
Semana passada falamos sobre como no Japão as pessoas conseguem viver mais, afinal, cerca de 94 mil pessoas naquele país, possuem mais de 100 anos. Viver mais é anseio de todo ser humano.
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A vida, a despeito das dificuldades, doenças, dessabores, é uma bênção divina que nos dá prazer. Mesmo aqueles que sofrem, porque a vida não lhes sorri, anseiam ficar vivos, pois dentro de cada ser humano há sempre a esperança de que tudo possa melhorar um dia.
A comparação da qualidade de vida entre Japão e Brasil, não dá para avaliar. Estamos longe de uma evolução social minimamente aceitável. Para todos aqueles que vivem em grandes centros, onde há oferta de trabalho, tratamento
médico eficaz, a vida é mais fácil. Mas nem tanto, afinal mesmo em São Paulo, Rio de Janeiro, apesar da evolução destes estados, há camadas sociais que estão bem abaixo do que se imagina saudável.
A média de vida do brasileiro é 74,6 anos, bem acima de muito países. Ainda bem que evoluímos neste quesito. Em 1948, numa pesquisa (rara àquele tempo), a média estava entre 45 e 47 anos.
No mundo, através dos tempos, as estimativas de vida giram em termos bem baixos. Na antiguidade, era de 25 anos; na Idade Média, entre 40 e 45. Dados do IBGE, e outras instituições revelam que essa desigualdade é estrutural no Brasil e afeta diferentes grupos, sociais.
A renda dos 10% mais ricos do país foi 13,4 vezes maior do que a dos 40% mais pobres em 2025, um indicativo da alta concentração de renda no topo da pirâmide. O 1% mais rico do Brasil tem um rendimento médio 30,5 vezes superior ao dos 50% mais pobres. A disparidade salarial no Brasil é influenciada por outros fatores além da posição na pirâmide social.
Quanto ao gênero: As mulheres recebem, em média, salários menores que os homens. Neste ano de 2025 s mulheres receberam 20,9% a menos que os homens. Quanto à raça, em 2023, a diferença salarial entre pessoas pretas e brancas em cargos de gerência chegava a 42,3%.
No seu todo o panorama salarial é cruel. Hoje, 4,3% das famílias estão no topo da pirâmide, com renda mensal superior a R$ 25.000. Já 14,8% são consideradas classe B, com renda entre R$ 8.000 e R$ 25.000. A classe C representa 31%, com renda entre R$ 3.400 e R$ 8.000. As classes D considerada pobre ou vulnerável soma 49,9%., com renda de R$ 3.300, e a classe E menos do que isso.
O que mostra de forma cabal que viver é diretamente proporcional ao poder aquisitivo da população. Não só por conta de alimentação saudável, ou de habitação onde haja infraestrutura, mas, sobretudo, pela impossibilidade de ter uma saúde minimamente boa.
As datas do SUS para atendimento das pessoas que estão na classe D e E giram em torno de
meses e , às vezes, anos. Como uma pessoa com comorbidade cardíaca pode esperar seis meses para um exame de
ultra som, ou, até mesmo um simples eletro. Ademais, os estados com população rural afastada de um centro maior, a situação é ainda pior.
Pois é, isto é o Brasil que às vezes não enxergamos. O governo sabe disso, mas os mandatários se revezam no poder e os problemas sociais permanecem. Administrar a coisa pública é escolher as prioridades que dizem respeito à população. Mas lá em Brasília, as prioridades são outras. O executivo briga com o legislativo e de repente
sabemos que alguns partidos políticos têm 400 cargos aqui, outros partidos mais não sei quantos lá, enfim o mundo político se protege e divide o dinheiro que é do povo entre seus membros. Uma casta privilegiada, a despeito da miséria das classes mais baixas da população.
Quando as emendas parlamentares sofrem redução em seu total (exagerado) para um ano qualquer (como agora), todos, deputados e senadores, ficam indignados. Mas os dados que apresentamos acima, não indignam ninguém.
Por isso, sempre podemos esperar o pior para a população brasileira de baixa renda, doente e… com baixa média de vida.
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e Palestrante kardecista cristão.


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