Editorial: Dengue – a luta é coletiva e exige mais do poder públicoCrédito: Babu

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Editorial: Dengue – a luta é coletiva e exige mais do poder público

A expressiva redução de casos de dengue em Guarujá neste primeiro semestre é um alívio — mas não deve ser vista como ponto final. A queda de 69% nos registros da doença mostra que ação coordenada funciona: agentes em campo, vacinação nas escolas, uso inteligente de soluções como os barrigudinhos, tudo isso contribui. No entanto, o desafio permanece, e é coletivo.

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A população tem papel central nesse combate. Eliminar criadouros, permitir o acesso dos agentes de endemias e estar atento aos sinais de infestação é mais do que um dever cívico — é um cuidado com a vida de todos.

Mas também é necessário reconhecer que a responsabilidade maior recai sobre o poder público, que precisa manter e ampliar investimentos em infraestrutura básica, como abastecimento de água regular, coleta de lixo eficiente, cobertura de caixas d’água e urbanização de áreas vulneráveis.

Sem essas condições, o combate vira enxugar gelo. Por isso, a queda nos números deve ser celebrada, sim — mas como sinal de que é possível vencer a dengue, desde que cada um faça sua parte e o governo não recue naquilo que é sua obrigação: garantir estrutura para que a prevenção seja duradoura.

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Guarujá vilão?

A grande mídia local destacou nesta quinta-feira (10) os “bairros mais perigosos” do Guarujá em suas redes de jornal e portais, listando locais como região da Pitangueiras, Pae Cará e Enseada. Consequentemente, várias páginas nas redes sociais replicam o conteúdo colocando Guarujá como um lugar insalubre ao turismo, em pleno período de férias escolares.

Tendenciosos

A notícia se baseia nos números oficiais, mas, essa mesma mídia raramente traz à tona a outra face: segundo dados oficiais da SSP, a cidade é a mais segura do Litoral Sul, com queda de 27% nos homicídios e a menor taxa de furtos e roubos na região. Um contraste gritante que revela o viés negativo da cobertura.

Alerta

Não se trata de mitigar problemas reais, mas de exigir uma cobertura equilibrada. O sensacionalismo simplifica uma situação complexa. Os dados trouxeram também os locais mais seguros, mas eles não foram para as manchetes.

Somos mais

A obsessão por destacar os “bairros perigosos” impacta a imagem de toda a cidade, molda a percepção de moradores e visitantes — e pode mesmo afetar investimento e autoestima local. Mas somos mais do que cliques por audiência.

Visão crítica

Se você mora ou visita o Guarujá, saiba: sim, há desafios — mas também há queda de homicídios, menos roubos, guardas municipais atuantes, câmeras modernizadas e iniciativas comunitárias. Criticar é justo. Invisibilizar conquistas é uma falha jornalística.

Pedágios

Mais pedágios, menos motivo pra sorrir. O governador Tarcísio de Freitas fez questão de assegurar a instalação de novos pedágios no litoral paulista, incluindo trechos da Padre Manoel da Nóbrega, Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga.

Caríssimos

Quem visita ou vive no litoral já paga os pedágios mais elevados do país — como no sistema Anchieta‑Imigrantes, onde se cobra até R$ 38,70 por 100 km, e agora terá que desembolsar ainda mais. Afinal, será que os usuários já não bancam o suficiente? Onde vai parar todo esse dinheiro?

Responsabilidade

Os argumentos para isso são baseados em investimentos que deveriam ser responsabilidade do poder público, e não justificativa para extorquir usuários.

Turismo e renda

Prefeituras e entidades civis de Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande e outros locais pressionam na Justiça contra os pedágios, alegando que os moradores terão de pagar para ir ao supermercado ou ao hospital dentro do próprio município. O modelo pode ainda desviar fluxo para áreas centrais, congestionando bairros e ferindo o direito ao deslocamento urbano gratuito.

Free flow

A promessa de cobrança automática sem paradas (free flow) soa moderna, mas não reduz o valor cobrado — apenas facilita o sistema. O que incomoda é o fato de que essas facilidades não compensam o peso no bolso do usuário, enquanto benefícios reais de infraestrutura demoram a se materializar.

Interesses

Quem vive em Guarujá sabe bem como funciona, pois não sai, ou entra na cidade sem pagar pedágio. Sem transparência e contrapartida real para a população, fica claro que interesses privados continuam a dominar a política de mobilidade na região.

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