Coluna: Smokăreală parte 2 – Uma família que o churrasco construiu

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Coluna: Smokăreală parte 2 – Uma família que o churrasco construiu

Fala galera louca por churrasco, eu sou o Paizão e este aqui é sim o nosso querido Canal Barbaecue, diferente do YouTube na sua forma de falar com vocês, porém com a mesma essência e paixão, somos loucos por churrasco. E por falar em churrasco, hoje é dia de falar da minha segunda viagem ao Smokăreală.

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Quem diria que um dia eu estaria de volta à Romênia, e não apenas como convidado de honra, mas como um embaixador do churrasco brasileiro? Junho de 2025 marcou minha segunda vez no Grillfest BBQ, o maior festival de churrasco da Europa, e a emoção de pisar novamente naquele solo, agora com um convite tão especial, é indescritível.

Fui convidado para ministrar aulas no Master Class Grillfest BBQ 2025, levar um pedaço do nosso Brasil para o coração da Romênia. E por duas vezes estive a frente desta bancada tão nobre de ensino.

Imagine só, dividir os segredos da picanha junto de meu companheiro Maki, o corte que é a alma do nosso churrasco, e ainda desmistificar o preparo do jacaré, uma iguaria tão nossa, para um público tão receptivo e ávido por conhecimento.

Sim, este texto ainda é sobre o nosso querido Smokăreală. Porém, desta vez, abordando sua presença marcante no Grillfest BBQ 2025. Minhas aulas foram momentos de pura troca. Expliquei sobre a seleção da carne, o ponto ideal, a importância do sal, e a paciência que o churrasco exige. A picanha, claro, foi a estrela. Ver os olhos dos romenos e europeus brilharem ao provar um pedaço suculento, preparado com a técnica brasileira, foi gratificante.

Com a ajuda do meu amigo macedônio, Maki Kukunesh, proprietário do Smokăreală, defumamos a rainha e a levamos à grelha.

No Smokăreală, cada dia era uma nova aula. Maki, com sua sabedoria tranquila, me ensinava que não existe um “segredo” para o Brisket perfeito, mas sim um profundo entendimento do processo e uma paciência quase zen. Ele me explicava que o termômetro é apenas um guia, uma ferramenta auxiliar.

A verdadeira maestria reside em sentir a carne, em observar a formação da bark – aquela crosta escura e saborosa que se forma na superfície – e em perceber quando a sonda desliza pela carne “como se fosse manteiga”.

É nesse momento, e não em um número no visor, que a carne nos “avisa” que está pronta para ser saboreada. Essa filosofia de respeito ao ingrediente e ao tempo é o cerne do Smokăreală.

O estudo da termodinâmica, do fluxo de ar nos defumadores e da escolha da lenha certa são levados a sério, mas sempre com a consciência de que o fator humano é o que realmente faz a diferença.

O fogo, me ensinou Maki, não é controlado pela força bruta, mas por uma relação de respeito, observação e adaptação contínua. É uma dança delicada entre o homem e a natureza, onde a pressa é inimiga da perfeição.

Essa conexão profunda, construída em torno do fogo e da fumaça, culminou em um gesto de reconhecimento mútuo que transcendeu as palavras e se gravou na pele. Para celebrar a amizade, recados a algumas Palincas, a troca de saberes e a identidade que o churrasco nos proporcionou, decidimos trocar os logotipos de nossos projetos.

Em um momento de pura emoção e simbolismo, tatuei o logotipo do Smokăreală, levando comigo para o Brasil não apenas uma lembrança, mas um pedaço da alma de Bucareste, a representação de uma casa que me acolheu.

Em contrapartida, Maki tatuou o logo do Barbaecue, marcando em sua própria pele a essência do churrasco que represento, um reconhecimento da paixão brasileira pelo fogo e pela arte de defumar.

O churrasco, para mim, é muito mais do que um método de cocção; é uma filosofia de vida, uma escola de paciência e uma ferramenta poderosa para criar laços humanos. Ele me proporcionou vivências que nenhum outro hobby ou profissão seria capaz de entregar.

Ele nos força a desacelerar em um mundo apressado, nos ensina a ser presentes, a observar, a sentir e, o mais importante, a criar comunidades vibrantes ao redor da mesa.

Hoje, quando olho para as marcas em minha pele, não vejo apenas tinta; vejo o fogo que une dois países distantes, a fumaça que aproxima amigos e a certeza inabalável de que a linguagem do bom churrasco é, de fato, universal e capaz de construir pontes onde antes só havia distância. Eu sei que finquei a bandeira do churrasco brasileiro na Romênia e mais, fiz grandes amigos como Maki.

Estar na Romênia é como visirar sua grande família daquelas que moram distantes mas dentro do coração, que tem casas a serem visitadas e seus anfitriões, Maki e o Smokăreală, Eugen e Grillfest BBQ, Dorinel e toda sua hospitalidade, dentre tantos amigos aqueles que se sentirem a vontade em fazer parte desta história.

“Multumesc, România!”. Muito Obrigado, Romênia.

Um ótimo churrasco a todos!

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Rodrigo ‘Paizão/Barbaecue’ é jornalista e criador de conteúdo digital com mais de 191mil inscritos em seu canal no youtube e mais de 70 mil seguidores em suas redes sociais.

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