
Prezado leitor, nos últimos dias uma onda de desinformação tomou as redes sociais ao afirmar que, com o reajuste do piso salarial dos professores para R$ 5.130,63 em 2026, esses profissionais passariam a pagar automaticamente 27% de Imposto de Renda sobre o salário.
»» Leia também: Coluna: Existe taxa do Pix?
A mensagem assusta, mas é falsa e ignora como o Imposto de Renda funciona na vida real.
Para começar, o IR não é um “desconto único” aplicado sobre todo o salário. Ele funciona como uma escada: cada faixa de renda tem uma alíquota diferente, e só a parte que ultrapassa cada degrau é tributada. Além disso, antes de chegar à base de cálculo, são descontados valores como a contribuição ao INSS, o que já reduz o montante sobre o qual o imposto incide.
A própria Receita Federal esclareceu que a Lei nº 15.270/2025 ampliou a faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês e reduziu o imposto para rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7.350. Em termos práticos, é como dizer que a “régua” da tributação foi empurrada para cima: mais gente fica isenta e quem ultrapassa a isenção paga menos do que pagava antes.
No caso dos professores, mesmo com o piso passando de R$ 5 mil, isso não significa cair direto na alíquota máxima. Um exemplo ajuda a entender: em 2025, um docente nessa faixa podia ter cerca de R$ 283,00 de IR descontados por mês.
Com a nova tabela, apesar do salário maior, o desconto cai para algo em torno de R$ 46,00 mensais. Ou seja, o salário sobe e o imposto diminui, graças à nova forma de cálculo.
A história dos “27%” surgiu de um cálculo simplificado e errado, que aplicou a alíquota máxima sobre todo o salário, como se não existissem faixas, deduções e descontos obrigatórios. Na prática, a alíquota efetiva — aquela que realmente pesa no bolso — é bem menor.
Portanto, longe de significar perda, o cenário atual aponta para valorização do magistério, com aumento real do salário líquido e menor carga tributária. Em tempos de tantas informações circulando rapidamente, vale sempre lembrar: quando o assunto é imposto, desconfiar de contas fáceis demais e buscar as fontes oficiais é o melhor
caminho para não cair em armadilhas e boatos.
Fique atento(a) aos seus direitos e deveres.
Beatriz Biancato é advogada tributarista em Guarujá, Mestre em Direito com ênfase em Tributação Municipal, Autora pela Editora Dialética e Idealizadora do projeto gratuito “Tributário Sem Mistério”, disponível em www.tributariosemmisterio.com.br.


COMENTÁRIOS