Coluna: Política de cabeça para baixoFoto: Antônio Cruz/Agência Brasil.

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Coluna: Política de cabeça para baixo

Há momentos em que, por mais que eu seja otimista (e, acreditem, eu sou) parece que sinto as esperanças desaparecerem.

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Num país que necessita de mais empregos, de mais vagas de trabalho, que paguem um pouco mais do que o salário mínimo, afinal tem gente desempregada à beça, batendo de porta em porta por uma oportunidade, justamente aqueles que deveriam estar lutando para que isso fosse possível à população brasileira, o que vemos ocorrer?

A aprovação dos nossos parlamentares ao projeto que aumenta as cadeiras no legislativo nacional. Sinceramente, está tudo de cabeça pra baixo nesta terra abençoada por Deus.

Quer dizer que 513 deputados e 81 senadores não bastavam para “pensar o Brasil”, e criar leis que atinjam os interesses do nosso povo?

A rigor, deputados e senadores trabalham normalmente de terça a 5ª. feira. Ademais, não é só isso. Em âmbito federal, a Constituição prevê dois períodos de suspensão dos trabalhos legislativos: de 23 de dezembro a 1º de fevereiro e de 18 a 31 de julho. O trabalhador comum neste país tem 30 dias de férias e nada mais.

Por outro lado, cada parlamentar – conforme o Google – custa em torno de R$ 24 milhões por ano.

Multiplique-se isso pelo total de parlamentares e vejam o quanto dá. Em torno do parlamentar vem atrelados assessores, veículos, custos de gabinete, e uma série de benefícios como plano de saúde, auxílio moradia, paletó e sabe-se lá o que mais.

Nosso país tem o segundo legislativo mais caro do mundo. Só perde para os EUA. Veja bem, qual a diferença de poder aquisitivo que nosso povo possui em relação aos americanos do norte? Deveríamos, então, ser também o segundo maior país em qualidade de vida, e somos?

O sucesso de qualquer legislativo não é uma questão de quantidade, e sim de qualidade. E junto, um interesse verdadeiro de pensar primeiro no povo que o elegeu e não em si próprio. Mas não é assim. E creio que o fenômeno é quase universal.

Isto se dá porque a política tem um mundo próprio à sua volta. Isto é, ela tem uma ética própria, um tempo próprio para as coisas acontecerem, uma balança de poder flutuante de acordo com os interesses, e o mais terrível, ela faz as leis para todos inclusive para aqueles que a exercem, isto é, os legisladores que exercem a política.

Então, surge um elo impossível de ser desfeitos: a política faz o sistema, e o sistema dá continuidade à política. Na prática, uma mão dupla de benesses cuja vontade popular não consegue modificar, afinal, quando se vota, escolhe-se alguém para continuar o sistema que vai dar continuidade à mesma política.

Desta forma, como diz o brocardo “Tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

É desesperador, desesperançoso, desrespeitador, desmotivante, e o mais triste, desnecessário.

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário
e palestrante kardecista cristão.

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