Coluna: Reconsiderar o caminho

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Coluna: Reconsiderar o caminho


A vida que vivemos neste mundo está embasada na densidade da matéria. E ela nos envolve de tal modo que outros valores, além de riqueza e sucesso, acabam não tendo interesse maior, por isso são deixados de lado.

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A vida é mais do que simplesmente viver seguindo a corrente, manada, tipo Zeca Pagodinho, “vida leva eu, deixa a vida me levar”, etc. Estar aqui neste mundo é como frequentar uma escola, onde a aprendizagem não visa lucro e
sim a melhoria do seu próprio eu.

Ademais, a escola não é competitiva, é solidária, e ela nos mostra que dividir vale mais do que multiplicar. É como se uma imensidão de “eus” se unisse num único “nós”, posto que nossa origem foi a mesma e cujo pai é o mesmo: Deus.

Sabidamente, fazer grande parte da humanidade, isto é, de “eus”, entender que a espiritualidade tem um valor muito maior do que a materialidade, a qual, aliás, está logo ali, acolá, um pouco, mais além e, se buscarmos por ela teremos os prazeres da vida, mais à mão, do que o valor espiritual que para muitos é o demais demorado e pode não vir, afinal, nem todos têm certeza do paraíso.

É preciso sofrer um pouco, para aprendermos as lições que esta vida nos traz. Mas é um sofrimento que não dói, ao contrário, nos alegra, pois cada vez que sofremos aprendermos e, em sabendo mais e mais, sempre mais, sentimos que estamos sendo mais completos, elevados, e isto é prazer, e não dor.

Para muitos, a grande prova de elevação está no crescimento material, isto é, ser o detentor de coisas fugazes, acumuladas e não numa não tangível sabedoria que não conta muito para quem objetiva a acumulação da grandeza interior.

No conceito de bens terrenos, ter mais é ser cheio de bens materiais. Contudo, existe um outro tipo de bem, que não vem da ganância e da complexidade de ter, ter, ter, e sim é resultado da simplicidade de se contentar apenas em ser, em vez de ter poder.

Ser simples e moderado, é virtude que, se cultivada, traz plenitude e faz a alma fluir com mais rapidez rumo ao destino ao qual todos estamos sujeitos, isto é, o dia em que sairmos desta vida para vivermos a vida do que chamamos “do lado de lá” (que nada mais é do que uma mudança de espaço porque continuamos sendo nós mesmos).

Só que mais perfeitos, mais capazes de entender os mistérios da vida e depois renascermos mais plenos de sabedoria, uma perfeição relativa, que é a única coisa que nos cabe ao final das sucessivas vidas vividas.

Já nos foi ensinado que “A espiritualidade enfatiza a importância de se cultivar a paz interior e a conexão com o Divino, onde descobrimos que a simplicidade voluntária nada mais é do que uma escolha de vida que valoriza a moderação e a simplicidade, cultivando a gratidão e a satisfação com o que se tem.”

E mais: “A matéria, neste orbe, nada mais é do que um divino empréstimo em nossa evolução, cientes de que esta mesma matéria sempre será um empréstimo temporário de Deus para que possamos compreender a importância da verdadeira vida espiritual, que nos aguarda através da elevação pelos passos daquele que abraça a vida com fé, gratidão e bondade em seu coração”.

‘Você é o que deseja para si diariamente’, nos disse Emmanuel através de Chico Xavier, e então, por que você vai desejar aquilo que não é bom e só lhe traz alegrias efêmeras quando a prática do bem é o único tesouro que você carregará por toada a imortalidade? Pense nisso, é sempre tempo de reconsiderar o caminho.

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

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