
Ainda é cedo para avaliarmos a COP30, afinal ela vai até dia 21 de novembro e como as coisas aqui no Brasil acontecem rapidamente e de forma a nos surpreender, vamos esperar até seu final para termos uma ideia definitiva do que ela realmente trouxe de positivo à humanidade.
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Até agora, fatos inusitados nos deixam estupefatos, mas, como disse acima, no Brasil tudo pode acontecer. Isto porque, mais uma vez a narrativa política se sobrepõe aos fatos reais. Ao mesmo tempo em quo presidente Lula discursava contra os combustíveis fósseis, o governo brasileiro autorizava a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, uma incoerência disparatada.
De outra parte, para hospedar delegações, uma vez que o pessoal em Belém aumentou tanto os preços das diárias dos hotéis, querendo antecipar o Natal em grande estilo, foram contratados dois imensos navios movidos a diesel. O gasto em combustível varia entre 120 e 150 litros por hora, o que, para 24 horas, equivaleria de 2.880 a 3.600 litros por dia.
Assim, basta fazer uma multiplicação simples para se ver que o consumo por navio poderá chegar a 42.300 litros. Como são dois, lá se vão 86.300 litros de poluição pra estar numa COP que justamente combate este tipo de combustível altamente poluente.
Como tudo foi feito de afogadilho, a infraestrutura improvisada também teve problemas. Banheiros ficaram sem água, centros de apoio sem ventilação adequada, transporte público insuficiente.
Se estas coisas podiam ser até escamoteadas dos noticiários, as reuniões plenárias não, e todos viram via TV o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues interromper o Presidente da França Macron para pedir um tradutor simultâneo, o que já deveria estar com cada participante que não falava francês.
O ambientalismo de Lula foi o do microfone, e não da floresta. Inclusive para dizer que se não tivesse havido a COP de Paris em 2015, a temperatura da terra já teria subido 5 graus centigrados. Uma pasmaceira que nem mesmo institutos não idôneos teriam a coragem de dizer. Seria bom que o presidente dissesse de onde tirou esta informação.
De 138 chefes de estado que participaram da COP 28 e dos 70 que participaram na COP 29, em Belém estão participando 18. Nas demais delegações vieram representantes, o que torna estas delegações sem nenhuma representatividade, porque o que se irá assinar aqui não será feito pelo chefe de Estado.
Para a imprensa não alinhada ao poder, a COP já está sendo apelidada de FLOP 30. A questão do clima atinge diretamente o agro negócio, nada mais, nada menos do que a fonte primária de nossas exportações e receitas internacionais. O que desagrada este segmento da economia brasileira.
Aliás, vale lembrar alguns dados matemáticos. Da área total do planeta Terra ,71% é de oceanos, 29% representa os continentes. Destes, 16% são terras geladas ou desertos. Sobram 13% e dentro disto 6% estão as cidades onde habitamos e os campos agrícolas, ou seja, se o ser humano tem, algum poder para mudar alguma coisa, é o microclima de onde ele vive, porque em 94% do nosso planeta no temos acesso de maneira nenhuma.
E com este 6% apenas, aqueles que habitam na Terra, ao longo do tempo, construíram o desenvolvimento que alcançamos até agora. O que não foi pouca coisa.
Assim, as narrativas negacionistas que nos estão interpondo acabam se tornando uma forma de impedir o desenvolvimento, estancar o progresso e dificultar o avanço global no sentido de proporcionar uma vida melhor, mais confortável e com alimentos para o ser humano.
Vale a pena pensar sobre isso.
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão


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