
Você já parou para pensar como o mundo parece estar menor e maior ao mesmo tempo? A gente assiste a séries coreanas, ouve música nigeriana e come pratos japoneses, mas ao mesmo tempo, o nosso funk, o nosso brigadeiro e o nosso samba estão conquistando gente lá fora. Essa mistura curiosa vem sendo chamada como a Era Glocal: a fase em que o que é global se encontra, e se mistura, com o que é local, criando algo único e fascinante.
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Foto: Lokalize.com
O que é essa tal de “glocal”?
A Winnin AI, uma empresa que estuda tendências, já apontou a “potência da cultura Glocal” como uma das grandes tendências para os próximos anos. Isso mostra que as pessoas estão buscando um equilíbrio: querem experimentar o que vem de fora, mas valorizam muito o que é feito perto delas.
A palavra “glocal” nasce da junção de “global” – que é do mundo todo – com “local” – que é da nossa região, do nosso lugar. É a ideia de que, mesmo com a internet nos conectando com tudo e todos, nós não perdemos a nossa identidade. Pelo contrário, as influências de fora chegam aqui e ganham um toque brasileiro, e aquilo que é genuinamente nosso vai para o mundo e se transforma. Segundo a Winnin AI, não é só uma moda passageira, é uma forma de viver e consumir.
O Brasil no centro da conversa glocal
O Brasil, com sua cultura rica e diversa, é um exemplo perfeito desse momento. Pense no sucesso do funk brasileiro lá fora. De repente, artistas internacionais como Cardi B começaram a dançar e até a usar batidas de funk em suas músicas. O ritmo, que nasceu nas comunidades brasileiras, ganhou o mundo sem perder sua batida original, mas sendo adaptado para outros idiomas e estilos. Isso é ser glocal!
A mesma coisa acontece na outra direção. O K-Pop, por exemplo, música pop coreana, explodiu no Brasil. Nossos jovens não só ouvem as músicas, como aprendem as coreografias, se inspiram nas roupas e até estudam coreano. Mas, essa influência não anula o que já temos.
Vai além. Soma-se, criando um cenário musical e cultural ainda mais rico. De repente, a gente vai poder ter um grupo brasileiro de K-Pop com influências do samba. Será? (rs). Tudo pode acontecer.
Na moda, vemos estilistas brasileiros misturando tecidos típicos ou técnicas artesanais locais com cortes e tendências que vêm das passarelas de Paris ou Milão. Na culinária, chefs de cozinha combinam ingredientes da Amazônia com técnicas da cozinha molecular europeia. A glocalização está em todo lugar, de forma sutil ou escancarada.
Desafios e oportunidades dessa nova Era
Não se trata apenas sobre misturar as coisas, mas sobre reconhecer que aquilo que é diferente é valioso. Antes, a gente via muita gente tentando copiar o que vinha de fora para ser moderno. Hoje, a modernidade está em ser autêntico, em mostrar a sua identidade, mas sem ter medo de se inspirar e de dialogar com outras culturas.
Claro que existem desafios. É importante que a glocalização não “apague” as culturas locais, mas sim que as enriqueça. Por outro lado, as oportunidades são imensas.
Para os artistas, para as empresas, para quem quer mostrar o seu trabalho, ela abre portas para públicos que antes seriam inimagináveis. Uma pequena banda de rock de um interior do Brasil pode, com a internet, ter um clipe viral que chame a atenção de alguém do outro lado do mundo.
A glocalização é a celebração da diversidade do planeta, tudo junto e misturado, mas com respeito às origens. É a prova de que a cultura está sempre em movimento, se reinventando e nos surpreendendo a cada dia. E nessa coluna “Entre Sons e Tons”, que fala muito sobre influências e tendências, quem ganha é a gente, com um universo de possibilidades para discutir, ouvir, ver, provar e viver.


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