Há muito tempo a falta de água deixou de ser apenas um transtorno para os moradores de Guarujá. Tornou-se um problema de saúde pública, de dignidade e, agora, escancarou também sua dimensão mais cruel: a de colocar vidas
ainda mais em risco.
»» Leia também: Opinião: Prevenir continua sendo o melhor caminho
A tragédia ocorrida no último domingo, que resultou na morte de uma criança de apenas três anos durante um incêndio, revelou uma realidade que a população conhece bem.
Enquanto as chamas consumiam a residência, vizinhos pouco puderam fazer.
Sem água nas torneiras, restavam apenas algumas garrafas reservadas para o consumo da família. Um recurso insuficiente diante de uma emergência.
O incêndio, por si só, já seria devastador. Mas saber que a ausência de água retirou dos moradores qualquer possibilidade de reação torna o episódio ainda mais doloroso.
Soma-se a isso a demora de aproximadamente 40 minutos, segundo relatos de moradores, para a chegada do Corpo de Bombeiros, ampliando a sensação de impotência vivida por quem presenciou a tragédia.
É evidente que não se pode afirmar que a existência de água ou um atendimento mais rápido mudariam, necessariamente, o desfecho. Mas também é impossível ignorar que ambos são fatores essenciais em qualquer
situação de combate a incêndios.
A reunião emergencial convocada pela Prefeitura de Guarujá e a criação de um comitê de crise demonstram a gravidade do cenário. Mais importante ainda foi o reconhecimento, pela própria Sabesp, de que existem falhas no
abastecimento.
Vieram, então, os anúncios: reforço de caminhões-pipa, um canal exclusivo para atendimento aos moradores e a promessa de acelerar uma obra que deveria ampliar a oferta de água para a cidade.
São medidas necessárias. Mas chegam depois de meses, anos, de reclamações constantes e justamente quando o problema atingiu seu ponto mais dramático.
A justificativa de atrasos por dificuldades geológicas nas obras da travessia subaquática pode explicar parte do cenário técnico, mas não elimina a responsabilidade de garantir um plano de contingência eficiente para uma
cidade com mais de 300 mil moradores e que, em períodos de alta temporada, praticamente dobra de população.
Água não é um serviço acessório. É infraestrutura essencial, indispensável para cozinhar, higienizar, atender unidades de saúde, combater incêndios e preservar vidas.
A cada nova crise surgem promessas de investimentos, cronogramas e explicações. O que a população espera, entretanto, é algo mais simples: abrir a torneira e encontrar água.
Que esta tragédia sirva, ao menos, para transformar promessas em ações efetivas. Porque, quando um serviço essencial falha repetidamente, o prejuízo vai muito além do desconforto. Em situações extremas, ele pode cobrar um
preço alto demais.
+++++++++++++++
Primeiro escalão
A Prefeitura de Guarujá terá mudanças no comando de duas secretarias. Os vereadores Sirana Bosonkian e Walter dos Santos (Nego Walter) deixam temporariamente suas cadeiras na Câmara para assumir, respectivamente, as
secretarias de Direitos Humanos e Cidadania e de Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
Retorno à Câmara
Suplente do PDT, Nequinho volta ao Legislativo após obter 1.771 votos nas eleições de 2024. Ex-vereador, ele tem trajetória marcada por propostas voltadas ao combate à corrupção em licitações, defesa dos direitos das mulheres e reivindicações por melhorias no sistema de travessias entre Guarujá e Santos.
Nova oportunidade
Também assume uma cadeira na Câmara o suplente Vinícius Andrade (Pescoço), do PSB, que recebeu 1.983 votos no último pleito. Administrador de empresas, é fundador do Instituto Mente Aberta e atua em projetos ligados à
inclusão, especialmente em defesa das pessoas com deficiência e das famílias atípicas.
Semana Jurídica cancelada
A Câmara de Guarujá cancelou a programação de encerramento da 2ª Semana Jurídica, que aconteceria nesta sexta-feira (7). Segundo a Casa, os palestrantes Luiz Flávio Borges D´Urso e Luiz Augusto Fillizzola D´Urso informaram impossibilidade de comparecer por compromisso assumido na mesma data. As palestras realizadas ao longo da semana reuniram especialistas para debater temas ligados ao Direito e à administração pública.
Água ainda não voltou
Apesar das medidas anunciadas pela Sabesp após a reunião com a Prefeitura, o abastecimento segue irregular em diversos bairros de Guarujá. Em Vicente de Carvalho, moradores relatam que as torneiras continuam secas.
Pressão baixa
Já no Jardim Boa Esperança, a baixa pressão impede que a água chegue às caixas d´água, enquanto na Enseada o fornecimento permanece intermitente ao longo do dia.
Alerta mantido
A Defesa Civil mantém o alerta para ventos fortes no litoral paulista entre quinta-feira (6) e sábado (8). Para a Baixada Santista, a previsão aponta rajadas que podem chegar a 100 km/h, além de ressaca e risco de queda de
árvores, interrupções no fornecimento de energia e transtornos no trânsito. A recomendação é evitar áreas abertas, praias e atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos.


COMENTÁRIOS