Guarujá chega aos 91 anos com motivos para comemorar — e muitos desafios ainda à espera de enfrentamento real. A programação de aniversário, iniciada nesta quinta-feira (26), destaca áreas importantes como educação, saúde, habitação, esporte e cultura, com entregas, lançamentos e celebrações que dialogam com as demandas da população.
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São ações que merecem reconhecimento, principalmente quando alcançam os moradores que mais precisam. Afinal, o prefeito Farid Madi tem a área social como um dos pilares de seu governo.
A reforma de espaços públicos, a entrega de escrituras e os investimentos em programas sociais como o Profesp são sinais de que há avanços.
Também é justo destacar a mobilização por conquistas estruturantes, como a continuidade das obras no aeroporto civil e o esforço para trazer o Instituto Federal e uma FATEC ao município — iniciativas que podem redefinir o futuro local.
Mas é preciso ir além da festa.
O debate recente sobre o subfinanciamento da saúde em Guarujá, por exemplo, revela uma desigualdade antiga e persistente. A cidade recebe menos verbas estaduais em comparação a municípios vizinhos, e isso se reflete na ponta: nas filas, nas dificuldades de acesso, na sobrecarga dos profissionais.
O anúncio de novas contratações na área é bem-vindo, mas ainda insuficiente diante da demanda crescente.
A decisão da Justiça, que garante indenização a mais uma família atingida pela tragédia de 2020, reforça a urgência de enfrentar a questão das moradias em áreas de risco em Guarujá.
Enquanto parte das famílias que vivem em áreas portuárias começa a ser reassentada, moradores dos morros ainda aguardam sua vez de deixar residências insalubres e vulneráveis. Da mesma forma, eventos como o SP Offshore, realizados em Santos, continuam colocando Guarujá à margem de decisões que impactam diretamente sua economia e seu território.
Sem protagonismo perdemos a chance de planejar com autonomia e justiça. A cidade tem potencial. E tem pressa.
Que o aniversário de 91 anos não seja apenas uma retrospectiva de obras e promessas, mas um convite à responsabilidade coletiva: dos gestores, dos representantes políticos e da sociedade civil. Guarujá merece mais do que estar no roteiro das celebrações. Merece estar no centro das decisões.
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Desigualdade
Durante reunião do Conselho Municipal de Saúde, realizada na quarta-feira (25), foi apontada a defasagem dos repasses estaduais à Saúde em Guarujá, em comparação a outras cidades da região.
Orçamento limitado
O presidente do Hospital Santo Amaro, Urbano Bahamonde, destacou que, mesmo com orçamento limitado, a unidade lidera o número de internações na Baixada Santista.
Diálogo
A situação foi debatida com o secretário de Saúde, Fábio Mesquita, e o presidente do Conselho, José Carlos Simões. Segundo Bahamonde, o prefeito Farid Madi pretende buscar diálogo com o secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, para rever a redistribuição de recursos.
Situação de rua
Com a publicação do decreto nº 16.917, foi criado o CIAMP-RUA, comitê gestor que vai acompanhar e propor políticas públicas voltadas às pessoas em situação de rua em Guarujá.
Representantes
O grupo será formado por 20 membros – metade da sociedade civil e metade do poder público – e terá mandato de dois anos. Entre os objetivos, estão a criação de um Plano Municipal de Garantia de Direitos, ações educativas e o acompanhamento das políticas já existentes. O comitê será coordenado pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e segue diretrizes do SUAS e de legislações federais e estaduais.
Futuro da indústria offshore
O SP Offshore 2025 reuniu mais de 1.300 executivos e especialistas no Santos Convention Center, com foco na expansão da cadeia produtiva de óleo, gás e energia em São Paulo.
Bacia de Santos
Um dos destaques do evento foi a assinatura de um memorando entre o Governo de São Paulo e a Petrobras para impulsionar projetos offshore, especialmente na Bacia de Santos. Também foi apresentado um estudo de viabilidade para instalação de uma base em São Sebastião, elaborado pela empresa Edison Chouest.
Empregos
Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, o estado reúne condições para liderar o setor com inovação e geração de empregos.
E Guarujá?
Apesar da proximidade e da relevância direta para seu território, Guarujá mais uma vez foi citada apenas de forma periférica. Mesmo com potencial logístico, portuário e ambiental evidente, a cidade segue figurando como coadjuvante nas grandes decisões sobre o futuro energético da nossa região.
Urge
A ausência de protagonismo em eventos como este reforça um desafio político e estratégico que o município ainda precisa enfrentar. Urgentemente.


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