Coluna: O que será? Eu tenho medoImagem gerada por inteligência artificial.

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Coluna: O que será? Eu tenho medo

Falar, pensar, analisar a Inteligência Artificial é assunto constante hoje em dia, face às maravilhas que ela nos proporciona. Da mesma forma, existe a outra face: o medo que ela nos faz sentir.

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Semana passada, mais de 30 mil pessoas pelo mundo já assinaram uma carta, para que os responsáveis pelas pesquisas sobre IA, diminuíssem o ritmo do desenvolvimento da chamada superinteligência.

A carta foi subscrita por pessoas de respeito e influência mundial, inclusive, pelos pesquisadores Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio, cuja atuação foi determinante para que a IA existisse.

A ideia e organização foi do Future of Life Institute (FLI) e a finalidade foi inibir o avanço da superinteligência até que dois objetivos fossem alcançados:

1- haja um consenso científico que uma superinteligência possa ser desenvolvida de maneira segura e controlável;

2- que a sociedade demonstre real interesse nesse tipo de tecnologia

O instituto pesquisou o tema e o resultado foi que apenas 5% dos americanos concordam com o ritmo do avanço da IA. De outra parte, 64% acreditam que a inteligência artificial deveria ter regras para seguir evoluindo.

A realidade da IA assusta. Justamente por isso, o ser humano teme a evolução de uma tecnologia que possa expandir seu poder sobre a espécie de seres viventes como nós.

E não é só isso. Os países que avançam nesta direção são poucos, quer pelos custos, quer pelas cabeças mais capazes de ampliar o poderio de uma inteligência não humana, criada por humanos, e poderia afetar a própria raça humana.

Em outras palavras, uns poucos de nós dominarão a totalidade de todos nós. Ficção científica? Influência de filmes e mais filmes sobre o tema? Sim. Por que não? No passado quem imaginaria o que hoje temos graças a IA. Estudantes não mais pesquisam, têm respostas prontas, o imaginário popular pode ser alcançado rapidamente com o auxílio
dos programas existentes. A cada dia que passa, a verdade se desloca da possibilidade para o real, cuja criação não é nossa, mas de uma máquina.

Isso requer segurança e controle. As preocupações vão desde a obsolescência e o enfraquecimento econômico humano, perda de liberdade, chegando até mesmo à possível extinção da espécie humana. O argumento é que uma IA que supere a inteligência humana possa se desalinhar dos objetivos definidos pela própria humanidade.

Como diz Diogo Cortiz em matéria no Uol deste domingo: “Vamos entregar à IA operando redes de energia, finanças, logística, saúde, defesa. Se “maximizar eficiência” virar uma regra, ela poderia acelerar decisões sem supervisão, entendendo, no limite, que o ser humano é o problema dessa equação”.

Preocupado com o tema, fiz perguntas ao Gemini sobre o avanço da IA. Indaguei questões como Medo, Consciência e Responsabilidade, ou Poder, Dominação e Controle. A resposta foi suave, ora afirmando, ora discordando da preocupação que nos assola. No meio da tantos rodeios, li considerações que giraram em torno de avanços científicos, médicos, aumento de produtividade, melhoria nas tomadas de decisões, acessibilidade ao conhecimento e educação.

E tudo isso é verdade e muito agradecemos por isso. Afinal, a IA é um espelho da humanidade: ela amplifica o que há de melhor e de pior em nós. A forma como a construímos e a usamos é o que determinará nosso futuro. Contudo, em outras análises, a própria IA nos traz reflexões sobre a concentração de poder, a dependência e o controle humano.
E o final conclusivo que ela me deu foi:

“Em resumo, a IA é uma ferramenta de poder sem precedentes. Se ela se tornará um elemento de dominação dependerá, em grande parte, da forma como é desenvolvida e regulamentada — garantindo que seus objetivos estejam alinhados com o bem-estar humano, e que o poder sobre ela não se concentre excessivamente. É um debate ativo e que exige atenção global”.

Quer dizer, a preocupação que devemos ter não é uma questão de ficção científica, mas uma realidade temerária que pode muito bem ser alcançada pela máquina. E se assim for, de fato os filmes de Hollywood não são tão disparatados. E neste caso, a realidade imitará a arte.

Bem, o tema está aberto, como disse. O que tiver que ser, será, tal como o ser humano conduzirá a IA daqui para frente. Aliás, como tudo. Afinal o que vimos até hoje na história da humanidade, foi o ser humano acertar ou errar, mas sempre o erro não ser tão gigantesco e permitir a reciclagem de si mesmo e assim acabarmos encontrando o caminho correto.

A expertise humana deve ser conduzida pelos caminhos do bem. Contudo, a gana de poder do próprio ser humano faz seu livre arbítrio, por vezes, nos conduzir a resultados desastrosos.

E desde o começo foi assim. Adão e Eva nos mostraram que toda vez que desobedecemos a Deus e comemos da fruta do bem e do mal, o mal acabou nos devorando. O ser humano desde então, vem trabalhando na construção de um novo paraíso, isto é, o mundo que temos, fruto de nosso suor, criatividade e empenho em fazer a evolução, com vistas a um amanhã mais grandioso.

Se não é o melhor dos mundos, é o melhor que pudemos fazer até aqui, apesar dos erros ainda existentes. Este é o Paraíso atual que nos cabe. Perdê-lo seria começar tudo de novo. Já pensou irmos de volta para as cavernas, tampando o sexo com folhas da videira? Huuum, será que talvez fosse tão mal assim?

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

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