
Fala galera louca por churrasco, eu sou o Paizão e este aqui é sim o nosso querido Canal Barbaecue, diferente do YouTube na sua forma de falar com vocês, porém com a mesma essência e paixão, somos loucos por churrasco.
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E por falar em churrasco, hoje é dia de falar de grande parte da minha vida, ou melhor da vida do Rodrigo e não só do Paizão .
Há lugares que visitamos para conhecer, e há lugares que visitamos para nos reconhecer. Para muitos, Olímpia é a “Capital Nacional do Folclore” ou a “Terra das Águas Quentes”, um destino turístico vibrante no interior de São Paulo que atrai multidões.
Seus parques termais e festivais coloridos são famosos em todo o país. Para mim, no entanto, Olímpia é muito mais do que um ponto no mapa.
Olímpia é, acima de tudo, lar. É o solo onde meu pai se criou, o cenário das minhas primeiras memórias de infância. É o refúgio para onde meu coração sempre aponta quando a rotina aperta. Neste final de semana, mais uma vez, as malas estão prontas. O destino é o mesmo de tantas outras vezes, mas a expectativa é sempre renovada.

Parece que é a minha primeira viagem a cada nova partida. Frequento essa cidade desde que me entendo por gente, levado pelas mãos do meu pai.
Lembro-me de correr pelas ruas que ele um dia percorreu quando era apenas um menino das primeiras rodas de música, regadas a muita moda de viola e muito churrasco. Ouvia atento as histórias de uma Olímpia de outros tempos, mais pacata e silenciosa. Mas mesmo naquela época, a cidade já pulsava cultura em cada esquina.
Essa conexão hereditária transforma cada rua em um álbum de recordações vivo. Visitar Olímpia não é apenas fazer turismo ou aproveitar as águas termais.
É um exercício de ancestralidade, uma forma de manter vivas as raízes que me sustentam. Aqui na Baixada Santista, o mar é meu horizonte, mas Olímpia é meu alicerce. Falar de Olímpia sem mencionar o folclore seria como descrever o Guarujá sem falar do mar.
A cidade ostenta com orgulho o título de Capital Nacional do Folclore. E não é para menos, pois a cultura respira em cada habitante daquela terra.
O Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL) é um espetáculo de resistência cultural. Em 2026, o evento chegará à sua memorável 62ª edição, unindo gerações. O Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna” torna-se o epicentro de um Brasil profundo.

Grupos de todas as regiões do país se encontram para celebrar o que temos de mais autêntico.É impossível não se emocionar com as cores vibrantes dos ternos de reis. A batida rítmica do catira e a força do maracatu ecoam por toda a cidade. O cotidiano transforma-se em poesia popular durante os dias de festa.
O Museu de História e Folclore “Maria Olímpia” é outro guardião dessa memória preciosa. Caminhar por seus corredores é mergulhar em lendas, trajes e instrumentos antigos. São peças que contam a história de um povo que não esquece suas origens.
Mas a cultura de Olímpia não está apenas guardada em prateleiras ou palcos. Ela está no modo de vida simples, na hospitalidade generosa do povo olimpiense. E, claro, uma das maiores expressões dessa cultura está presente na mesa.
Se há algo que define o sabor desse reencontro familiar, esse algo é o churrasco. O churrasco em Olímpia tem um ritual próprio, quase sagrado para nós. Não é apenas uma refeição para saciar a fome; é um momento de comunhão. É o instante em que a família se reúne sob a sombra de uma árvore ou na varanda.
As histórias do passado são recontadas e o tempo parece, finalmente, desacelerar. Seja em um dos excelentes restaurantes da cidade ou no quintal de casa, o prazer é o mesmo. Olímpia hoje oferece uma gastronomia de alto nível para atender aos seus milhares de turistas. Mas o cheiro da carne na brasa feita em casa é o perfume oficial das minhas visitas.
É em volta da churrasqueira que as risadas ganham corpo e os laços se estreitam. O churrasco olimpiense tem aquele gosto inconfundível de interior e de fartura. É um acolhimento que nenhuma outra cidade consegue replicar da mesma forma.
Enquanto preparo a partida para este final de semana, sinto aquele frio na barriga. É o sentimento característico de quem sabe que está voltando para o seu porto seguro. Sei que encontrarei uma Olímpia moderna, que cresce a passos largos com seus resorts.

Vejo os novos parques e as atrações internacionais que transformaram a paisagem. Mas sei também que encontrarei intacta a Olímpia do meu pai, a Olímpia das raízes. Encontrarei o folclore vivo nas pessoas e o churrasco fumegante na mesa dos amigos.
Para o mundo, ela pode ser apenas a famosa Capital Nacional do Folclore. Para os turistas, um paraíso de águas quentes e diversão garantida. Para mim, será sempre o lugar onde encontro minha essência e minha história, minha família.
Olímpia está “logo ali”, no coração e na estrada que me leva de volta para casa. Até a volta, com a alma lavada e o coração transbordando de novas memórias!
Um ótimo churrasco a todos!
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Rodrigo ‘Paizão/Barbaecue’ é jornalista e criador de conteúdo digital com mais de 191mil inscritos em seu canal no youtube e mais de 70 mil seguidores em suas redes sociais.


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