
Fala galera louca por churrasco, eu sou o Paizão e este aqui é sim o nosso querido Canal Barbaecue, diferente do YouTube na sua forma de falar com vocês, porém com a mesma essência e paixão, somos loucos por churrasco. E por falar em churrasco, hoje é dia de falar de algo que fez e sempre fará parte de um bom churrasco, e não se trata de alimento, ou talvez sim, o alimento da alma, a música.
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Quem me acompanha por aqui sabe que este espaço é muito mais do que um lugar para compartilhar o ponto certo da carne, os segredos do carvão ou as crônicas das minhas viagens e eventos pelo Brasil afora. Este é um canto de prosa, de partilha e de celebração da vida.
E hoje, enquanto a fumaça sobe e o braseiro estala, o aroma que toma conta do ambiente traz o perfume da nostalgia, mas também o frescor de um projeto que estava guardado a sete chaves no fundo do coração e que, finalmente, ganha vida.
Quem vê o assador concentrado diante das câmeras e grelhas nem sempre imagina que a minha trajetória é costurada por muitas outras paixões. A culinária e a música sempre caminharam de mãos dadas na minha história, como um corte nobre e um bom acompanhamento.
E neste ano, em especial, tomei uma decisão interna muito forte. Fiz uma promessa a mim mesmo: após a partida do meu pai, entendi que a vida é um sopro e que eu precisava dar atenção a mais sonhos que o tempo e a rotina acabam deixando adormecidos.
Meu pai foi a grande referência da minha vida e o principal responsável por plantar em mim a semente do amor pela música. Era ele quem me deu meu primeiro instrumento musical, uma viola caipira e me levava, ainda menino, para as rodas de viola lá em Olímpia, no interior de São Paulo.
Aquelas tardes quentes, cercadas de gente querida, causos e o som inconfundível da música caipira raiz, moldaram o meu caráter e a minha sensibilidade. Aquela semente, plantada há tantas décadas em solo fértil, passou anos adormecida, mas nunca morreu. Hoje, sinto com clareza que
chegou o momento de vê-la florescer e dar frutos. A música sempre andou conosco, e honrar essa memória é também celebrar a alegria que ele me ensinou a ter.

Por isso, é com imenso orgulho e o coração batendo no ritmo da sola do sapato que compartilho com meus leitores, em primeiríssima mão, que estou montando uma banda de sertanejo e country nacional. A proposta do projeto é trazer uma pegada extremamente alegre, vibrante e dançante, que resgata aquele balanço característico e contagiante das músicas country dos anos 1990 e 2000.
Sabe aquela energia de duplas renomadas que marcaram época e se espalharam por todo o Brasil, como Chitãozinho & Xororó, Rionegro & Solimões e o saudoso Juliano Cézar? É exatamente essa atmosfera de festa, de bota no chão e poeira levantada que queremos trazer de volta para os palcos.
O nome da banda, meus companheiros, ainda é um segredo guardado a sete chaves que eu não posso revelar de jeito nenhum nesta semana. Mas, para saciar um pouco a curiosidade de vocês, posso adiantar quem está comigo nessa empreitada. E o peso dessa parceria não é brincadeira.
Dividindo esse sonho comigo está o grande Antonio Martins, um baterista, percussionista e músico profissional de altíssimo gabarito, com uma bagagem respeitável e passagens marcantes por vários grupos de destaque, como as bandas Bom D+ e The Jhonnes, além de inúmeras apresentações diversas na noite e em grandes palcos da região.
A nossa parceria, na verdade, não começou ontem. Para entender a nossa sintonia, precisamos voltar no tempo, lá pras bandas de 2003 e 2004. Durante cerca de um ano, nós tocamos juntos intensamente na noite de nossa cidade. Foi na época da criação do inesquecível Limoncino, um bar de seresta e samba que agitava o Guarujá e deixou muitas saudades na memória de quem viveu aquela época áurea.
Naquela formação caseira e cheia de energia, contávamos com o talento do Pedro Leão na voz e no violão, enquanto eu tocava banjo e o Antonio comandava a percussão com maestria. Foram tempos felizes, de muito aprendizado e de uma cumplicidade musical que ficou guardada na memória de nós dois.
O mais fascinante desse novo projeto é a riqueza da nossa mistura, uma verdadeira receita de temperos diversos que se complementam. As nossas influências musicais são as mais variadas possíveis e trazem uma bagagem cultural imensa. Do meu lado, trago a forte herança da viola caipira e do sertanejo por parte de pai, misturada à cadência e à malandragem do samba antigo que herdei por parte de mãe.
Já o Antonio traz uma bagagem ainda mais ampla e eclética. Ele respira música desde muito cedo, influenciado diretamente pela mãe nas escolas de samba, o que lhe deu uma base rítmica absurda. Suas principais referências passam pela riqueza da MPB e pelo Pagode. Desde os 16 anos vivendo profissionalmente na música, o Antonio acumulou uma experiência de palco gigantesca que agora ele traz para enriquecer o nosso som.
Atualmente, o projeto está naquela fase deliciosa do nascimento, onde as ideias fervem e a energia se concentra. Sim, inicialmente os nossos ensaios estão acontecendo de forma bem intimista, no estúdio que o Antonio montou na própria casa dele.
Por enquanto, a banda resume-se a esses dois sonhadores de longa data, que alinham os arranjos, testam os repertórios e planejam os próximos passos com os pés no chão, mas os olhos no horizonte. Nós almejamos, sim, dar grandes passos no cenário musical e levar esse som alegre para muita gente.
No entanto, temos a exata maturidade e a consciência da importância de aproveitar cada segundo do início, celebrando o processo de criação e o reencontro com a nossa essência. Misturar o calor da brasa com a energia da viola e do country nacional faz todo o sentido para mim.
Afinal, tanto o churrasco quanto a boa música têm o mesmo objetivo final: reunir as pessoas que amamos, celebrar os bons momentos, sorrir e lavar a alma. Preparar um belo corte de carne ouvindo um clássico sertanejo é, sem dúvidas, uma das maiores frestas de felicidade que podemos experimentar na vida. E é justamente essa sinergia que quero trazer para as próximas edições da nossa coluna.
Portanto, meus amigos leitores do Jornal A Estância de Guarujá, fiquem muito atentos aos próximos capítulos. Juntar as panelas, as grelhas, os espetos e os instrumentos musicais tem sido uma jornada revigorante e cheia de boas vibrações.

Em breve, muito em breve mesmo, postaremos mais detalhes, revelaremos o nome oficial da banda, o repertório que estamos preparando com tanto carinho e as datas dos nossos primeiros passos na estrada. Por enquanto, o braseiro continua aceso e os instrumentos estão devidamente afinados. Até a próxima semana, com muita carne de qualidade no prato e muita música boa no coração!
Um ótimo churrasco a todos!
Acompanhe mais em nossas redes sociais e bons churrascos!
Rodrigo ‘Paizão/Barbaecue’ é jornalista e criador de conteúdo digital com mais de 191mil inscritos em seu canal no youtube e mais de 70 mil seguidores em suas redes sociais.


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