
Eu conhecia esta história. Só havia me esquecido dela até, há alguns dias, uma live no TikTok me fazer lembrá-la. Não sabemos se foi verdade ou não, mas por que não acreditar? A sua significação reforça a ideia que temos até hoje sobre a vida neste mundo e no próximo.
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Alexandre, o Grande – também conhecido como Alexandre Magno ou Alexandre III, foi o maior conquistador e mais importante rei Macedônia, que viveu no século 4 a.C. Em apenas 33 anos de vida, formou um enorme império, que ia do sudeste da Europa até a Índia. Por isso, ele é considerado o maior líder militar da Antiguidade.
Livros foram escritos e filmes foram feitos sobre a sua vida, suas paixões e suas conquistas. Contudo, pelo que diz esta lenda, ele havia deixado claro qual os seus desejos, após sua morte.
E os três desejos eram: Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época; que fosse espalhado, no
caminho até seu túmulo, todos os seus tesouros conquistados como prata, ouro e pedras preciosas; que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.
Ao receber o pedido, um de seus generais, admirado com esses desejos, perguntou a Alexandre quais as razões destes pedidos inusitados e ele explicou: Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não têm poder de cura perante a morte; quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as
pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem; quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.
O curioso deste relato é que a preocupação de Alexandre, há mais de 400 anos antes de Cristo é a mesma preocupação que as pessoas espiritualizadas de hoje possuem. Alexandre havia sido educado, por ordem do pai, nada mais, nada menos, do que por Aristóteles, um dos maiores filósofos de todos os tempos.
Quem sabe esta educação, com os valores da ética aristotélica, mesmo que não impediram o rei de ser conquistador e como tal ter feito guerras e com isso ocasionando muitas mortes, talvez estes valores puderam ter dado a ele uma nítida noção do que a existência humana representa para esta e a próxima vida.
Até hoje falamos o mesmo. Nada se leva desta vida, os seus tesouros ficam aqui, conquistas materiais, bens, nada disto se carrega como troféu para a quando se chegar na vida superior.
A preocupação da maioria dos seres humanos é buscar mais ter do que ser. Ter é mais rápido e com isto se vive melhor esta vida. O amanhã é apenas uma promessa e está longe, ou então, será que a vida do além-túmulo de fato será melhor? E se não for?
Contudo, o amanhã é a imortalidade. A alma não se extingue com a morte do corpo, segue seu caminho e novas vidas virão até o espírito imortal do ser alcançar a compreensão, a iluminação do sentido real da existência, qual somatória das vidas sucessivas que viveremos.
Assim, de que vale tanto acumular riqueza e prazer nesta vida, pois se para o caminhar rumo à perfeição relativa da criatura humana nada conta da materialidade que temos.
Vale pensar. Será que estamos realmente confiando na cura do corpo para sempre, porque temos dinheiro para isso. Ou será que a fortuna nos dará mais que um minuto de vida quando chegar a hora estipulada por Deus?
Então, com as mãos vazias, tal como nascemos, é que iremos partir. Contudo, aquilo que você é, e aquilo que você fez de você mesmo, é o maior tesouro que poderá apresentar a Deus, quando a sua vida estiver na erraticidade, esperando a próxima vinda aqui nesta mesma Terra.
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário
e palestrante kardecista cristão.


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