Coluna: Agora, quem pode nos salvar?

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Coluna: Agora, quem pode nos salvar?

O escabroso caso do Banco Master, mais do que ser o maior escândalo bancário da história do Brasil, como afirmou Fernando Haddad, Ministro da Fazenda do país, trouxe para nós problemão ainda maior: a desconfiança do STF.

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Os senhores ministros não estão falando sobre o caso, a não ser em off, pelo que nos informam os repórteres das mais importantes mídias do país. O presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, cujo caráter é exemplar não
teve outra atitude a tomar a não ser sair em defesa do próprio Tribunal.

Talvez não tenha percebido ele que, em defendendo o Tribunal, sem atinar sobre a opinião pública , acabou colocando ainda mais em dúvida a credibilidade do Supremo.

Posto que o ministro Toffoli não pode, de forma nenhuma, ser o relator do processo do Banco Master, haja vista seu comprometimento com a pessoa de Daniel Vorcaro e sua família.

E por que isso tudo aconteceu? Porque o ser humano não tem limites quando se trata de seu próprio prazer e interesse.

Artimanhas financeiras sempre existiram e existirão, não só aqui, mas em todos os países do mundo. Isto é, a oportunidade se apresenta, ou é criada pelas mentes mais competentes, tal como no caso da Odebrecht. Assim, cabe ao ser humano a consciência do que é criminoso e dominar seu ímpeto.

Temos vivido longo tempo onde a corrupção campeia e temos uma legislação permissiva que raramente pune, de forma exemplar, aqueles que são corruptos. Muitas vezes já se disse que a corrupção existe porque existe o
corruptor.

Não punindo quem merece, paira uma sensação de impunidade que assola o mundo político de Brasília. As emendas parlamentares, as inversões e prioridade para que o orçamento não contemple os necessitados que precisam e nada podem fazer, para contemplar os que não necessitam e tudo podem fazer para si próprios.

Desta forma, a facilidade de beneficiar sempre os mesmos se ampliou, ampliou e assim foi caminhando até a exaustão, chegando ao Master cujo escândalo envolve o Judiciário, o Legislativo e o Executivo nacionais, em suma, o
comando total do país.

No passado, na década de 1960 – o dia não é exatamente lembrado – o diplomata brasileiro Carlos Alves de Souza Filho, que era embaixador do Brasil na França à época disse a um jornalista que “O Brasil não é um país sério”.
Não se sabe como, mas a frase foi publicada e atribuída à Charles de Gaulle … e assim passou para história como sendo o general francês o autor da afirmação.

Nosso descrédito, que deveria ser trocado pela ética, embora tenha, às duras penas, vez ou outra, nos apresentando ao mundo como um país sério, nunca se pôde bater o martelo sobre isso.

Contudo, agora com este caso e seu desdobramento (até Lewandowski está envolvido) confirma que não somos sérios mesmo, desde 1960, isto é, quase 70 anos depois continuamos sendo um país de brincadeira.

E dentre as brincadeiras, aquela do “bobinho” na roda dos jogadores de futebol, o povo tem sido o bobo que a cada quatro anos acredita que os políticos brasileiros se tornaram mais sérios.

É lugar comum dizer que se fosse uma pessoa do povo, a suspeita de uma roubalheira desse tamanho seria suficiente para um julgamento, mas é bom deixar registrado para mostrar que tudo está como antes no jardim de Abrantes, no Brasil, onde os poderosos ditam as ordens e se favorecem mutuamente.

Vamos aguardar que a ética, o bom senso, prevaleçam e o STF seja de fato nosso guardião da lei. E da justiça. Porque se o Supremo também conduzir este caso desrespeitando a legalidade, ou encontrar um jeitinho brasileiro e
reinterpretar a lei, estaremos totalmente desamparados.

E aí sim, realmente, quem pode nos ajudar?

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

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