
Esta não é uma matéria sobre as estratégias de campo do esporte-rei, o futebol. Não me interessa, neste momento, perscrutar o que há na intimidade esportiva da bola, isto é, fazer uma espiral para dentro e esmiuçar técnicas de jogos e vitórias.
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Meu objetivo aqui não é desvendar os segredos táticos ou as fórmulas para o sucesso nos gramados, mas sim olhar para o fenômeno do futebol sob uma perspectiva mais ampla, que revele suas profundas conexões com a vida. Ao contrário.
Como em tudo, um olhar diferente sempre vê algo além do que se apresenta aos olhos preguiçosos, que para os mais atentos não se deixa escapar.
Muitas vezes, estamos tão imersos na superfície dos acontecimentos que perdemos a oportunidade de enxergar as camadas mais profundas do significado das coisas. É preciso uma atenção especial para captar as nuances e os ensinamentos que a vida, em suas diversas manifestações, nos oferece.
Seja na resiliência de um atleta, na cooperação de uma equipe ou na paixão de uma torcida, o futebol, assim como outras áreas da nossa existência, é um palco rico para lições valiosas. A chave para transformar experiências cotidianas em aprendizado.
Neste sentido, o futebol nos dá grandes lições, e este espetacular evento que foi a primeira Copa Mundial de Clubes de Futebol, patrocinada pela FIFA, nos deixa, além da saudade do futebol arte, ensinamentos que não podemos fingir que não vimos.
A emoção dos jogos, a superação dos atletas e a união das torcidas transcenderam o mero espetáculo esportivo, revelando verdades universais sobre o esforço, a dedicação e o verdadeiro espírito competitivo.
Há tempos, o futebol vem ganhando espaços gigantescos na mídia internacional. Craques da bola viram técnicos, narradores, comentaristas e com isto se mantêm na mídia e ajudam a ampliar a audiência, e com ela mais “grana” entra nos cofres das emissoras e dos “promoters” de espetáculos.
Essa simbiose entre esporte e mídia transformou o futebol em uma máquina de entretenimento e negócios, capaz de gerar bilhões e influenciar culturas ao redor do globo. A figura do jogador transcende o campo, tornando-se uma marca, um influenciador e um ativo valioso para o universo midiático.
Campeonatos, não só no Brasil, mas em todo o mundo são transmitidos pela TV, a ponto de existir torcedores fanáticos por times estrangeiros, ou então, jogadores da França, da Inglaterra, da Espanha e outros países se tornam ídolos para a garotada brasileira amante do esporte, seja lá onde for.
Essa globalização do futebol quebra barreiras geográficas e culturais, criando uma comunidade de fãs interconectada, onde a paixão pelo esporte supera fronteiras. A facilidade de acesso aos jogos e a disseminação de informações sobre ligas e jogadores estrangeiros intensificaram essa idolatria global.
Camisas de times estrangeiros com o nome de craques da bola do mundo inteiro gravado nas costas. Há um futebolismo jamais visto no ar, nas telas, nos campos, na vida. Essa explosão da cultura futebolística é visível em todos os lugares, desde a moda até as conversas cotidianas.
O futebol não é apenas um jogo; é um estilo de vida, um tópico constante nas redes sociais e uma parte integrante da identidade de milhões de pessoas. Sem contar as Bets, com propaganda, investimento em times, em jogadores, há um mundo independente e mais que suficientemente rico que permeia o futebol. Inclusive com ricaços
internacionais comprando times inteiros, por paixão ao esporte e ao dinheiro.
A entrada massiva de capital, impulsionada por casas de apostas e investidores milionários, transformou o futebol em um mercado de altíssimo valor. O esporte atrai não apenas torcedores, mas também grandes fortunas, que veem nele uma oportunidade de retorno financeiro e de projeção pessoal.
Mas ali, no campo, a despeito de salários milionários de jogadores, há uma arena onde valores importam. Nesta “guerra sadia” em busca do gol, há “soldados” cujo valor transcende em muitos dos atletas que atuam nas quatro linhas.
Apesar de toda a pompa e do dinheiro envolvido, o gramado ainda é o lugar onde o mérito, o esforço e o caráter são postos à prova, revelando a verdadeira essência do esporte.
Daí tirarmos lições que precisam ser contadas, porque heróis, seja qual for a “batalha” deixam marcas indeléveis nos torcedores, e seus exemplos precisam ser ressaltados porque os jovens hoje os têm como modelos de vida e de sucesso.
É fundamental destacar que nem todo “sucesso” é medido em cifras; muitas vezes, são os gestos de fair play, a garra inabalável e a dedicação incansável que realmente inspiram e moldam o caráter de futuras gerações.
Por isso, vale quanto o dinheiro pode comprar. No campo, o talento e a vontade muitas vezes superam o poder financeiro. Um time com menos recursos, mas com mais união e determinação, pode surpreender e vencer gigantes. O dinheiro pode montar grandes equipes, mas não garante a vitória ou a paixão genuína.
A humildade, o trabalho duro e o respeito pelos adversários e companheiros de equipe frequentemente se destacam mais do que a fama momentânea. A verdadeira admiração vem do caráter e da integridade, não apenas dos holofotes.
A imprevisibilidade do futebol nos ensina que a persistência é fundamental. Um jogo só termina quando o árbitro apita, e até o último segundo, há chance de virada. Essa lição se estende à vida: nunca desista antes do fim.
O amor pela camisa supera a falta de habilidade e de dinheiro. A paixão e o compromisso com o time, colegas e com os torcedores podem impulsionar atletas a performances que superam suas limitações técnicas ou financeiras. É a força do coletivo dando a certeza de pertencimento que faz a diferença.
E foi isso que vimos neste mundial. Claro que nos encantamos com os times, as jogadas, os dribles os gols, mas isto termina após os 90 minutos.
A lição de vida é a que fica. O amor pela camisa, a persistência, a superação do mais fraco, a humildade, o trabalho constante de aprimoramento são coisas que nem sempre o dinheiro pode comprar.
Tomara que nossos jovens tenham tido a inteligência necessária para perceber isso e incorporar valores através da bola, mas indo além dela. São lições de vitórias e de vida que fazem o “beabá” do sucesso.
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão


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