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Coluna: Até na renda fixa é preciso olhar o imposto

Uma notícia recente bordando a suspensão pela XP Investimentos de alguns ETFs, trouxe uma discussão sobre a cobrança do Imposto de Renda.

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Para quem não acompanha esse assunto, parece complicado e eu não vou me aprofundar sobre isso aqui. Mas existe uma lição bem simples que considero válida comentar para qualquer pessoa que guarda dinheiro.

É comum pensar que, se dois investimentos são chamados de “renda fixa”, o imposto será sempre igual. Só que não funciona exatamente assim.

Pense em duas compras no supermercado. Nas duas, você gastou R$ 100. Mas, em uma sacola, colocou arroz, feijão e macarrão. Na outra, colocou frutas e verduras. O valor da compra foi o mesmo, mas o que está dentro da sacola é diferente.

Com alguns investimentos acontece algo parecido. Por fora, eles podem parecer iguais. Mas o que existe dentro deles pode ser diferente. E essa diferença pode mudar a forma como o Imposto de Renda é calculado.

Imagine, por exemplo, que duas pessoas guardem R$ 10 mil. Uma escolhe uma aplicação e outra escolhe uma diferente. As duas ganham dinheiro, mas podem pagar valores diferentes de imposto sobre esse ganho.

É justamente uma situação assim que está por trás da notícia recente. Em alguns investimentos, existe uma discussão sobre qual regra deve ser usada para calcular o imposto. E isso pode fazer diferença no valor que sobra para o investidor.

Mas isso significa que quem tem dinheiro aplicado precisa se preocupar? Não necessariamente. A notícia não quer dizer que todos os investimentos tenham algum problema.

O cuidado é outro: não escolher uma aplicação olhando somente para a promessa de rendimento. É como comprar um produto porque está barato, sem olhar se existe frete, taxa ou alguma outra despesa.

No investimento, o raciocínio é parecido. Antes de perguntar apenas “quanto eu vou ganhar?”, vale perguntar também: “quanto vai sobrar depois do imposto?”

No fim, a regra é simples: quando o assunto é dinheiro, não basta olhar para o que aparece na vitrine. É preciso entender o que realmente vem dentro da sacola.

Fique atento(a) aos seus direitos e deveres.

Beatriz Biancato é advogada tributarista em Guarujá, Mestre em Direito com ênfase em Tributação Municipal, Autora pela Editora Dialética e Idealizadora do projeto gratuito “Tributário Sem Mistério”, disponível em www.tributariosemmisterio.com.br.

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