
“Todo mundo, mais cedo ou mais tarde, senta-se para um banquete de consequências” Robert Louis Stevenson.
Recebo pelo WhatsApp a mensagem acima e começo dar tratos à bola. De fato, as consequências virão. Na doutrina kardecista, se não nesta vida, na próxima. Contudo não precisa ser tão demorado assim.
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Tempos atrás, o assunto do retorno foi uma febre que se espalhou pelo mundo. Só se falava na tal Lei do Retorno. Livros, filmes, palestras encheram os veículos de propagação de ideias num ritmo avassalador. Muitos “gurus” enriqueceram com palestras motivacionais.
Cada ser humano, passou a refletir sobre a vida pregressa de modo a imaginar o que poderia lhe ocorrer. Ou então, valia esperar que a vida retornasse a cada qual aquilo que por ventura ele tivesse feito de bom.
Creio que aconteceram exemplos, mas logo, quando não se obtinha o esperado, a referida lei foi se desgastando aos poucos e hoje é um rasgo de lembrança, se é que ainda persiste. Contudo, enganam-se aqueles que acham ser o retorno algo que não acontece. Na verdade, se não houver retorno, de que então vale a prática do bem?
Não que esperamos um bem de volta, quando fazemos o que é correto por índole, por uma necessidade interior de ajudar, melhorar o próximo e o mundo à nossa volta. Esta atitude é de cada qual, e não se espera retorno por isso.
Mas ela virá.
Os místicos afirmam que o universo conspira a favor daqueles que se dedicam à prática do bem, do produtivo, do que constrói, do que auxilia.
Isto está ligado diretamente à vida que se escolhe viver. O prêmio desta conduta é um bônus que pode até não ocorrer, mas somente o fato de fazer o correto já proporciona satisfação em todas as almas que decidiram por atuar positivamente na comunidade onde vive.
Por isso, a justiça divina, sabedora destas ações beneméritas, sabe como recompensar aqueles que se dedicam a esta tarefa.
Vemos isso quando voluntários se entregam nas mais diferentes instituições gastando tempo , e dinheiro às vezes, no ato de praticar a caridade. Não se trata de ações materiais, mas de doação pessoal.
Contudo, a mensagem de Robert Louis Stevenson acima, nos possibilita pensar quando as consequências não forem a retribuição de uma bondade, mas o retorno penoso da prática do mal.
Isto nos atira diretamente ao tema do momento: as facções, as milícias que principalmente vimos ocorrer no Rio de Janeiro, embora outras já se enraizaram no nosso país e até fora dele.
Sim, haverá, mais cedo ou mais tarde, as consequências que virão para equilibrar a balança dos créditos e débitos de cada um. Muitas vezes nesta vida mesmo, e quando não, fatalmente na vindoura.
Porque não é aceitável as mortes, a maldade enfim, que se pratica. E pelo que vimos, nem mesmo o Estado está livre disso, porque até nações têm o seu carma – é uma crença oriental antiga e que até hoje nunca deixou de se cumprir, uma vez que tudo que se atira volta, desde o bem, como disse antes, e, principalmente, o mal.
Vale a pena pensar sobre o que estamos vendo neste mundo de violência. Mas também pensar em nós mesmos, afinal, qual será o carma daquilo que fazemos. Ninguém está isento do retorno que nos cabe.
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

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