Opinião: Turismo que move a cidade

HomeColunas>Estância do Leitor

Opinião: Turismo que move a cidade

Mais do que praias cheias, o feriado prolongado revela uma realidade conhecida dos moradores de Guarujá: é o turismo que mantém a cidade em movimento. Cada visitante que chega movimenta hotéis, bares, restaurantes, ambulantes, motoristas, diaristas e centenas de famílias que encontram nos feriados a oportunidade de reforçar a renda.

»» Leia também: Opinião: Refis – Alívio necessário ou prêmio ao mau pagador?

Nesse cenário, o debate sobre o aluguel de temporada ganha relevância e precisa ser tratado com equilíbrio. É necessário garantir regras claras, fiscalização e segurança, sem criar barreiras excessivas para uma atividade que, hoje, faz parte da economia local e sustenta muitos moradores.

O desafio está em conciliar organização urbana, respeito à legislação e liberdade econômica, preservando uma das principais vocações de Guarujá: receber bem quem escolhe a cidade como destino.

Quando o turismo cresce, a cidade inteira sente os efeitos — e boa parte deles começa dentro da casa de quem vive do movimento do feriado.

+++++++++

“Agosto Laranja”

O vereador Walter dos Santos, o Nego Walter (PSB), apresentou projeto de lei que institui o “Agosto Laranja” no calendário oficial de Guarujá. A proposta prevê ações de conscientização e apoio a pacientes com esclerose múltipla, com atividades entre os dias 23 e 30 de agosto.

Esclerose múltipla

Pelo texto protocolado por Nego Walter, a semana que antecede o Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla deverá contar com eventos de orientação voltados a pacientes, familiares, profissionais de saúde, estudantes e população em geral.

Diagnóstico e acolhimento

Na justificativa, o vereador destaca a importância do diagnóstico precoce da esclerose múltipla, doença degenerativa que afeta o sistema nervoso central. Segundo o parlamentar, o objetivo é ampliar o debate sobre políticas públicas de diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.

Sepultamento de pets

A vereadora Sirana Bosonkian apresentou projeto de lei que autoriza e disciplina, no âmbito do município, o sepultamento de animais domésticos de pequeno porte em jazigos familiares. A proposta segue a legislação estadual nº 18.397/2026 e prevê o cumprimento de normas sanitárias, ambientais e regras dos cemitérios públicos e privados.

Moção

Durante a sessão, a vereadora também apresentou moção de congratulação pela realização da caminhada do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, promovida no último domingo em Guarujá. A ação, que integra o calendário oficial do município, reuniu famílias, profissionais e entidades ligadas à causa.

Salas multissensoriais

Outra indicação protocolada por Sirana solicita estudos de viabilidade para a implantação de salas multissensoriais na rede municipal de ensino. O objetivo é ampliar o acolhimento e o suporte a alunos com transtorno do espectro autista e outras necessidades específicas.

Câmara em Brasília

A Câmara aprovou a formação de comissão especial para representar o Legislativo de Guarujá na 25ª Marcha dos Gestores e Legislativos Municipais, que acontece entre os dias 27 e 30 de abril, em Brasília. Sirana Bosonkian presidirá o grupo.

+++++++++++

Seis décadas de vida

Por Zoel Garcia Siqueira

Quando completamos os 60 anos que dão título a este artigo, sem perceber nos tornamos mais reflexivos. Percebo, por exemplo, que não apenas herdei o sobrenome de meu pai, mas também o gosto por leitura. Apesar de não ser grande leitor como ele, acumulei conhecimentos, de tudo um pouco, razoavelmente acima da média da população.

Muito também por escolhas certas na internet.

Sobre os valores oriundos dessa fonte de informações digitais, também reflito um pouco. Indigna-me o crescimento de defensores dos valores machistas ‘red pill’ que buscam o retorno do nazifascismo. Há também os mentecaptos que ainda defendem a ditadura civil-militar que afundou o país no obscurantismo de 1964 a 1985, querendo repeti-la hoje.

Trazendo essa reflexão para o ambiente familiar, vejo claramente, ao lado de minha esposa, nesses nossos 40 anos de convívio e 37 de matrimônio, que felizmente a mediocridade não nos contaminou. Produzimos uma família proporcionadora de vivências que desejo compartilhar neste curto texto, certo de que a mesma realidade é comum a muitas famílias Brasil e mundo afora.

Tenho o hábito de, aos sábados, caminhar até a casa dos meus pais, octogenários, com problemas de saúde e por isso sempre acompanhados de cuidadores. Lá chegando, sinto o silêncio que caracteriza o ambiente. Mesmo tendo acompanhamento de saúde, ambos estão bem frágeis. Converso com eles, mas o que caracteriza esses momentos é a calmaria.

Após a rápida visita, ao retornar, passo na casa de meu filho, onde está à minha espera um neto de três anos e uma neta de seis. O remanso ensurdecedor de meus pais se transforma. Quando pergunto, estendendo a palma da mão direita para baixo, ‘quem quer ir ao mercado comigo comprar sorvete bate aqui’, o repouso da casa dos meus pais vira algazarra.

Ao retornar com meus netos, bebo um copo d’água e vou para casa com a seguinte conclusão: a zoeira infantil é mais alegre que o sossego da ancianidade. E olha que sou apaixonado pelo silêncio, pois possibilita a reflexão. Ao chegar em casa, percebo o quão privilegiado sou pela caminhada me possibilitar a visita aos extremos de minha família.

Regalia não usufruída por todos nesta sociedade injusta e desigual.

Tenho a tristeza de ver minha bela irmã passando por problemas de saúde. Há também o desalento de minha esposa que, filha única, perdeu a mãe aos 25 anos de idade. Hoje ela tem mais convívio comigo do que teve com sua mãe. Ao fim e ao cabo, o convívio familiar é a força que tenho hoje para viver. O que desejo é que todos tenham essa mesma força.

Zoel é professor, formado em sociologia e presidente do Sindserv (sindicato dos servidores municipais) Guarujá.

COMENTÁRIOS

Abrir bate-papo
Olá 👋
Podemos ajudá-lo?