
Segunda-feira última, entro numa farmácia em Santos para procurar um remédio, o Besilato de Anlodipino, usado para combater a pressão alta. Não vou aqui citar o nome da farmácia e nem a marca do remédio que costumo comprar.
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Apenas ressalto que a marca de minha preferência é tradicional de um laboratório conceituado e conhecido, além do que o remédio é excelente e capaz de normalizar minha pressão.
Como não havia o medicamento da marca que eu desejava, o atendente, com muita gentileza, ofereceu-me uma outra marca que, “por coincidência, estava em promoção”.
Curioso, embora sem querer comprar, perguntei o valor. A resposta foi estarrecedora: na promoção R$ 3,00 com 20 comprimidos. Fico imaginando que tipo de medicamente pode custar este valor.
Sinceramente, este não é sequer o preço da embalagem; imagine-se, ainda mais, o valor medicinal que os comprimidos poderiam conter. Quem sabe possa ser uma subvencionada pelo governo, o que faria o preço ser simbólico — o que poderia salvar a impressão negativa do seu valor, invalidando esta minha indignação.
Contudo, pesquisei e não vi subvenção alguma deste nível, então, volto a pensar, o que pode curar uma droga que custa R$ 3,00?
Este meu estranhamento pode não ser algo que valha uma matéria de jornal, caso seja este medicamento e este preço algo contumaz à venda em farmácias.
Contudo, fico imaginando que há instituições que compram medicamentos para as suas farmácias e quando forem licitar um pedido alto um laboratório como este poderá entrar com o valor citado acima que fatalmente venceria a com concorrência. Restando apenas se pesquisar o custo/benefício.
E mais, se este besilato cura, como pode custar tanto mais os demais besilatos de marcas diferentes? Se há como custar tão pouco, fica difícil a justificativa daqueles que vendem o produto por até oito vezes mais caro?
Há sempre a dúvida. Como será a qualidade de produção, ou a eficácia do princípio ativo destes remédios que custam um mínimo em dinheiro?
Muitos idosos, com o salário exíguo da aposentadoria, ficam satisfeitos em encontrar medicamentos por um preço pra lá de compensador e casos de doenças crônicas.
Pessoas mais antenadas com o mundo moderno – bem, diferente do mundo de antes, vivido pelos idosos – estão mais aptos a raciocinar sobre esta questão de valor e talvez não se enganem tanto.
Seja como for, devemos acreditar que algo possibilitou esta ação de mercado, para que fiquemos mais tranquilos sobre como no Brasil estas coisas podem acontecer.
Por convicção, sou um otimista nato nas coisas boas, mas dentro da forma de pensar o otimismo de Ariano Suassuna: “Eu sou um otimista cujo pessimismo se ajunta. Otimismo sem pessimismo é alienação”. Bem colocado, imortal Ariano.
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.


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