
Fala galera louca por churrasco, eu sou o Paizão e este aqui é sim o nosso querido Canal Barbaecue, diferente do YouTube na sua forma de falar com vocês, porém com a mesma essência e paixão, continuamos loucos por churrasco. E por falar em churrasco, hoje é dia de falar da nossa tão esperada viagem à Romênia este ano que é cercada por incertezas.
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Escrever sobre o que amamos é sempre um desafio, mas hoje escrevo com um nó na garganta e uma incerteza que me aperta o peito. Estamos nos aproximando de maio, o mês em que o aroma da brasa cruza o oceano e nos chama de volta à Romênia para o Grillfest BBQ.

Este seria o meu terceiro ano consecutivo participando da maior experiência de churrasco da Europa, mas, pela primeira vez, sinto que essa viagem pode escorregar por entre nossos dedos. A sensação de que podemos perder essa oportunidade é real e assustadora.
Olho para trás e lembro com um carinho imenso das minhas duas últimas idas. Foram momentos de aprendizado, de amizades forjadas no calor do fogo e de uma troca cultural que transcende a gastronomia. Nas edições anteriores, o cenário mundial já era de extrema tensão.
Lembro-me de caminhar pelas ruas de Bucareste enquanto os noticiários ferviam com os avanços do conflito entre Rússia e Ucrânia. Mais recentemente, a dor dos confrontos entre Israel e Palestina também pesava no ar, trazendo uma sombra de incerteza sobre a segurança e o futuro. E, no entanto, a vida seguia com uma força impressionante.
Para nós, brasileiros, que vivemos em um país de dimensões continentais e relativamente distante desses epicentros de crise, a sensação de proximidade com a guerra pode ser assustadora e paralisante. Mas estar lá me ensinou algo precioso sobre a resiliência do povo europeu, principalmente do leste europeu.
É algo incrível, quase indescritível. Eles não ignoram a dor, mas não permitem que ela paralise a existência. O churrasco, para eles, torna-se um símbolo de resistência, um momento de comunhão onde as diferenças se dissipam e a celebração da vida prevalece sobre a sombra do medo.
Nos textos que escrevi anteriormente para esta coluna, tentei transmitir cada detalhe do que vivemos lá: as técnicas ancestrais, os cortes diferenciados e a paixão que une churrasqueiros de todo o mundo. Agora, a expectativa para este terceiro ano é ainda maior. Imagine o que podemos aprender e compartilhar após duas edições de tanto sucesso!
O terceiro ano promete ser ainda mais incrível, consolidando nossa presença brasileira nesse palco internacional de forma definitiva. Contudo, a realidade bate à porta com uma força que não podemos ignorar. Organizar uma expedição desse porte exige recursos, logística impecável e, acima de tudo, um apoio sólido que muitas vezes nos falta no momento crucial.
A possibilidade de não estarmos lá em maio me dói profundamente, não pelo evento em si ou pela festa, mas pelo que ele representa: a nossa voz, o nosso tempero e a nossa bandeira fincada em solo europeu. Perder essa viagem seria interromper uma história que está apenas começando a ser escrita com o vigor da nossa brasa e a determinação do nosso povo.

A resiliência que vi nos olhos dos europeus agora precisa ser a minha. Precisamos acreditar que os caminhos se abrirão e que, apesar das nuvens carregadas no horizonte global, o fogo do Grillfest voltará a brilhar para nós. O churrasco é vida, é superação e é, acima de tudo, a prova de que mesmo em tempos difíceis, a humanidade encontra motivos para se reunir em torno de uma mesa, compartilhando o pão e a carne.
Que venha maio, e que o destino nos permita honrar, mais uma vez, esse convite que tanto nos orgulha e nos motiva a seguir em frente, contra todas as probabilidades. A cada dia que passa, o calendário parece correr mais rápido. As passagens, as parcerias – tudo parece estar em um equilíbrio delicado.
Mas a memória das edições passadas me dá forças. Lembro-me do calor da Arena Nacional em Bucareste, do som das facas cortando carnes nobres e do riso franco de quem entende que o fogo é a linguagem universal da amizade. Não podemos deixar que essa chama se apague por falta de fôlego.
Este terceiro ano é o nosso marco, a nossa prova de fogo. Portanto, deixo aqui este desabafo e este apelo. Que a nossa paixão pelo churrasco seja maior do que qualquer obstáculo. Que a resiliência que tanto admirei lá fora floresça aqui dentro, nos dando a coragem necessária para lutar por essa viagem até o último segundo.
O Grillfest BBQ nos espera, e nós não podemos, de forma alguma, faltar a esse encontro com a história e com a nossa própria essência de churrasqueiros brasileiros.
Um ótimo churrasco a todos!
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Rodrigo ‘Paizão/Barbaecue’ é jornalista e criador de conteúdo digital com mais de 191mil inscritos em seu canal no youtube e mais de 70 mil seguidores em suas redes sociais.


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