
Pois é, Brasil: bom retorno e boa aposentadoria para muitos. Aos que ficam, que repensem o uso da Amarelinha, ultimamente tão surrada, desrespeitada e em um jejum de dar inveja a um faquir.
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Hoje 24, na próxima edição 28 anos sem um Mundial em casa. Mesmo período de 1930 até 1958, o primeiro, (lembrando que foram dez anos sem Copas pela Segunda Guerra). Uma eternidade para quem se acostumou com as vitórias.
Nem na Copa América somos protagonistas mais. Desde 2019, antes da Pandemia, nada de nada. Do “vão ter que me engolir” ao “fomos engolidos” se passaram duas gerações – com um 7 a 1 no meio. Uma vencedora e outra desastrosamente ruim com a Camisa Penta Campeã.
Jogadores ícones nos clubes se tornam comuns, bagres, quando deveriam despontar. Com um ou dois acima da média, foram anos de expectativa em cima de Neymar e os reveses só o detonaram.
Mas o que falar de Marquinhos, Casemiro, Vini Junior, Alisson e tantos outros monstros de clube que nada agregaram a Seleção nos últimos três mundiais? “Ah, mas Marquinhos e Gabriel Magalhães foram finalistas da última Champions”. Ok, e o que fizeram para parar Haaland?
E não foi neles o gol de Marrocos? E o goleirão que toma dois chutes de fora da área defensáveis, que duvido que Hugo Souza e Carlos Miguel tomariam? E o pretenso ‘melhor do mundo’ com o Real,- artilheiro do time, mais visado, mais tietado e poupado de críticas, dá a bola ao companheiro, inexpressivo no cenário mundial, para bater um pênalti que mudaria a história da Copa e essa Golaço!
Ah, mas o Ancelotti preferiu o Guimarães. Veja se Messi, Mbappe, Haaland ou Cristiano Ronaldo obedeceriam, mesmo que uma Ordem Divina. Guimarães foi lá, a la Neymar, e perdeu.
Neymar: Anjo ou Demônio?
Maior artilheiro do Brasil em todos os tempos, à frente de Pelé, Ronaldo Fenômeno e Romário, só para ficar neles. Maior jogador brasileiro em atividade desde 2010, quando não foi a Copa junto com Ganso e causou uma comoção nacional.
Abdicou zilhões saindo da Arábia e voltando ao Peixe para, justamente, aparecer, se readaptar e se preparar para a Maior de todas as Copas. Se machucou gravemente em uma partida eliminatória contra o Uruguai e depois em outras e outras vezes, exatamente tentando voltar à Amarelinha.
Convocado para a alegria de 70% de torcedores. Fãs de futebol. Não influenciadores, políticos e aproveitadores de imagem e conteúdos. Chegou machucado. Foi avaliado, liberado, após intensa fisioterapia e recondicionamento.
Ficou fora na estreia, jogou 20 minutos contra o Haiti, fora conta a Escócia, fora contra o Japão e aos 22 minutos do segundo tempo entrou contra a Noruega, um minuto após Endrik perder um gol absurdo, frente a frente com o goleiro.
Ai o italiano o joga de centroavante, abrindo o ex-palmeirense na direita, com a função de marcar o lateral, formando o trio com o Vini Jr. Gol da Noruega. Haaland, de cabeça, marcou em uma jogada que começou com erro de
posicionamento de Endrick, passou pela falta de combatividade de Danilo ao não cortar o cruzamento, pela falha de Magalhães, que não subiu uma gilete, e terminou com o gigante apenas cumprimentando a bola.
No segundo gol, Casemiro, com medo um segundo amarelo, não pressionou, e o viking não perdoou. Duas jogadas construídas justamente pelo lado de Endrick, improvisado e totalmente fora de posição.
Ai um chute no norueguês e a discussão com o goleiro (que o provocou primeiro), fizeram os 30% dos influenciadores e políticos somados com outros 60% de frustrados pela derrota (principalmente os da imprensa, que voltarão a cobrir Bragantino x Novorizontino) caírem de pau no ex-menino Ney.
Culpado, culpado e mais culpado. Do quê? De ter feito o gol? De ter encarado os que não tiveram respeito a ele e ao Penta? De ter dado uma bicuda para que os outros coleguinhas não fossem tão passivos ao tic tac escandinavo?
O Brasil não valoriza seus ídolos.
O Brasil prefere um “vozinha”, do que seu maior jogador, que perdeu 4 Copas, sem nunca ter culpa. Em 14, machucado. Em 18, um gol contra e outro em que ninguém parou o belga que veio da defesa. Em 2022, Fred, de ponta direita, abrindo espaço no meio, após gol de Neymar e derrota nos pênaltis para a Croácia.
Não torço para o time do Neymar. O meu cansou de tomar gols dele, mas idolatrar um forasteiro e destruir o seu maior artilheiro, só o brasileiro mesmo!
Guilherme Novaes é jornalista, comentarista e colunista esportivo.


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