Coluna: A Anatomia do Poder e a Geopolítica da Opressão

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Coluna: A Anatomia do Poder e a Geopolítica da Opressão

Dizem que o poder corrompe, e a história ratifica essa máxima com crueza. Subitamente, aquele que ascende ao topo imagina-se superior a tudo e a todos. Julga-se acima das instituições, da vontade alheia e, principalmente, das
necessidades dos mais vulneráveis.

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Desconectado da miséria humana, o detentor do poder passa a agir como uma divindade terrena, operando o mundo a seu bel-prazer.

Na essência, o poder é um monstro autofágico: alimenta-se de si próprio e exige doses cada vez maiores de controle para saciar um ego insaciável. Daí surgem os totalitarismos, as ditaduras e as variadas formas de opressão
desenhadas para subjugar justamente aqueles que sustentam a pirâmide social.

Se essa megalomania se restringisse às fronteiras nacionais, o problema — embora aberrante — seria uma questão de responsabilidade interna, ecoando a máxima de Joseph de Maistre: “Cada povo tem o governo que merece”. Afinal, é o povo quem, por ação ou omissão, conduz o poderoso ao trono.

Contudo, a gravidade se torna extrema quando a soberba de um governo transborda para as nações vizinhas. A soberania de um povo não deve vassalagem a um soberano estrangeiro que ele não escolheu. A guerra é,
essencialmente, isso: uma violação brutal da dignidade e da liberdade alheia.

Nenhuma nação tem o direito de forjar um “dever imaginário” para subjugar terceiros sob o pretexto de “exportar a democracia”. O que testemunhamos no mundo contemporâneo é o avanço deliberado dos impérios sobre as nações mais fracas, utilizando o poderio bélico ou econômico como instrumentos de tortura diplomática. É uma ignomínia cruel que fere o direito fundamental de pertencer ao próprio solo com segurança.

Essa injustiça é institucionalizada no Conselho de Segurança da ONU. O direito ao veto concedido aos cinco membros permanentes — China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos — cria uma paralisia moral. Basta que um desses “gigantes” diga “não” para que a vontade de outros 193 estados- membros seja anulada, inclusive em iniciativas de paz.

Na prática, a organização torna-se refém dos interesses de quem já possui o controle. Rússia e Estados Unidos movem-se pelo tabuleiro global com a certeza da impunidade, avançando sobre territórios e soberanias enquanto o resto do mundo assiste, impotente.

Escrevo estas linhas nesta terça-feira, 21 de abril, prazo final dado pelos EUA ao Irã para que sucumba à sua vontade, sob pena de um ataque devastador. Até esta sexta-feira, restou-nos torcer para que o bom senso tenha prevalecido
— não por virtude do agressor, cujas ações recentes carecem de equilíbrio, mas pela pressão das demais nações que, infelizmente, têm se mostrado tímidas ou silentes, como ocorreu tragicamente em Gaza.

É preciso encarar a realidade: um governo opressor e poderoso só teme uma coisa — o surgimento de uma força capaz de rivalizar com a sua e interromper o seu ciclo de dominação

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

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