Coluna: A voz do povoFoto: Hermes de Paula / Agência O Globo

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Coluna: A voz do povo


As manifestações feitas espontaneamente pelo povo em todo o Brasil na semana passada mostraram algo que há muito não se via no Brasil. Aqueles, como este articulista, que participaram das manifestações pelas Diretas já, e lá vão anos, com certeza se emocionaram como eu.

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O que fez o regime militar de então cair por terra, a despeito das grandes lideranças democráticas que participavam, foi de fato a voz popular. Manifestações com um milhão de pessoas como ocorreu no centro de São Paulo são exemplos vivos de que, quando o povo se faz valer, as coisas mudam não só no Brasil, mas em todos os países.

E neste 2025, o que vimos foi o povo sair nas ruas, sem comando e coordenação de partidos políticos, sindicatos, ou igrejas, mostrando que a sua vontade estava sendo desprezada, no que o Congresso Nacional se curvou.

A legislação que estavam querendo aprovar, criando uma casta de pessoas que viveriam acima da lei foi definitivamente sepultada. Da mesma forma, a questão da anistia começou a claudicar e hoje só se fala em dosimetria das penas da lei – outro desrespeito que provavelmente não prosperará.

Nem sempre os políticos, embora todo o poder que possuem, vencem, e constantemente perdem quando o povo se impõe. Pena que seja muito raro.

A representatividade que o Congresso possui, isto é, os eleitos pelo povo, que os escolheu como seus representantes, teme quando o desagrado se manifesta de forma concreta, e melhor ainda, pessoalmente, como vimos no último domingo, sobretudo nas capitais mais importantes do país.

Historicamente, desde a Revolução Francesa, quando o povo ao som da Marselhesa caminhou pelas ruas de Paris para a tomada da Bastilha, e assim acabar com os desmandos da nobreza, o embate final de todas as contendas político-sociais até hoje é marcado pela manifestação direta do povo.

Naquela época na França os princípios magnos de igualdade, liberdade, fraternidade pairam no ar e no inconsciente coletivo. Mitos acham que é uma utopia, cuja concretização nunca irá acontecer.

Acontece que a força política do povo nas ruas vale mais que um milhão de palavras, ou melhor, um milhão de súplicas, almejando que todos sejam iguais perante a lei, que a liberdade seja estendida a toda gente e a fraternidade seja entendida realmente como o princípio divino de que o ideal é fazer aos outros aquilo que desejaria que lhe fizessem, a fraternidade assim existira.

Que a prática continue. Torne-se, se possível, um hábito porque muitas vozes, dizendo sempre que “O Brasil é de todos nós”, quem sabe, os surdos, fingidos e acomodados, no Congresso, acabem ouvindo.

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

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