
Prezado leitor. Na semana passada escrevi aqui sobre o aumento do Imposto de Importação sobre mais de mil produtos e expliquei como essa decisão, mesmo parecendo distante, acaba chegando ao bolso do consumidor.
»» Leia também: Coluna: Quem realmente paga a conta do imposto de importação?
Pois bem: poucos dias depois da medida ganhar repercussão, o governo voltou atrás em parte da decisão e cancelou o aumento para alguns itens. E aqui estou eu para atualizar os(as) senhores(as).
A mudança foi anunciada pelo Comitê‑Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), órgão responsável por definir essas tarifas no país. Após críticas de setores produtivos e empresas que dependem de equipamentos importados, o governo decidiu retirar o aumento de imposto sobre parte dos produtos que haviam sido incluídos na lista.
Na prática, isso significa que algumas máquinas e equipamentos que teriam o imposto elevado continuarão com alíquota reduzida ou até zerada. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a ideia é evitar que empresas brasileiras tenham aumento de custos quando precisam importar tecnologias ou insumos que ainda não são produzidos no Brasil.
Esse recuo mostra algo importante sobre decisões tributárias: elas nem sempre são definitivas. Muitas vezes o governo anuncia uma medida com determinado objetivo — como aumentar arrecadação ou proteger a indústria nacional —, mas depois precisa ajustar a regra quando percebe que o impacto pode ser maior do que o esperado.
E aqui voltamos ao ponto da coluna da semana passada. Quando um imposto aumenta, o custo tende a chegar ao consumidor. Mas quando o governo recua, a intenção é justamente evitar que esses aumentos acabem pressionando preços, encarecendo produtos ou dificultando a produção das empresas.
Esse episódio também revela como decisões tributárias são delicadas: um aumento pode proteger determinados setores, mas ao mesmo tempo prejudicar outros que dependem da importação para produzir ou investir.
Por isso, acompanhar essas mudanças é fundamental. Os tributos não são apenas números em leis ou decretos — eles influenciam diretamente o preço das coisas, a atividade das empresas e até as oportunidades de trabalho. Em outras palavras, aquilo que parece uma decisão distante em Brasília muitas vezes acaba refletindo nas pequenas escolhas do nosso dia a dia.
Fique atento(a) aos seus direitos e deveres.
Beatriz Biancato é advogada tributarista em Guarujá, Mestre em Direito com ênfase em Tributação Municipal, Autora pela Editora Dialética e Idealizadora do projeto gratuito “Tributário Sem Mistério”, disponível em www.tributariosemmisterio.com.br.


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