Coluna: Data centers – Menos imposto para atrair tecnologia?

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Coluna: Data centers – Menos imposto para atrair tecnologia?

Prezado, leitor. Você já ouviu falar em data center? Apesar do nome complicado, a ideia é simples: são grandes estruturas cheias de computadores e servidores que armazenam, processam e distribuem enormes quantidades de dados. É ali que ficam, por exemplo, muitos dos dados e sistemas que utilizamos diariamente na internet, na nuvem e até em aplicações de inteligência artificial.

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E por que estamos falando disso em uma coluna tributária? Porque o Senado aprovou recentemente um projeto que cria incentivos fiscais para estimular a instalação e ampliação desses centros no Brasil. O texto prevê a suspensão de tributos federais sobre determinados equipamentos utilizados nessas estruturas, como Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins.

Mas atenção para uma informação importante: o projeto foi aprovado pelo Senado, mas ainda não é uma lei em vigor. O texto já havia passado pela Câmara e agora segue para sanção presidencial. Portanto, ainda existe uma etapa antes que essas regras possam efetivamente produzir seus efeitos.

Na prática, o Governo está propondo abrir mão de parte da arrecadação para tornar o Brasil mais atrativo para empresas que pretendam investir nesse setor. É o que chamamos de incentivo fiscal: o Estado reduz ou suspende determinado tributo para estimular uma atividade que considera importante para a economia.

Imagine uma empresa que precise investir milhões de reais em equipamentos para instalar um data center no país. Se parte desses equipamentos tiver menos impostos, o custo do investimento diminui. A expectativa é que essa economia ajude a trazer novos investimentos, empregos, tecnologia e infraestrutura para o Brasil.

Mas aí fica uma pergunta que cada cidadão pode fazer: vale a pena arrecadar menos impostos agora para tentar gerar mais investimentos e desenvolvimento no futuro?

Não existe uma resposta simples. Incentivos fiscais podem estimular setores estratégicos, mas também representam uma renúncia de arrecadação que precisa ser analisada com responsabilidade. Segundo estimativa divulgada pelo Senado, o incentivo previsto no projeto pode representar cerca de R$ 5,2 bilhões em 2026.

Por isso, mais importante do que simplesmente comemorar ou criticar a redução de impostos é entender o que está sendo proposto, para quem e em troca de quais resultados. Afinal, quando o Governo deixa de arrecadar um tributo, essa escolha também faz parte da nossa política tributária e merece ser acompanhada de perto por todos nós.

Fique atento(a) aos seus direitos e deveres.

Beatriz Biancato é advogada tributarista em Guarujá, Mestre em Direito com ênfase em Tributação Municipal, Autora pela Editora Dialética e Idealizadora do projeto gratuito “Tributário Sem Mistério”, disponível em www.tributariosemmisterio.com.br.

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