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Coluna: Entre idas e vindas

Parece uma gangorra. A política brasileira é a mais surpreendente de todo o globo terrestre. E por que não dizer: a mais difícil de se entender. Isto porque ela não tem lógica, ou se a tem, para nós, seres normais, ela se apresenta indecifrável.

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Já em outras oportunidades, nesta mesma coluna, falei sobre a política brasileira. E o que mais me espantava era que ela tinha uma ética própria, cujas condutas fugiam dos padrões normais.

Era como se ela tivesse vivesse dentro de uma lógica especialíssima, entendível apenas pelos seus players. E, cada vez que nos atrevemos a entendê-la, somos surpreendidos pelo inusitado, entretanto, sempre ilógico.

Nestas duas semanas então, estamos vivendo o surreal. A ponto de um presidente de assembleia legislativa de um estado importante ser preso pelo Judiciário e o Legislativo o absolver. Quem julga e condena, então?

De outro lado, candidato à presidência fala em disputa acirrada, e o orgulho de ter sido indicado, mas pondera que pode haver um preço para desistir da própria campanha (sic). A interferência entre os poderes da Federação chega a níveis impensáveis.

O Legislativo reclama que o Judiciário invade seu espaço. E aí, o Legislativo anula sentença do Judiciário. Enquanto isso, o Executivo, sem bancada, leva vetos de um Legislativo que se posiciona como opositor. No entanto, o Executivo continua mantendo o pacote de emendas conforme o Legislativo deseja.

Afinal quem está com quem, ou quem é contra quem? Ninguém sabe mais nada, porque, como sempre, a lógica da política segue uma ética própria.

Agora está prevista a votação de uma nova dosimetria de pena, a qual o próprio relator diz que uma pena de 27 pode ser reduzida a 2 dois anos. Nada contra em termos de simpatia ou antipatia para o apenado, ou partidarismo, mas de 27 para dois é muita insanidade. A diferença é proibitiva.

E, para finalizar, como se não bastasse esse imbróglio, na sessão de terça-feira última, na sessão da Câmara dos Deputados em Brasília, um deputado prestes a ser cassado, sentou na cadeira do presidente, negando-se a sair, e a casa virou um pandemônio.

O parlamentar foi retirado à força pelos deputados e pelos membros da polícia legislativa. Agarrado pelo pescoço, acabou indo parar no serviço médico da Câmara, junto com deputadas agredidas, além de jornalistas retirados do recinto e impedidos de entrar para documentar o ocorrido.

Um tumulto inaceitável numa casa que a todo instante fala em democracia e zelo pela lei e ordem pública, e que deveria ser bom exemplo e cada vez faz o contrário. Neste caudal insano, seguimos nós, os normais.

Afinal, formamos o último bastião. Somos o grupo do povão que vive respeitando a velha e boa ética, somos a turma do amor pela terra e pela brava gente brasileira, e por isso não fugimos da luta. Afinal, faz parte do nosso Hino e nós, pelo menos, não nos esquecemos disso.

Mas, convenhamos, a cada dia fica mais difícil.

O governo antecipou uma informação “confortadora” para nosso povo sobre o salário mínimo. Vale analisar aqui.

O salário mínimo em 2025 foi de R$ 1.518. O governo informou que para 2026 seria de R$ 1.627, mas, depois de estudos profundos (!) percebeu que podia aumentar mais. E passou para R$ 1.631 (uns poupudos R$ 4,00 a mais – que vergonha). De 2025 para 2.026 o aumento será de R$ 113,00, R$ 3,77 ao dia. Bravo!!!

E última notícia vinda diretamente da Câmara federal na madrugada de quinta-feira. Os dois deputados que seriam cassados foram apenas suspensos. Um, tirou da Câmara um pacífico ativista de direitos humanos aos tapas e pontapés que lhe disse algumas verdades, ocupou a cadeira da presidência e foi um escândalo sua retirara. A TV mostrou amplamente.

A outra, condenada pela justiça, fugitiva, presa no exterior, e que andou com arma em empunho nas ruas de São Paulo.

Pelo jeito, deputado e senador tudo podem. O espírito de corpo dentro da política é muito grande. É a ética política, cujos valores todos sabemos quais são. Eles se protegem, quando deveriam proteger primeiro a todos nós, seus eleitores que deram a eles o direito de serem políticos em prol da comunidade que os elegeu.

Por isso, a cada dia mais pensamos naqueles em quem votamos, e se a escolha foi correta; a cada dia mais estamos vendo as dificuldades crescerem, mas só para nós e nunca para eles, os players da política nacional.

Porque entre as idas e vindas da nossa política, cada vez mais nós é que ficamos à deriva.

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

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