Coluna: Dez anos de vozes femininas que transformaram Guarujá

HomeColunas>Entre Sons e Tons – Tatiana Macedo

Coluna: Dez anos de vozes femininas que transformaram Guarujá

Foto: Dois Níveis

Há aniversários que são muito mais que datas no calendário: são marcos de resistência, celebração e, sobretudo, de futuro. Assim é com a Associação Mulheres Progressistas (AMP), que neste setembro completa dez anos de vida — uma década de luta, coragem e invenção.

»» Leia também: Coluna: Mini Recomeços

A AMP nasceu pequena em número, mas imensa em propósito. Falava-se pouco, ou quase nada, sobre violência contra a mulher, igualdade de gênero e direitos no espaço político da cidade.

Foi nesse silêncio que a associação ergueu sua voz. Com coragem e criatividade, a AMP promoveu palestras, exposições de arte e cinema, campanhas suprapartidárias, carreatas da indignação, passeatas e até os famosos “varais da vergonha”.

Criou, também, o Observatório da Violência contra a Mulher da Baixada Santista, instrumento essencial de monitoramento e denúncia. Ações que provocam mais do que respostas: provocavam consciência!

Dez anos depois, o reflexo está aí. O Guarujá tem hoje uma Câmara Municipal mais feminina do que qualquer outro município de São Paulo. A sociedade se organiza em novos grupos e entidades, e as políticas públicas voltadas para
mulheres não são mais vistas como favor, mas como direito.

Em comparação com cidades vizinhas, o município carrega um diferencial inegável: a persistência de mulheres que se recusaram a aceitar o óbvio, e escolheram abrir caminho.

Em outras palavras: a eficiência da AMP pode ser medida na prática. Onde antes havia silêncio, hoje há voz, representação e mobilização.

O desafio do futuro: orçamento público

Foto: AMP

Apesar das conquistas, o alerta segue aceso. No momento em que o orçamento da cidade é elaborado, a AMP chama a atenção: sem verbas asseguradas, políticas como o aluguel social e as casas de acolhimento correm o risco de virarem apenas promessas.

Como resume Eliane Belfort, presidente da associação: “Lugar de mulher é no orçamento público. Se não estivermos lá, não há política pública de verdade — só eventos e discursos embalados como se fossem conquistas”, reflete a Belfort.

Homenagens e esperanças

Para marcar o caminho percorrido, a AMP homenageará mulheres pioneiras, uma para cada ano de dedicação e transformação. Segundo Belfort, a escolha desses nomes pela diretoria não foi tarefa fácil, diante de tantas mulheres
valorosas.

O anúncio será feito no jantar comemorativo do dia 23 de setembro, às 20h, no Guarujá Golf Club (Av. das Américas, 545), em um encontro que une celebração, reconhecimento e esperança.

Os 10 anos da AMP são um marco histórico. A associação mostrou que é possível transformar realidades com coragem, criatividade e persistência. Mas também reforça um lembrete: não basta comemorar. É preciso vigiar, cobrar e garantir que os direitos das mulheres estejam assegurados em políticas públicas reais.

A luta é todo dia. Foto: Auditec

Mais do que uma festa, a celebração expressa que o caminho aberto precisa ser trilhado todos os dias, em cada política pública conquistada, em cada mulher que inspira outra a seguir.

Parabéns, AMP!

Tatiana Macedo é jornalista.

COMENTÁRIOS

Abrir bate-papo
Olá 👋
Podemos ajudá-lo?