Comércio de Vicente de Carvalho debate futuro da Av. Thiago Ferreira

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Comércio de Vicente de Carvalho debate futuro da Av. Thiago Ferreira

A Avenida Thiago Ferreira, principal corredor comercial de Vicente de Carvalho, voltou ao centro das discussões sobre os rumos do comércio de Guarujá.

Da Reportagem

Um vídeo publicado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Guarujá mostra diferentes estabelecimentos com as portas fechadas ao longo da via e questiona o que estaria levando parte dos comerciantes a deixar a região.

Nas imagens, aparecem imóveis comerciais com as portas baixadas em diferentes trechos da avenida. Ao apresentar a situação, a CDL questiona: “Por que tantas lojas fechadas na Thiago Ferreira?” e, na sequência, levanta duas possíveis explicações: o crescimento das vendas on-line e os preços dos aluguéis.

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A entidade afirma que a CDL Guarujá foi criada para reunir lojistas e defende uma atuação conjunta para buscar alternativas para o comércio local.

A publicação provocou uma série de comentários nas redes sociais, com diferentes interpretações sobre as razões para o fechamento de estabelecimentos.

Aluguel e comércio eletrônico

Entre as principais queixas está o custo dos imóveis comerciais. Comentários apontam que os valores cobrados pelos aluguéis estariam dificultando a permanência de pequenos comerciantes na avenida.

“Os donos de imóveis perderam a noção dos aluguéis!! Não é só a crise não!”, escreveu uma internauta. Outro comentário afirma que o comerciante enfrenta, além do aluguel elevado, a concorrência das plataformas de comércio eletrônico.

Mercado Livre, Shopee, Amazon e Shein foram citados por usuários como exemplos de plataformas que mudaram os hábitos de consumo. Para parte dos internautas, a migração das compras para a internet reduziu o movimento das lojas físicas.

A transformação no comportamento do consumidor também foi apontada como um processo que vai além de Guarujá. “As coisas mudam mesmo, isso se chama avanço tecnológico”, escreveu outro usuário.

Segurança, conservação e movimento

Outros comentários ampliaram o debate para questões relacionadas à própria estrutura da Avenida Thiago Ferreira. Segurança, limpeza, conservação dos imóveis e aparência da via foram citadas como fatores que poderiam influenciar a decisão de comerciantes e consumidores.

Um dos internautas reclamou das condições de conservação de alguns imóveis, enquanto outro resumiu os problemas apontando “aluguel caro, vendas on-line, segurança baixa” e uma avenida que precisaria de melhorias urbanas.

As manifestações, no entanto, são opiniões de usuários das redes sociais e não constituem, por si só, um diagnóstico sobre as causas do fechamento de lojas.

Há também quem discorde

A dimensão do problema também foi questionada nos comentários. Uma internauta relatou ter passado pelo centro comercial de Vicente de Carvalho no sábado, 3 de outubro, e afirmou ter encontrado a maioria das lojas funcionando.

Outro exemplo citado foi o da Lucky Calçados, que informou ter deixado a Avenida Thiago Ferreira e transferido a operação para a Avenida Santos Dumont, onde, segundo a própria empresa, continua atendendo os clientes.

Os relatos mostram que a realidade do comércio local pode ser mais complexa do que a quantidade de portas fechadas observada em determinados trechos da avenida. Há estabelecimentos que encerram atividades, outros que mudam de endereço e negócios que continuam funcionando.

Um comércio em transformação

O debate sobre a Thiago Ferreira reúne, portanto, fatores que não necessariamente são excludentes. A expansão do comércio eletrônico, o custo dos aluguéis, as condições urbanas, a segurança e as mudanças nos hábitos de consumo aparecem nas manifestações dos moradores e comerciantes.

Para a CDL Guarujá, o momento exige união entre os lojistas. A entidade encerra o vídeo com a mensagem: “Podemos juntos fazer diferente!” e reforça o convite para que comerciantes se associem à entidade.

Mais do que apontar uma única causa para as portas fechadas, a discussão coloca em evidência a necessidade de entender o que está acontecendo com um dos principais polos comerciais de Vicente de Carvalho — e quais medidas poderiam contribuir para manter consumidores, comerciantes e investimentos na região.

CDL quer mobilizar comerciantes para revitalizar Thiago Ferreira

Sandra Salvador diz que entidade pretende promover ações para recuperar o movimento da principal área comercial de Vicente de Carvalho

A presidente da CDL Guarujá, Sandra Salvador, afirma que o vídeo sobre as lojas fechadas na Avenida Thiago Ferreira teve como objetivo chamar a atenção para uma situação que, segundo ela, vem sendo alertada pela entidade há cerca de três anos.

Para Sandra, o principal desafio atualmente está nos altos valores dos aluguéis e na perda de movimento, e não na segurança.

Segundo a presidente da CDL, cerca de 19 estabelecimentos estariam fechados na avenida. Ela afirma ainda que alguns comerciantes que deixaram a Thiago Ferreira transferiram suas lojas para outros bairros, onde continuam funcionando.

Sandra também contesta a avaliação de munícipes, de que a segurança seria um dos principais motivos para o esvaziamento da região. “A Thiago Ferreira está muito segura”, afirmou, citando a atuação da Guarda Municipal e da Polícia Militar.

Segundo ela, a entidade mantém contato com comerciantes para obter avaliações sobre a segurança e, atualmente, não recebe reclamações significativas nesse sentido.

Outro ponto levantado pela dirigente é a conservação dos imóveis desocupados. Segundo Sandra, alguns permanecem fechados e sem manutenção, o que contribui para a aparência de abandono da avenida.

“Os imóveis que estão fechados estão dentro da água, estão muito jogados”, afirmou.

Ações com os próprios comerciantes

Para enfrentar o problema, a CDL pretende ampliar o número de associados e criar ações financiadas pelos próprios comerciantes. A ideia é promover eventos na Thiago Ferreira para aumentar a circulação de moradores e consumidores.

Sandra cita como exemplo uma ação de Natal realizada pela entidade há cerca de dois anos, organizada com a contribuição dos associados e que contou com brinquedos, música e distribuição de pipoca.

A proposta agora é repetir iniciativas desse tipo em outras datas, como o Dia das Crianças, criando espaços de lazer na avenida e estimulando os moradores a frequentarem a região.

“Porque a gente precisa de gente circulando. Não tem mais gente circulando”, resumiu.

A presidente também defende que os comerciantes se unam à entidade para viabilizar projetos de revitalização e economia criativa. Segundo ela, a CDL já participa de iniciativas nessa área e contratou profissionais para desenvolver projetos para o comércio.

“Eu quero uma Thiago Ferreira de volta bonita, com os imóveis fechados, mas bonitos”, disse.

Sandra afirma que pretende continuar cobrando atenção para a situação enquanto estiver à frente da entidade. “Enquanto eu sou presidente da entidade, eu não vou deixar. Eu vou falar, eu vou lutar”, afirmou.

Para ela, o objetivo não é atribuir responsabilidades isoladamente, mas mobilizar comerciantes, proprietários de imóveis e demais setores para evitar que a principal área comercial de Vicente de Carvalho perca ainda mais força.

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