Um hospital municipal é, sem dúvida, um dos equipamentos públicos mais desejados por qualquer cidade. Em Guarujá, esse desejo não é novo. Ele carrega memória, frustração e, agora, uma nova expectativa.
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O anúncio do prefeito Farid Madi sobre a retomada do projeto de um hospital próprio reacende um debate que precisa ser feito com maturidade: não basta construir, é preciso sustentar aberto.
Guarujá já teve um hospital municipal, e ele foi fechado justamente por problemas que vão além da estrutura física — gestão ineficiente, dificuldades financeiras e incapacidade de manter um serviço de alta complexidade funcionando com qualidade.
A proposta atual, que prevê 100 leitos e 20 de UTI, é ambiciosa e, ao mesmo tempo, necessária. A cidade cresceu, a demanda por saúde aumentou e a dependência de outros municípios da região continua sendo um gargalo histórico.
Um hospital municipal pode significar mais autonomia, redução no tempo de espera por internações e maior capacidade de resposta em situações de urgência. Mas é justamente aí que mora o desafio.
Hospitais são estruturas caras, complexas e permanentes. Exigem financiamento contínuo, equipes qualificadas, gestão técnica e integração com toda a rede de saúde. Não se trata apenas de inaugurar um prédio, mas de garantir que ele funcione todos os dias, com eficiência e dignidade.
A articulação com o Governo do Estado é um ponto positivo e pode ser determinante para viabilizar o projeto, principalmente no que diz respeito ao custeio. A experiência mostra que municípios, sozinhos, têm dificuldade em manter unidades desse porte sem apoio estadual e federal.
Outro ponto central será o modelo de gestão. Seja administração direta, organização social ou parceria público-privada, a escolha precisa ser transparente, técnica e baseada em resultados — e não em interesses políticos. A cidade já pagou o preço de decisões mal estruturadas no passado.
O momento, portanto, é de equilíbrio entre esperança e responsabilidade. Mais do que um sonho, um hospital municipal precisa ser um compromisso — com a vida, com o dinheiro público e com a história que a cidade não pode repetir.
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Cidade sentiu
Paralisação de coletores provocou acúmulo de lixo em Guarujá e região; serviços foram retomados parcialmente após decisão judicial, mas, bastaram poucas horas de paralisação para que o impacto fosse visível. Em Guarujá, o acúmulo de lixo tomou ruas e calçadas, principalmente nos bairros, evidenciando a dependência do serviço diário de coleta.
Motivo da paralisação
A greve dos trabalhadores da limpeza urbana, ligados às empresas Terracom e Terra Santos Ambiental, teve início no dia 16 de março. A principal reivindicação foi o valor do Programa de Participação nos Resultados (PPR) de 2025, considerado abaixo do esperado pela categoria.
Abrangência regional
A paralisação atingiu seis cidades da Baixada Santista: Santos, Guarujá, Praia Grande, Cubatão, São Vicente e Bertioga, afetando serviços essenciais como coleta e varrição.
Justiça impõe limite
Após audiência no Tribunal Regional do Trabalho, foi determinada a manutenção de ao menos 70% do efetivo em atividade. Com isso, parte dos serviços foi retomada cerca de 24 horas após o início da greve.
Crise ainda não resolvida
Apesar da retomada parcial, o impasse continua. Uma nova audiência de conciliação está marcada para esta sexta, dia 20 de março, e a situação segue em acompanhamento.
Reflexo direto na população
O episódio reforça o impacto imediato de serviços essenciais quando interrompidos. Nos bairros, moradores enfrentaram transtornos com lixo acumulado e riscos à saúde, mesmo com a paralisação de curta duração.
Homenagem
A vereadora Sirana Bosonkian apresentou projeto para concessão do Prêmio “Marlene Maria dos Reis Rodrigues” à Lorenz Silveira Barbosa, em alusão ao Dia Internacional da Mulher.
Comissão
Outro destaque foi a apresentação de projeto de resolução que cria uma comissão especial de representação da Câmara para participação na 25ª Marcha dos Gestores e Legislativos Municipais, promovida pela União dos Vereadores do Brasil (UVB), em Brasília, entre 27 e 30 de abril.
Moção
A parlamentar também apresentou moção de congratulação à segunda edição do evento “Empreendedores Curados para Curar”, destacando a iniciativa de incentivo ao empreendedorismo e valorização dos profissionais da área da beleza. O reconhecimento inclui organizadores e parceiros, com menção à empresária Jaqueline Antiquera.
Ação na Prainha
Outra moção aprovada reconhece o evento “Comunidade com Dignidade”, realizado na Prainha, que levou serviços públicos e ações sociais à população. A homenagem foi direcionada à diretora Natasha Novaes, responsável pela coordenação da iniciativa.
Alerta para tuberculose
Um estudo da Unoeste chama atenção para os desafios no controle da tuberculose em Guarujá. A pesquisa vai analisar o percurso de pacientes com a forma resistente da doença, desde os primeiros sintomas até o início do tratamento. O objetivo é identificar dificuldades no diagnóstico e no acesso à saúde, além de fatores sociais que influenciam o avanço da doença.
Bazar solidário no CRPI
O Centro de Recuperação de Paralisia Infantil e Cerebral de Guarujá realiza até sexta-feira (20) um bazar com roupas e calçados a partir de R$ 2,00. A ação acontece na unidade do bairro Tombo e ajuda a manter os atendimentos gratuitos oferecidos pela instituição, que atua há 60 anos na cidade.
Tributo ao Queen
O Ópera Queen será apresentado nesta sexta-feira (20), às 20h, no Teatro Procópio Ferreira. O espetáculo promete reviver clássicos da banda britânica, com destaque para a interpretação de Freddie Mercury, em performance ao vivo.
Queda expressiva
Guarujá registrou redução de 85% nos casos de dengue no início de 2026, em comparação com o ano anterior. O resultado é atribuído a ações intensificadas de combate ao mosquito, como vistoria em hotéis, inspeções em escolas e mutirões semanais, além de estratégias contínuas de prevenção realizadas pela rede municipal de saúde.


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