Coluna: O ano começa depois do CarnavalEspetáculo “Brasileiríssimo” tem entrada gratuita e reúne samba e MPB em Cubatão. Foto: João Salles | Riotur

HomeColunas>Só Para Pensar – Sergio Trombelli

Coluna: O ano começa depois do Carnaval

É costume se dizer no nosso país que o ano começa após o Carnaval, e creio que é isso mesmo. Até os festejos de Momo, tudo caminha em passo de tartaruga, mas depois que a última escola de samba termina o seu desfile na Sapucaí, todos curam a ressaca, descansam da folia e aí, a vida no Brasil acontece.

»» Leia também: Coluna: Hoje é Carnaval!!!

Assim, nem bem a quarta-feira de cinzas deu luz ao dia, o governo em Brasília mostrou a que veio, afinal, 2026 é tempo de eleição, e, com isso, tudo e mais um pouco está liberado.

O Presidente, antes de mais nada, viu a si próprio na passarela do samba do Rio de Janeiro, subiu no Força Aérea 1 nacional e se mandou para a Índia; de lá, vai para Coréia do Sul, e se surgir mais um convite neste entremeio, voará de pronto para aqui, lá, acolá. E assim vai o
Brasil, descendo a ladeira.

Deixou aqui a bagagem: sancionou o aumento dos servidores federais em Brasília, além de  outros tantos benefícios. Mais dinheiro para menos trabalho. Além disso, Lula deixou por aqui uma bagagem incômoda: a repercussão da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, homenageando a si próprio. Foi algo jamais visto. Um oportunismo
eleitoreiro cujas consequências ainda não sabemos quais poderão vir.

A Acadêmicos de Niterói desfilou exaltando o Presidente da República com o seu nome cantado em uníssono, o número do seu partido, slogans políticos de campanhas anteriores. E como disse acima, em ano eleitoral.

O Presidente dançou no camarote, foi assediado por políticos, participou da aclamação. A avenida foi transformada em imenso palco político. Lula foi aclamado, xingado, mas mostrado no Brasil inteiro pelas redes de TV. O palhaço Bozo foi usado como uma alusão ao presidente anterior, inclusive com carros alegóricos ofensivos.

Contudo, a maior ofensa veio através da gana petista de ódio aos conservadores, sendo elevada ao extremo. Numa das alas, famílias tradicionais foram representadas dentro de latas de conserva. Dentre elas grupos sociais de fazendeiros, evangélicos, produtores rurais, mulheres ricas e militares.

Enquanto um homem era exaltado, cristãos eram ridicularizados.

Esta conduta é incompatível com uma democracia séria. Isto implicaria, em muitos países do mundo, penas severas ao presidente. Mas aqui, a força política se sobrepõe ao que é justo e desejável.

As pesquisas tem mostrado Lula à frente de todos os candidatos, tanto no primeiro como segundo turno. A posição do presidente é cômoda. Não era necessária uma manifestação tão grosseira como esta.

As consequências já começaram a chegar. Pelas informações, Lula teria dado recursos financeiros a cada escola de samba, e consequentemente, também à Acadêmicos de Niterói, que o homenageou. Isto quer dizer que a escola recebeu recurso governamental para agradar o chefe governamental do país. E como isso fica?

Pois é, a vida começou depois do Carnaval, ou até antes, durante o desfile das escolas de samba na Sapucaí.

Agora o que vamos esperar é pelo desdobramento desta conduta do governo federal. A imprensa internacional comentou o fato e não foi unânime a favor da atitude do presidente. Vamos ver qual será a interpretação do fato.

Contudo, o mal já foi feito para os demais concorrentes à presidência. Ou será que …

Talvez o presidente tenha dado um tiro no pé. Depende de como o povo vai encarar esta atitude de uso indevido de uma propaganda eleitoral extemporânea. Porque aí, pode ser que ele começará a tropeçar na caminhada eleitoral que parecia estar ganha.

É aguardar para ver.

Em tempo: A Acadêmicos de Niterói foi a última colocada e rebaixada para o segundo grupo. Curioso, o que será que os jurados não gostaram nela?

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

COMENTÁRIOS

Abrir bate-papo
Olá 👋
Podemos ajudá-lo?