
Recentemente, abordei nesta coluna a peculiaridade da política operar em um mundo à parte, com regras, conceitos e até uma ética totalmente distintas. Por vezes, em nosso próprio país, isso se manifesta na assustadora ausência de brasilidade. E a realidade, infelizmente, confirmou essa percepção.
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É estarrecedor ver deputados federais brasileiros, dentro da Câmara Federal, ostentando uma bandeira com o nome de Trump e ecoando seu slogan: “Make America Great Again” – Torne a América Grande Novamente.
Há anos, não me recordo o político, proferiu a infame frase: “O que é bom para os Estados Unidos da América é bom para o Brasil”. Essa declaração, no mais baixo calão do patriotismo, demonstrava um profundo desamor pela nossa pátria.
Hoje, após um longo percurso, testemunhamos algo similar: uma submissão total que rebaixa nosso país a um mero “quintalzinho do Tio Sam”. Cultuar Trump – o mesmo presidente que, munido de sua força bélica e econômica (que de fato possui), impõe tarifas ao mundo todo com o propósito de fazer valer sua vontade e sede de poder, decreta tarifaços para o mundo todo, com a finalidade de impor sua vontade e gana de poder.
No nosso caso, apenas para satisfazer sua preferência pessoal, ele penaliza toda a nossa população com uma arbitrariedade insana. Essa atitude, além de acarretar um número inimaginável de desemprego, trará prejuízos reais a setores que lutamos para desenvolver por anos a fio: nossa indústria e nosso agronegócio.
Se fôssemos um povo de maior bravura, puniríamos os “enamorados americanófilos” nas próximas eleições, jamais permitindo que retornassem ao Legislativo. Aqueles que não amam nosso país não podem ter em suas mãos o direito de destruir a dignidade nacional, mesmo que tenham sido eleitos para buscar o melhor para os brasileiros.
Aqui, a questão não é Bolsonaro ou Lula, mas sim nós, o povo, que construímos nossa riqueza com o suor do nosso trabalho.
Curiosamente, é o mesmo Trump que, com sua influência, permite que Israel faça o que está fazendo com os Palestinos. Os vídeos que chegam até nós revelam o desespero de milhares de pessoas se acotovelando, se pisoteando, desesperadamente por comida – melhor, por comida, água e remédios.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que transformar a fome, a sede e a doença em armas de guerra, não para matar soldados, mas civis, é o mais sórdido dos genocídios.
E eu acrescento: é também o auge da covardia. Tudo isso ocorre porque a política, como já mencionei, tem seu próprio mundo.
Por que os caminhões de auxílio humanitário não entram em Gaza? Porque Israel não quer. Mas quem é Israel para se opor ao salvamento de outro povo, incluindo crianças que choram de dor e fome? Com que direito permitem a matança? Não se trata de sua pátria, Israel, mas da pátria de outro povo. Quem lhes deu este direito?
Trata-se de uma questão de “política internacional”, onde os poderosos assim o desejam e submetem os mais fracos. E só o fazem porque a influência americana está dando guarida aos israelenses.
Interferir nisso seria afrontar o poderoso EUA, e assim o genocídio segue sem fim, com desumanidade e a complacência de Trump, o mesmo Trump estampado na bandeira estendida pelos deputados brasileiros na Câmara Federal esta semana.
De todas as crueldades que temos visto no mundo, seja qual for, a maior delas é a crueldade praticada pelo próprio ser humano.
Uma vez, o Papa Bento XVI, Joseph Ratzinger, ao visitar Auschwitz e testemunhar o genocídio cometido pelos alemães contra os judeus na Segunda Guerra Mundial, exclamou: “Onde estava Deus?”.
Hoje, vendo a desumanidade que os judeus praticam em Gaza (como se não tivessem aprendido nada), é o mundo que exclama: “Onde estás, Deus?”.
É tempo de o Senhor dos senhores fazer valer sua misericórdia e dar um basta na carnificina em Gaza. Pelo meu amor em Ti, Pai, CHEGA!
Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristã


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