
Minhas leitoras e meus leitores, eu sempre desconfiei, mas não tinha certeza. Que existia um Papai Noel em Brasília é fato conhecido por toda gente, mas que ele fosse tão generoso, ah, isso eu não sabia.
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E olha, não é um Papai Noel comum, que com um saco de brinquedos vai promovendo o sorriso nas crianças da capital do país. Não. Nem é, igualmente, um Papai Noel que sai distribuindo cestas básicas, cestas de remédios aos sofredores pela fome ou pela doença que habitam o solo brasiliense. Isso não.
Esse Papai Noel de Brasília é exclusivo do Congresso Nacional. E como disse no título, é generoso, na verdade, por demais.
Para este ano, os senhores congressistas, Deputados Federais e Senadores, abiscoitarão de presente natalino, nada menos do que R$ 61 bilhões. Dinheiro vindo dos impostos suados dos trabalhadores do Brasil, como dizia Getúlio Vargas na abertura de seus discursos.
O presente será dado ao longo de todo o ano que vem, mas a maior parte até antes das eleições, pois se destina a atender pedido dos senhores parlamentares que precisam distribuir o numerário nas diferentes cidades onde sua base eleitoral existe, de modo a que o povão se lembre deles na votação deste ano que logo começa, para a manutenção de seus mandatos.
Isto é, eles pegam o nosso dinheiro, usam para se elegerem e continuam ganhando por terem sido eleitos, enquanto nós, que produzimos a riqueza do país, o executivo nos tributa demasiado para atender à gana eleitoral de poucos.
Afinal, os mais de 200 milhões de brasileiros servem, de bandeja, a 513 deputados e 81 senadores, 594 pessoas apenas.
Ora vejam só, isto é que é presente de Natal. Se fizermos a divisão per capita, dá um presentinho de aproximadamente R$ 102.693.602,70 para cada parlamentar. Uau! Que Papai Noel, hein?
E lá se vão mais presentes ao judiciário e ao executivo do país. O orçamento da nação para este 2026 é de R$ 2,3 trilhões, suor nosso. Caramba, como trabalha esta família imensa chamada de brasileiros para produzir tanto!
São números assim que nos fazem desacreditar que não existe dinheiro para a saúde, a segurança, melhores salários, habitação, melhores escolas, enfim, será que não daria para a vida dos brasileiros ser melhor?
Tenho certeza absoluta que sim.
O bem público, a riqueza pública, nasceram batizadas com sobrenome: público. Isto é, não se destinam a poucos, mas a todos, principalmente àqueles que ajudaram, com suor, a construir os bens e produzir as riquezas.
Há algo de errado com esse Papai Noel generoso e injusto. O duro é que ele tem o trejeito daqueles que por ele serão presenteados.
Bem, é a vida brasileira de antes que se repete no agora, no agora, no agora… Uns ganhando presentes até de PIX, outros, ganhando tapinha nas costas e a velha ladainha – fique firme, um dia melhora.
Enquanto isso, tocamos, vamos em frente porque atrás vem gente – é vida que segue, como se costuma dizer por aí, por aqui, por lá, por todos os cantos deste imenso Brasil.
Seja como for, nosso Natal também terá um Papai Noel, mais modesto, mas nem por isso menos importante. E com a simplicidade de cada brasileiro, do jeito humilde, mas feliz como sabemos comemorar o nascimento de Jesus.
E vamos sorrir, nos abraçar, nos irmanarmos, porque nosso Natal tem a alma daqueles que amam este país, por isso é mais do que emendas parlamentares.
Bom Natal a todos.
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.


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