
Entre algumas funções que exerço profissionalmente, uma das que mais me empolga e sinto prazer é a de trabalhar com esporte. Coordenar, dirigir, organizar e até ser comandante dentro de campos e quadras é algo que exige tempo, dedicação, caminhos a percorrer (os famosos “contatinhos”) e paciência, muita paciência.
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Quem vê uma equipe em competição, pode não imaginar o trabalho de bastidor que é necessário para isso. Não é estalar os dedos e pá! Chegam títulos, transferências, consagrações e dinheiro, muito dinheiro.
Quanto mais alto o nível de rendimento, mais altas as exigências. Uma partida de uma equipe adulta completamente diferente de uma de uma equipe Sub13 por exemplo. Parece óbvio, mas não é!
O esporte, em particular o futebol, junto com a música, ser influenciador (ou famosinho) e a educação são os alicerces de um futuro melhor para muitas famílias. Qual o mais difícil? Estudar claro. Mas os demais também
exigem muito esforço, talento e biótipo.
Quantos garotos você já viu chutando, sacando ou encestando e já pensou estar diante de um novo Neymar, Giba ou Oscar? E quando ele entra em uma equipe de competição ou faz uma “peneira” você percebe que não é tão craque assim, qual a sua reação?
Você pai e mãe são os alicerces dessa criança. Não ao contrário. Os monstros sagrados do Brasil que citei acima são 3 entre milhões que tentam e não conseguem chegar ao sonho esportivo e financeiro.
E como você trata os que estão ao redor ou influenciam essa decisão? Vamos começar com o treinador. Burro, incapaz, aonde ele não vê que ele é melhor do que o outro, protegido, vendido e outros adjetivos pejorativos são os mais ouvidos e repetidos para quem não consegue alcançar a convocação ou a titularidade.
Ao mesmo tempo, se está dentro, o cara vira gênio, melhor amigo, com direito a mimos, sorrisos e abraços. É um mundo completamente competitivo, onde a melhor preparação gera mais resultados.
Não é uma criança que começa a aprender o esporte em duas semanas que deve ser convocada. Não se dá ao direito, por exemplo, dela e seu progenitor, nem se dar ao trabalho, de cumprimentar dirigentes durante a sua chegada ao ginásio para ver o jogo dos “amiguinhos”.
O que será que ela já não escutou de diferente do que o professor, a comissão técnica e “todo o resto do mundo” viu no seu inicial potencial? Isso trata-se de exigir imediatismo da criança. E esse merece um parágrafo especial.
Comecei lá em cima dizendo que tenho prazer em estar no esporte. A criança/adolescente precisa ter o mesmo. Princípio básico. Se os papais acham que impondo serão bem sucedidos, esqueça. Em algum momento o corpo mole prevalecerá.
As desculpas, os erros forçados e a desmotivação levarão a melhor. O sonho tem de ser dele, também, não só seu. Incentivar, buscar o conhecimento em imagens, jogos ao vivo, procurar entender o que o técnico pede para poder traduzir ao “craque”, levar a um jogo de profissionais, fazer sentir o clima e o pertencimento a equipe ao esporte,
com respeito as decisões hierárquicas e, principalmente, saber ganhar e perder, sempre.
Senhor responsável: Incentive seu filho (a) ao esporte, mas tenha ciência, que outro pode ser melhor, mais rápido, mais habilidoso, mais alto, mais preparado geneticamente e filho (a) de outro, e é sempre bom respeitar os sonhos alheios.
Quem nunca se gabou e se gaba de ter sido companheiro de time na base de Neymar, Giba ou Oscar? É pouco, pode ser, mas junto com a parte difícil (a famosa educação), o menos dotado do esporte se tornou médico, advogado, jornalista e por ai vai.
Tem espaço para todos, tenham paciência e respeito.
Guilherme Novaes é jornalista, comentarista e colunista esportivo.


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