A cada 10 minutos, pelo menos um adolescente entre 10 e 19 anos registra algum episódio de autoagressão no Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O levantamento, feito com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), indica que a média diária de atendimentos chegou a 137 casos nos últimos dois anos, incluindo violência autoprovocada e tentativas de suicídio.
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A SBP destaca que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação, principalmente em atendimentos da rede privada e em escolas. Por isso, o acolhimento e a escuta atenta por parte de pais, responsáveis e educadores são essenciais.
O acompanhamento pediátrico também tem papel preventivo, permitindo identificar sinais de alerta, como tristeza persistente, abandono de atividades prazerosas, episódios de autolesão, envolvimento em situações de risco e falta de expectativas para o futuro.
Serviços de apoio podem ser procurados em Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde, UPAs 24h, hospitais, e pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) – 188, que atende gratuitamente 24h por dia com sigilo absoluto.
Em números absolutos, o Sudeste concentra quase metade das notificações, com destaque para São Paulo (24.937 registros). O Nordeste vem em seguida, liderado por Ceará e Pernambuco, e o Sul por Paraná. No Centro-Oeste, Goiás e Distrito Federal registram os maiores casos, enquanto no Norte Pará e Tocantins aparecem à frente.
O levantamento mostra que, em 2023 e 2024, 3,8 mil adolescentes foram hospitalizados por autoagressão. Além disso, cerca de 1 mil jovens de 10 a 19 anos morrem por suicídio todos os anos no país, sendo a faixa de 15 a 19 anos a mais afetada.
A SBP alerta para fatores de risco, como impulsividade, baixa autoestima, solidão, acesso a meios letais e estigma relacionado à saúde mental. O mês de setembro, dedicado à prevenção do suicídio, reforça a importância de atenção, diálogo e acompanhamento contínuo de adolescentes.


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