazer valer o que se investe e o que se espera dele.

Na verdade, o glamour do futebol vem se perdendo ano a ano para nós, brasileiros. É como uma marca tupiniquim que nos infecta, tudo neste país está sendo como nunca foi. Educação, saúde, corrupção, falta de segurança, moralidade despencando, etc.

E agora, perda de qualidade até no futebol, que há algum tempo era orgulho nacional. Ah, meu Brasil, que tanto amamos! Por você a gente, o povo simples e torcedor do futebol, ainda sofre pancadas no lombo, para que tanta gente viva na abundância desregrada.

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão

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