Opinião: O outro lado do feriadão

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Opinião: O outro lado do feriadão

O feriado prolongado de Páscoa traz, mais uma vez, um cenário conhecido em Guarujá: praias cheias, trânsito intenso e uma economia aquecida pela chegada de milhares de turistas. A expectativa de ocupação de até 80% na
rede hoteleira e a previsão de cerca de 120 mil visitantes reforçam a vocação da Cidade como um dos principais destinos do litoral paulista.

»» Leia também: Opinião: Um novo mergulho para o turismo de Guarujá

Esse movimento é, sem dúvida, positivo. Ele impulsiona hotéis, restaurantes, comércios e uma ampla cadeia de serviços que depende diretamente do turismo. Em momentos como este, Guarujá mostra sua força econômica e sua
capacidade de atrair visitantes em busca de lazer e qualidade de vida.

Mas há um outro lado dessa história que precisa ser considerado. Paralelamente ao aquecimento do setor formal de hospedagem, cresce a preocupação de moradores que encontraram no aluguel por temporada uma forma de complementar a renda.

Para muitas famílias, essa atividade não é um negócio estruturado, mas uma alternativa diante das dificuldades econômicas.

A discussão em torno da nova legislação que pretende regulamentar esse tipo de locação expõe um desafio central: como equilibrar a organização do setor com a realidade de quem depende dessa renda para fechar as contas no fim
do mês.

De um lado, é legítimo que o poder público busque estabelecer regras, padronizar práticas e garantir segurança jurídica em um mercado que cresceu de forma acelerada com o avanço das plataformas digitais.

Do outro, é preciso sensibilidade para não transformar uma atividade acessível em algo inviável para pequenos anfitriões.

O turismo de Guarujá não se sustenta apenas nos grandes empreendimentos. Ele também vive nas casas, nos bairros e nas relações construídas entre moradores e visitantes. Ignorar isso é correr o risco de enfraquecer uma parte
significativa dessa engrenagem.

O momento pede diálogo. A sinalização de que a regulamentação ainda será construída com participação da sociedade é um passo importante — mas precisa se traduzir em equilíbrio nas decisões finais.

Em um feriado que promete movimentar a economia local, fica o alerta: o desenvolvimento do turismo deve caminhar junto com a inclusão de quem faz parte dele no dia a dia.

Afinal, uma cidade forte não é apenas a que recebe bem seus visitantes, mas a que também protege e valoriza quem vive nela.

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Defesa Civil

Moradores de comunidades como Vila Baiana, Prainha e Morrinhos participaram da 1ª capacitação dos Nupdecs 2026, em Guarujá. O curso abordou primeiros socorros, combate a incêndios e uso de extintores, com apoio da Defesa Civil.

Unidade móvel Canil

O Canil Municipal voltou a funcionar nesta quarta (1º), de forma provisória, com um ônibus adaptado. Há agendamento de castração, consultas por ordem de chegada e cirurgias já marcadas, das 8h às 16h30.

Programa cultural

O “Valoriza Cultura” recebeu 37 artistas na primeira etapa. A proposta é oferecer portfólio profissional gratuito para ampliar oportunidades no mercado cultural.

Teatro recebe “O Casal Perfeito!”

O espetáculo infantojuvenil será apresentado nesta sexta (3), às 19h30, no Teatro Procópio Ferreira. Ingressos antecipados custam R$ 5 e a classificação é a partir de 8 anos.

Surf no Pernambuco

A 5ª edição do “Equilibra Surf Grommets” acontece de sexta a domingo (3 a 5), com expectativa de 150 atletas e público de 700 pessoas. Evento também arrecada alimentos para o Fundo Social.

Sarau 10 anos

O “Sarau Escalafobético” acontece neste domingo (5), às 19h, no Teatro Procópio Ferreira. A entrada é 1 kg de alimento e a programação inclui poesia, música e exibição de documentário.

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O tombo mais recente da Educação Básica (e o que ele revela)

Há alguns anos venho escrevendo sobre as mazelas da Educação brasileira. Acredito na Educação como a ferramenta mais poderosa de transformação de uma nação, e com a recente divulgação do Censo Escolar e uma queda
significativa nos números da Educação Básica brasileira, nos acendeu um alerta.

Entre 2024 e 2025, o país registrou quase 1 milhão de matrículas a menos na Educação Básica, uma redução de 2,3% no total de estudantes. Dentre os estados, São Paulo lidera essa retração, com perda de 13,6% no número de matriculados.

Esses números compõem os resultados do Censo Escolar 2025 – levantamento anual realizado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que avalia as
condições de oferta e atendimento do sistema educacional brasileiro.

Chama a atenção a redução de mais de 400 mil matrículas no Ensino Médio – movimentação decrescente que impactou  a diminuição no total de estudantes no País. O Ministério da Educação atribuiu alguns fenômenos para explicar esse encolhimento, como a queda na natalidade.

Segundo o Censo Demográfico do IBGE, a população de 0 a 19 anos passou de 62.923.166 pessoas em 2010 para 54.505.203 pessoas em 2022, uma redução de 13,4% no período. Outras explicações são a diminuição na
distorção idade-série – quando os alunos estão defasados em dois anos ou mais a idade em relação à série escolar – e uma menor retenção na Educação Básica, com menos reprovações.

Podemos refletir se a evasão escolar também não estaria compondo a cesta de fatores a explicar essa redução. Não podemos ignorá-la. Neste contexto, cresce a preocupação com a capacidade e a qualidade do sistema educacional, para garantir o acesso, a permanência dos estudantes nos bancos escolares, com qualidade, pertencimento e aprendizagem.

Por outro lado, o Censo Escolar também revelou aumento da oferta de matrículas no Ensino em Tempo Integral, no qual os alunos ficam em média 7h por dia ou 35h semanais no ambiente escolar, ampliando as possibilidades de
aprendizagem. Outra modalidade que teve números crescentes foi o Ensino Técnico Profissionalizante, que prepara principalmente os jovens para o mercado de trabalho, integrado ao Novo Ensino Médio.

Mais do que abrir os portões, as escolas em todo o País precisam assumir seu papel instigador, fomentador do pensamento crítico-reflexivo. Que escola estamos oferecendo às nossas crianças e jovens? O ambiente escolar deve
ser um espaço acolhedor, agregador, dinâmico, transformador, de socialização, aprendizagem e de desenvolvimento para a vida.

Este cenário apresentado pelo Censo Escolar relembra o que muitos educadores e estudiosos vêm alertando há mais de uma década: a necessidade urgente do País abandonar as bandeiras partidárias e levantar a bandeira da Educação. Só assim teremos uma nação forte e libertadora.

Profa. Dra. Priscilla Bonini Ribeiro – Educadora, doutora em Tecnologia Ambiental, mestre em Educação, diretora-geral da Unaerp Guarujá, conselheira da Fundação Fernando Eduardo Lee, pesquisadora da Ilha dos Arvoredos, vice-presidente do SEMESP, escritora, palestrante e consultora.

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