
Rotas do Dragão

Foto: Portal Guarujá
No extremo leste da Ilha de Santo Amaro, o mapa desenha o que conhecemos como o “Rabo do Dragão”. É ali, isolada pelo Morro da Armação, que resiste a Prainha Branca. O destino é um dos últimos redutos da cultura caiçara
autêntica em Guarujá. Para o turista, um paraíso de águas claras e natureza bruta; para o morador, é um solo sagrado de tradições que sobrevivem ao tempo.
»» Leia também: Coluna: O lado intocado de Guarujá
O acesso já define a experiência. Uma trilha de aproximadamente 20 minutos (com aclives que desafiam o fôlego) separa o asfalto da vila. Quem atravessa o morro não encontra apenas uma praia. Encontra um modo de vida onde o som do mar dita o ritmo e a preservação ambiental é a regra de sobrevivência.
A centenária Folia de Reis: uma imersão cultural

Foto: PMG
Se a Prainha Branca encanta pela paisagem, é na sua fé que ela revela sua força. Entre hoje (09/01) e domingo (11/01), a comunidade celebra a Folia de Reis Caiçara, uma manifestação que atravessa nove décadas de história.
Originada nos anos 30, a tradição é um dos marcos mais profundos da identidade de Guarujá.
A família Ledo atua como a guardiã histórica dessa expressão. Mesmo após desafios como a pandemia e a perda de antigos mestres, a Folia renasce sob a liderança das novas gerações.
O coletivo, hoje guiado pelo filho do antigo mestre, mantém vivos os instrumentos tradicionais, as cantorias de casa em casa e os Ternos de Reis que ecoam pela madrugada.
A celebração da Folia de Reis não é apenas um evento para assistir; é uma experiência para vivenciar com respeito.
Nos dias 09 e 10 de janeiro (sexta e sábado), a partir das 23h, o grupo realiza a tradicional visita aos moradores. Os
cânticos dedicados aos Reis Magos atravessam a noite, despertando os lares com devoção e arte.
O ápice ocorre no domingo, dia 11. Às 10h, a Capela Nossa Senhora Imaculada Conceição recebe o grupo para uma apresentação aberta durante a missa. Logo após, o cortejo ganha as ruas da vila e encerra as festividades no
Boteco do Pássaro.
É o momento em que turistas e moradores se unem para celebrar a continuidade de uma herança que se recusa a desaparecer.
Apoiar a Folia de Reis é garantir que Guarujá não perca sua digital cultural. A Secretaria de Cultura e a Sociedade Amigos da Prainha Branca reforçam a importância deste resgate histórico. O objetivo é claro: incentivar que jovens e
crianças ocupem seus lugares nos Ternos de Reis, garantindo que o “Dragão” continue cantando por mais um século.
Check-list para o Visitante Consciente
Acesso: A trilha começa ao lado da travessia de balsas Guarujá – Bertioga.
Respeito: Lembre-se que a Vila é uma comunidade residencial. Durante a Folia, mantenha o silêncio e respeite os momentos religiosos.
Lixo: O que você leva você traz de volta. A preservação da trilha e da praia depende do seu descarte correto.
Apoio local: Consuma no comércio da vila. Isso fortalece a economia da comunidade caiçara.
Tatiana Macedo é jornalista.


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