
Semana passada, o UOL trouxe uma matéria interessante (e preocupante), mostrando que aquilo que todos sabiam, mas nem sempre queriam acreditar, de fato aconteceu. A chinesa UBTECH, produtora de robôs de alta performance, entregou o seu primeiro pedido em grande escala a ser utilizado na indústria para trabalho contínuo.
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O fato é inusitado em todo o mundo. Conforme o UOL “A repercussão internacional incluiu dúvidas sobre a autenticidade das imagens. Parte do público questionou se o vídeo havia sido manipulado, segundo o The Sun, que ouviu o especialista Brett Adcock sobre possíveis sinais de edição digital. A UBTECH negou qualquer alteração e divulgou fotos de funcionários ao lado dos robôs para reforçar que o material é real”.
Para confirmar, o UOL traz imagens dos robôs alinhados, executando movimentos simultâneos, o que garante a autenticidade das máquinas. O modelo Walker S2 tem sistemas de inteligência embarcada. O robô tem mecanismos
potentes para executar tarefas industriais, como movimentos de precisão, levantamento de cargas e manipulação de objetos.
Segundo o documento técnico da UBTECH, o Walker S2 foi projetado para operar com módulos de IA embarcada, realizando inspeções, transporte interno e atividades de apoio em linhas produtivas…
A matéria informa que a UBTECH descreve a máquina como um robô desenvolvido para a “próxima era da manufatura inteligente”, integrando funções de apoio direto às linhas produtivas… Pois bem, até aqui ficamos com o fato em si, jornalisticamente exposto.
Contudo, apesar de um avanço da ciência, sem precedentes dentro da história da indústria, o fato merece profunda atenção. Os robôs estão programados para o trabalho contínuo de 24 horas por dia, sem interrupção, exceto em caso de alguma avaria.
Pela descrição da UBTECH, fica claro que a IA excedeu as expectativas. Antes se falava que UM operário seria substituído por UM robô. Pela descrição do produto, nas 24 horas, o robô pode substituir TRÊS operários, o que significa uma economia gigantesca para a empresa, mas um desemprego em massa da população operária, cujo destino ainda não foi preocupação de ninguém, pelo menos é o que consta.
Todos nós temos esperanças de que o ser humano saberá encontrar caminhos para não fazer com que a modernização não penalize demais o próprio ser humano. Vale lembrar que sempre foi assim.
Quando os teares foram inventados, os operários da indústria têxtil invadiram as fábricas para quebrar as máquinas, pois ela significavam desemprego em massa. Contudo, isto se acalmou gradativamente e novas frentes de trabalho
foram surgindo, advindas da própria evolução industrial.
Entretanto, antes nada foi tão radical como está sendo projetado o desemprego como agora. Cabe, portanto, aos governos começarem a pensar em alternativas para o que seria um problema social sem precedentes.
É bom frisar que muito das pesquisas sobre a IA foi feito com dinheiro público. De nada adiantaria o aumento da produção à custa do desemprego, por um motivo bem simples: operário sem emprego não compra.
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão


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