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Coluna: Debate difícil

A organização do tempo de trabalho é um dos pilares que sustentam a estrutura socioeconômica de uma nação. No Brasil, a escala 6×1 — na qual o indivíduo trabalha seis dias para um de descanso — tem sido o padrão em setores essenciais como o comércio e serviços.

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No entanto, o debate sobre o seu fim e a transição para modelos mais flexíveis, como a semana de quatro dias ou a escala 5×2, ganhou força definitiva. Essa discussão não é apenas sobre “trabalhar menos”, mas sobre a sustentabilidade do capital humano frente às demandas do século XXI.

O sistema já é adotado em muitos países. O principal argumento a favor do fim da escala 6×1 reside na saúde física e mental do trabalhador. Estudos contemporâneos indicam que o descanso de apenas 24 horas é insuficiente para a desconexão total das responsabilidades laborais e para a plena recuperação biológica.

Mas o debate se intensifica cada vez mais em Brasília. Se por um lado o benefício social é evidente, o impacto econômico imediato gera preocupações legítimas, especialmente para o setor produtivo e para as micro e pequenas empresas.

Para muitos setores, especialmente a indústria e o varejo que operam sete dias por semana, o fim da escala 6×1 exige a contratação de novos funcionários para cobrir as lacunas de escala.

Isso implica em um aumento direto na folha de pagamento e nos encargos trabalhistas, o que pode levar ao repasse de preços ao consumidor final (inflação).

Diferente das grandes corporações, o pequeno comerciante de bairro muitas vezes não possui margem de lucro para contratar um substituto. Nesses casos, o risco é o fechamento de postos de trabalho ou a sobrecarga dos próprios proprietários, reduzindo a competitividade do pequeno negócio frente aos gigantes do e-commerce.

Sobre isto, um final já pode ser anunciado. O e-commerce vai vencer, é questão de tempo.

A economia clássica argumenta que a redução de jornada só é sustentável se houver um aumento correspondente na produtividade por hora trabalhada. No Brasil, onde o investimento em tecnologia e automação ainda é desigual, implementar essa mudança de forma súbita pode gerar um descompasso produtivo.

Entre lá e cá, o caminho do meio parece ser o mais ideal. E não é difícil entender, afinal as eleições estão aí.

Com certeza a coluna do meio é a mais provável. Não dá para desagradar ninguém.

Resta a nós, os maiores beneficiados, aguardar para ver como termina este embate e se, de fato, seremos atendidos em nossos anseios. Creio que se todos os poderes de Brasília deixarem de se preocupar apenas consigo mesmo, pode ser que a nova lei faça o que for bom para o povo.

Sérgio Motti Trombelli é professor universitário e palestrante kardecista cristão.

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